terça-feira, 27 de setembro de 2005

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os dias estão tão tristes e monocromáticos e tristes e sem vida e tristes e cheio de guarda-chuvas cinzas e pretos e tristes e solitários e tristes e chorosos e tristes e frios...

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

suburbanidade

depois de assistir Doutores da Alegria percebi minha insignificância... meu deus! preciso urgente fazer alguma coisa pelos outros, nem que for pra lhe arrancar um simples sorriso... vejo que minhas atitudes não são de alma lavada e nem de cara limpa... o do palhaço sim, por mais que estejam de nariz vermelho
depois vim no metrô - chateada por meu namorado mais uma vez furar comigo - fiquei observando aquela gente agitada, reclamando, resmungando... o tempo frio lá fora... e então comecei a ler a TPM roubada para uma amiga que não pôde ir na aula sexta... o texto estava super interessante... mesmo! entra um molecote e ele me assusta, pois subitamente joga papéis sobre meu colo. quando ameaçado por outro mais velho que tenta vender - não sei bem o quê - no mesmo vagão, o molecote que não tinha nem 1 metro e meio o botou para correr... assim, simplesmente disse: sai daqui agora! e o rapaz bem mais velho e principalmente BEM mais alto, saiu.
depois um gesto dentro do mesmo vagão me deixou cheia de inveja. Uma garota deitada sobre o colo de seu amor e seu amor estava cantando alguma música muito bonita em seu ouvido... taí uma coisa bonita de se ver.
ontem vi a estréia da Madame Lee... muito louca, completamente louca !!! non sense
hoje de manhã ouvi uma mulher no ônibus dizer indignada: melhor do que arrumar as vacas seria se o governo se preocupasse mais com o povo... o povo todo f***** e as vacas sendo arrumadas! - coitadinha das vaquinhas, tão bonitinhas... - e o povo, bom, o povo é outros quinhentos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

ano que vem. quando é?

Ontem parei pra pensar que o ano que vem nunca chega. Isso porque todo ano eu faço promessas e mais promessas de ser uma pessoa melhor, ou pelo menos de tentar ser. Mas nunca consigo. Ou seja, ou não existe ano que vem ou realmente eu consigo me enganar muito bem.
Das coisas que prometi não consegui cumprir nenhuma, nenhumazinha sequer. Isso me entristece. Me entristece porque eu realmente queria ser uma pessoa melhor e eu acho que preciso muito me auto-transformar em algo melhor.
Sou uma mulher escondida num mundo que ainda é cor de rosa, embora eu já tenha espiado pela janela e percebido que o mundo tá bem mais pra cinza do que pra rosa. Por não querer acreditar ou viver nessa realidade, me escondo dentro de mim mesma.
Eu queria viver mais, viajar mais, ler mais livros, ver mais filmes, gostar mais de saladas, beber mais água, caminhar, fazer yôga, sorrir de mim mesma, me desprender de pensamentos egoístas e destrutivos, parar de falar mal dos outros, parar de reparar nos outros, deixar de ser mesquinha, brigar menos, ser mais amiga, ser mais mulher, fazer mais sexo, aprender a cozinhar, faltar menos na facu, dirigir mais, trabalhar, estudar, comer mais peixe, mentir menos, me aproximar mais de minha mãe, de meus amigos, ser mais paciente, ser menos possessiva, discutir menos, me zangar menos, abraçar mais árvores, aprender a tirar foto, escrever roteiros de cinema, curtir a vida, dormir menos ou mais - tanto faz, depende da canseira, ter mais coragem, ser mais resistente, ser mais flexível, parar de fazer careta, ficar de bom humor, perder preconceitos, esquecer más lembranças, mergulhar de cabeça na piscina, pisar na grama com os pés descalços, aprender a fajutar fotos no photoshop, terminar o inglês, terminar o espanhol, viajar pra outro país num balão mágico, conhecer novas praias, nadar com golfinhos, tomar sol, fazer exercícios, andar com meus cachorros, jogar fora coisas velhas, dar as roupas que não gosto, me desprender de coisas que não uso e guardo não sei por quê, esvaziar o coração pra enchê-lo novamente, trocar de travesseiro, sonhar mais, acreditar mais em Deus, rezar.
Eu prometi tudo isso ano passado para o ano que vem. Assim acontece todos os anos e eu nunca faço nada disso. Será que o ano que vem tá mesmo tão longe assim ou depende de mim buscá-lo?

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

why you have to go and make things so complicated?

Gostava quando meus problemas eram um olho da boneca que caía, uma chuva que estragava meu passeio de bicicleta à tarde... ai de mim que agora meus problemas multiplicaram-se por mil e sinto que a cada dia terei mais problemas pela frente.
Caramba! Parece que nunca acaba. É no trabalho que não está lá muito satisfatório, pois ao invés de aprender com alguém capacitado, esse alguém fica no msn com a filha, rindo a tarde inteira. Legal. É na faculdade, com aqueles professores que acham que os alunos vivem para fazer trabalhos unicamente da matéria específica de cada um deles. É em casa, com contas a pagar e problemas de família. É no relacionamento, que parece um mar de torturadoras ondas que parecem sempre prontas pra me derrubar.
Quero gritar chega e ao menos por um dia esquecer que tenho todos esses problemas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

hoje eu acordei assim

Eu queria poder parar o tempo em algum lugar do presente passado agorinha pouco. Queria imensamente que meu despertador tocasse no mudo e eu pudesse dormir com aquela chuvinha gostosa que cai perfeitamente sobre meu telhado. Ainda agora eu sonhava acordada no ônibus, no caminho de volta. Ainda agora eu desejava poder sentir a sensação gostosa do ventinho que subia pela minha escada e fazia um carinho no meu pé. Todo o calor do meu corpo se refrescava nessa hora.
Queria poder ver o sorriso do nascer do dia, mesmo nas manhãs mais tristes... mesmo nas manhãs mais cinzas... queria poder contar com Deus do meu lado. Exclusivamente do meu lado. E aí sim eu me sentiria segura. Embora eu saiba que não estou sozinha nunca. E nem você e nem ninguém.
Queria ter a certeza de que tudo vai dar certo assim como a certeza de que comer bolo de chocolate é delicioso. Eu queria poder ver o futuro e mesmo assim queria viver um pouco do meu passado.
Não seria fantástico se pudéssemos voltar no tempo?