quarta-feira, 21 de junho de 2017

sem controle

Ontem fui brincar com uma amiga sobre uma vaga preenchida onde ela trabalha e fui totalmente surpreendida.
- oi miga, vi que tinha uma vaga aí e você nem me indicou... 
- verdade, a vaga era pro meu lugar, fui demitida ontem
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Essa amiga conheci ano passado durante um freela em outra agência e, meses depois, viemos a trabalhar juntas onde estou hoje. Muitas coisas aconteceram, inclusive decepções, desgostos e humilhações (infelizmente) tão comuns na nossa profissão, e fizeram com que nós duas procurássemos um novo trabalho.
Na época, desisti da vaga que ela acabou ficando. Desisti não, na verdade decidi dar mais uma chance e continuar onde estou. E então, dei toda força pra que ela fosse atrás daquela oportunidade, que era muito melhor, inclusive.
Achei que seria ótimo pra ela, ganhar mais bem na época do casamento dela chegando. Sei bem como essa época é foda em termos de dinheiro, então ficamos super felizes que as coisas deram certo. Com o tempo, ela conseguiu formar uma puta equipe legal, daquelas que dá até gosto trabalhar junto.
Conhecei a galera no casamento dela, esse ano. Todo mundo entrosado, parceiro, verdadeiro. Mas, aí, como nada é muito perfeito na nossa carreira, basta mudar uma pessoa e essa pessoa ter o poder pra do nada, tudo mudar.
Infelizmente nossa carreira é assim. Sobem os puxa-sacos incompetentes, sofrem os que não sabem lamber ninguém. Cresce quem tem "amigos", estagnado fica aquele que não sabe fazer politicagem. E assim segue a vida.
A pessoa mal chegou e já saiu demitindo geral, sem nem dar a chance de conhecer o trabalho da pessoa. Sequer de conhecer a pessoa. E lá vai minha amiga, sem nem completar um ano, entrar pra estatística do gigante desemprego desse país.
E hoje, ironicamente, é dia do mídia. Nossa profissão. E é por coisas como essas que eu me pergunto: até quando senhor? 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

castelos de areia

Quando eu era criança andava muito de ônibus porque lá em casa a gente quase nunca teve carro. E nessas andanças pela cidade dentro de um ônibus, quase sempre passava em frente à uma casa gigante, antiga, térrea, com um quintal e um jardim enormes que ficava bem na principal (ou talvez única) grande avenida que eu conhecia.
E certa vez, minha mãe me disse que compraria ela pra mim. E toda vez que passávamos em frente à ela, fazíamos planos. O que mais me fez sonhar, secretamente é claro, foi a casa na árvore que minha mãe disse que faria pra mim.
E vez ou outra a gente escolhia uma árvore diferente pra poder fazer a tal casa. Eram tantas as árvores naquele quintal, que eu sempre queria a maior ou a mais alta, mas minha mãe achava que era melhor escolher a mais forte pra aguentar a casa.
Um belo dia, ao passar lá em frente, máquinas e tratores estavam derrubando a casa. Ué, será que minha mãe mudou de ideia e mandou derrubar tudo? - pensei. Naquele terreno nunca mais fizeram nada, até hoje. Derrubaram toda a casa e não sobrou nenhuma árvore pra contar história.
Demorei a entender que aquilo era um sonho que sonhamos juntas, mas que na verdade ele nunca deixaria de ser um sonho. Minha mãe nunca teria dinheiro pra comprar aquela casa. Não sei por que os adultos fazem algumas promessas que não podem cumprir. 
Eu sei que era um sonho, mas me fazer sonhar um sonho impossível foi uma das minhas primeiras decepções da vida. Lógico que minha mãe nem imagina isso, sequer deve lembrar dessa casa ou dessa promessa, mas eu sim, eu nunca esqueço.
Aquela casa na árvore que nunca existiu foi meu primeiro castelo de areia. E agora, estou vendo e vivendo mais um castelo ruir. Dessa vez, por minha culpa mesmo. É triste, mas é verdade. E isso me lembrou dessa história.
Talvez minha mãe estivesse, inconscientemente, me preparando pras decepções da vida, pros sonhos que temos que deixar de sonhar, não sei. É triste a gente ter que abrir mão de um sonho... mas, faz parte de viver a vida.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

de repente 30

Às vezes gostaria que aparecesse um furacão, igual aquele de Oz, em que eu pudesse me perder e acordar num lugar novo onde tivesse chance de viver mais uma vez. Ou como a própria Dorothy, aprender que realmente não existe mesmo lugar melhor no mundo do que nossa casa. 
Mas, infelizmente não vivemos em contos de fadas. Nem de bruxas. Vivemos a vida real. E ninguém nunca me disse que seria tão complicado. 
Me lembro bem que eu só queria crescer pra poder morar sozinha e ter minha vida. Pois se eu pudesse voltar atrás ou retirar o que eu disse, preferia passar minha vida presa na época da escola, igual aqueles filmes que a pessoa acorda no mesmo dia todo dia. Ao menos eu poderia fazer algumas coisas diferentes só por diversão.
Aquela época era tão mais fácil. Minha única preocupação era não perder a hora, fazer a lição, estudar pra prova e pegar aquele carinha da outra sala. Nem sempre nessa ordem. Passava o resto do dia ao telefone com as mesmas amigas que eu tinha passado toda a manhã juntas.
Falando sobre coisas que podiam esperar até o outro dia, mas eu nunca queria esperar. E se esfriasse, chovesse ou a sessão da tarde fosse muito chata, eu podia simplesmente tirar um cochilo de horas que não ia ter perdido nada.
A janta estaria pronta, a louça seria lavada e eu iria pra cama onde passaria a noite toda ouvindo música no meu diskman. E quando chegasse o fim de semana, eu não teria que me preocupar com a roupa lotando o cesto ou a compra da semana que precisa ser feita. Ou qualquer outra coisa, porque certamente quando eu acordasse tudo já estaria pronto.
E segunda começaria tudo de novo. Até que viriam as férias e eu não precisaria nem acordar cedo mais. E eu tinha tanta pressa.
Como a gente é idiota. Melhor fase da vida e a gente querendo apressar tudo, viver lá na frente. Ah, se a gente soubesse as complicações de ser adulta. Pode ser que esteja com um pouco de síndrome de Peter Pan. Crescer não é legal, não mesmo.
Claro que tem coisas legais, mas nada se compara aos meus treze anos. A gente trabalha pra pagar conta, paga conta pra poder levar a vida, mas não leva a vida que a gente gostaria de ter. A gente tem que ser honesto pra não ser preso, e tem que dar conta do trabalho, da casa, da roupa e da louça suja que tá lá na pia.
Administrar a gasolina pra durar a semana toda, fazer malabarismo com as compras da semana, virar mágica pra brotar dinheiro de onde não tem, ser feliz, estar satisfeita com o peso na balança, ter o cabelo arrumado, a roupa alinhada, a unha feita.
Fazer a janta, agradar o marido, limpar o cocô do cachorro, lembrar de pagar a faxineira, comprar o presente de aniversário de alguém que já é amanhã, comparecer as festas, reuniões de condomínio, votar nesses políticos canalhas, passar na padaria pra pegar um pão.
Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Em alguns dias ser humilhada, desrespeitada e ter que engolir porque os boletos vão continuar chegando. Fazer sexo quando não tiver vontade, porque né, tem que fazer. E fazer quando tiver vontade também porque somos humanas. 
Arrumar um jeito de fazer academia, yoga, corrida, dieta, terapia. Ler um livro, ir ao cinema, sair com os amigos. Manter os amigos. Ter tempo pra todos e pra tudo. Um pouquinho de tempo pra você mesma, quando você conseguir lembrar que você também existe.
Socorro, onde aperto o botão pra parar tudo??? Por que tudo tem que ser tão rápido??? 

terça-feira, 13 de junho de 2017

criativamente

Ando lendo muita coisa, vendo tanta coisa (pra tentar esquecer que não ando vivendo) que meus últimos sonhos (ou pesadelos, não sei) dariam um bom filme ou um bom livro.
Na primeira noite tive um sonho incrível, meio que de terror, não sei ao certo. Só sei que foi uma viagem no tempo em que eu vivia numa casa em que havia acontecido muita coisa ruim como assassinatos e tal. E eu via os espíritos das pessoas e meio que tentava descobrir o que tinha acontecido.
Mas, ao mesmo tempo era uma sensação horrível como se realmente aquilo estivesse acontecendo inclusive. Eu me via no sonho como personagem principal. 
Na noite seguinte era um sonho meio apocalíptico, mas muito interessante, que misturava um pouco da fraca série 3% da Netflix com Jogos Vorazes. Só que dessa vez eu não estava no sonho. Era meio que expectadora.
Eu não tinha assistido nenhum terror, suspense ou ficção. Nem falado, lido ou visto algo parecido que pudesse ter me induzido a esses sonhos tão interessantes. Eram como filmes. Não sei, só sei que me inspiraram de uma maneira incrível pra escrever.
Há tempos tenho vontade de escrever histórias. Comecei uma dezena delas, mas vou me perdendo, não sei pra onde ir ou onde quero chegar e acabo desistindo. Como muitos projetos que já comecei na vida.
Mas, dessa vez foi tão diferente que estou considerando a hipótese de começar a botar essa loucura toda num papel. Vamos ver.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

what if

** atenção, contém spoilers do filme La La Land **

Esse blog tá virando um verdadeiro hub de dicas de filmes e séries, mas essa é minha vida, então ao menos tem me rendido boas reflexões.
La La Land, musical e eu sempre torço o nariz pra musicais porque tenho certa preguiça de histórias cantadas. Mas, confesso que ter o gatíssimo Ryan Gosling no elenco ajudou bem. Bem mesmo. 
Mais um história que poderia ser a minha ou a sua. Escolhas. Sempre elas que nos levam a algum novo lugar, outra direção, Talvez por isso eu sempre pondere demais as decisões que eu tenho que tomar. (ou talvez também porque sou libriana, não sei)
A história é um romance {❤ nós, eternas apaixonadas} entre um músico e uma aspirante a atriz. No fim, a vida toma um outro rumo e os dois acabam escolhendo seguir novos caminhos, separados. E em um determinado momento, em que se encontram lá na frente, com a vida já totalmente diferente, imaginam como seria se tivessem continuado juntos.
Ah, esse eterno "se" que teima em assombrar a gente vez em quando, questionando a decisão que a gente tomou. Eu também costumo acreditar que se não deu certo ou não foi da forma como a gente queria, era porque aconteceu o melhor que poderia acontecer.
Eu me agarro a isso porque né, tem que ser isso. Só pode ser isso. E depois, quando olho pra trás, percebo que realmente estou onde deveria estar. E que aquela escolha me transformou em que eu sou hoje. E eu gosto de quem eu sou (na maioria das vezes).
E isso me fez pensar em teste bobo que vi no facebook outro dia, em que perguntava se pudéssemos escolher entre mudar o passado ou conhecer o futuro, qual seria a nossa escolha. Difícil, não? Eu certamente não gostaria de mudar o meu passado, mas conhecer o futuro tiraria a graça das surpresas que aparecem. O que seria da vida sem os nossos dilemas eternos dos "ses"? Sem graça, com certeza.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

vidas cruzadas

** atenção, contém spoilers do filme Lion **

Lion conta a história de um menino indiano que se perde do irmão e consequentemente da família e vai parar em outro continente, sendo adotado por outra família. Sem perder a conexão jamais com seu passado, ele tenta reencontrar sua família verdadeira.
Esse filme é maravilhoso e é baseado numa história real, que poderia ser muito bem a sua ou a minha. Muitas coisas me chamaram a atenção nessa história toda. Entre elas a generosidade de um casal que optou por não ter filhos porque já havia gente demais no mundo precisando de uma família. Achei muita nobreza de alma, de coração se doar e amar alguém que você nunca viu. Alguém que nasceu lá do outro lado do mundo em que você está.
Alguém que, em nenhuma probabilidade estatística, cruzaria seu caminho e passaria a ser então um filho seu. E diante disso, traçar um novo destino pra essa pessoa. Com outras novas pessoas e outras novas histórias.
Quem será que define quem vai passar pela nossa vida? Que emaranhado de histórias a gente acaba conhecendo ao longo da nossa própria caminhada... É incrível, se você parar um minuto pra pensar sobre isso, a quantidade de mundos que a gente conhece quando conhece alguém.
Que loucura a gente cruzar com alguém tão improvável quanto esse garotinho indiano, nascido numa cidadezinha no meio do nada, praticamente sem a menor chance de sair de lá se não fosse as reviravoltas da vida.
A vida é uma coisa louca. A cada esquina que a gente vira, novas possibilidades, escolhas e caminhos. Eu acho tudo isso maravilhoso demais. Saber reconhecer alguém no meio de tantas que vai fazer parte da tua caminhada e mudar tua vida, é incrível.
Eu sempre acreditei que nada acontece por acaso, assim como ninguém entra na nossa vida por acaso. Tô sempre levando um aprendizado de tudo e de todos com quem eu cruzo por aí. É muito louco pensar nessas possibilidades, nesses cruzamentos de almas e histórias. É muito, muito louco mesmo.
E sim, eu usei o título de outro filme foda pra dar nome a esse post porque é isso que é a vida, um cruzamento louco de histórias e mundos, mas absolutamente nada, nada ao acaso.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

textos perdidos

Às vezes
minhas melhores realidades
acontecem 
quando estou sonhando.