sexta-feira, 31 de março de 2006

tem dia que a noite é fogo

eu me sinto como se um trator tivesse passado em cima de mim por várias, várias e várias vezes.
e meu coração foi passado naquela máquina de triturar carne.
e então minha alma congelou-se, caiu no chão e se quebrou.
hoje me sinto um maracujá podre.
amassada por fora e feia por dentro.

quarta-feira, 29 de março de 2006

sol, cadê você?

Quem poderá dizer que a natureza não opera de maneiras misteriosas? Uma sãopaulo tão feia acordou hoje. Céu nubladérrimo, cinza-preto. Uma chuva fina, uma chuva grossa. Aquela água fria batendo no telhado de casa e me dizendo: acorda, tá na hora de se molhar um pouquinho. A cama, ao contrário, me dizia: não, hoje não dá pra levantar. Um friozinho que me lembra o começo do inverno. Mas calma! Estamos ainda no cinzento outono.
De certo hoje é um dia muito feio. Porém, parece que somente aqui. Na minha janela.
E eu queria muito ter visto esse eclipse de perto.



terça-feira, 28 de março de 2006

my childhood is back

tchau preguiça! tchau sujeira! adeus cheirinho de suor. lava, lava, lava, lava, lava, lava, uma orelha, uma orelha, outra orelha, outra orelha, lava, lava, lava, lava a testa, a bochecha, lava o queixo, lava a coxa e lava até meu pé, meu querido pé que me aguenta o dia inteiro, e o meu nariz, o meu pescoço, meu tórax, o meu bumbum e o fazedor de xixi.
mão, lava a outra, lava uma. mão. lava a outra, lava uma. depois de brincar no chão de areia a tarde inteira, antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira. lava uma. lava outra, lava uma. mão. a doença vai embora junto com a sujeira, verme, bactéria, mando embora embaixo da torneira. água outra, água uma. mão. água outra, água uma. na segunda, terça, quarta, quinta e sexta feira. Na beira da pia, tanque, bica, bacia, banheira. lava uma mão. lava a outra, lava uma.


terça-feira, 21 de março de 2006

de tudo um pouco e aí, você

Todo dia morro um pouco de dor de cabeça no fim da tarde - esse ar condicionado ainda me mata. Por enquanto tudo aqui vai bem. Por dentro, por fora, pelos lados. Até que não posso reclamar, realmente. Surgiu uma chance que preciso agarrar muito com unhas e dentes.
Passo esse frio todo e os floquinhos de neve vão caindo sobre meu computador. Lá fora o sol a pino me lembra que eu poderia estar com os dedos dos pés na beira da piscina - se eu tivesse nascido com a bunda pra lua, óbvio. Mas pra me lembrar do óbvio, os floquinhos continuam caindo, cada vez mais brancos e cada vez mais gélidos.
Em casa não aguento mais ter que discutir com a minha mãe por coisas e pessoas tão pequenas. Sei que preciso trabalhar a tolerância melhor em mim. Mas ainda não consigo. Tenho o gênio ruim, eu sei.
Meu avô cada vez pior. Hoje pedi pra deusdocéu não judiar muito do velhinho. É muito triste vê-lo passar por tudo isso. E eu nem sei como aliviar a dor.
E então eu me pego pensando na disposição dos seus pêlos crescendo em seu braço. E me lembro da luz que seu sorriso carrega e do bem que você me faz. Com isso e só com isso eu consigo dormir em paz.

segunda-feira, 20 de março de 2006

meu céu

Tudo estava bastante perfeito para um dia especial. O céu estava num colorido só, um azul meio alaranjado, que às vezes ficava rosado, às vezes avermelhado e às vezes cinza. O cavalo era lindo, sua pata firme, seu porte bravo, sua crina cheia de tranças. Meu amor chorava de emoção. Sua irmãzinha estava se casando. E sim, eu senti um pouco de inveja. Não inveja no sentido maldoso ou inveja de querer fazer mal. Longe de mim. Uma invejazinha de poder dizer um "sim" diante de todos. De selar um amor que há tempos mora dentro de mim.
O céu foi ficando cada vez mais azul, um azul bem anil. E a lua apareceu iluminando tudo. As estrelas estavam sorrindo também. Existia certa magia no ar, uma magia que contagiava, uma alegria incansável, corações apertadinhos. Nada será como antes agora. Tudo muda.
Hoje percebi que preciso ser mais tolerante. E o céu já não estava mais tão colorido. Ele era bicolor. Azul e branco. Claro, calmo. Calmo como eu deveria ter sido. Como eu deveria ser. Ai que invejazinha. Não sou eu quem vai passar as noites azuis, negras ou avermelhadas do fim do verão dividindo a mesma cama com o meu amor.
Ainda não é a minha vez. Ainda. Ainda não. Ainda bem. Ainda...
Quero um céu de estrelas e uma lua de paciência que me ensine a ser mais cheia de amor. Quero este amor, pra sempre. Quero você.

sexta-feira, 3 de março de 2006

como tem gente estranha no mundo...

bom, eu já sabia que passaria por uma nova prova de nervos. Não sei por que, mas queria muito saber qual a natureza de pessoas estranhas... pessoas que te medem, pessoas que não te falam bom dia, que não sabem dizer: oi, como vai? você está sozinha? tem companhia pro almoço? conhece por aqui? como tem passado???
pessoas que poderiam dizer por favor ou obrigada ou desculpe ou quer ajuda, pessoas que passam por você como se você não fosse nada. E não adianta carregar um sorriso amarelo na cara porque no máximo você vai ter de volta um sorriso meio roxo, meio cor de estragado. Pior que isso só a falsidade.
então não sei... só sei que às vezes me sinto um mosquito na colméia... como é difícil a gente se adaptar, não?

a vida que pedi a Deus, a Mocidade me proporcionou, são 50 anos de história, uma linda trajetória, lembranças que o tempo não levou

A Sapucaí é algo incrível e um Carnaval nunca teve um significado tão importante como esse. Desfilei no mais cobiçado carnaval do mundo, sambei muito (e olha que eu nem sou do samba). Mas pude também assistir de camarote um nascimento e uma morte. Eu não me lembro muito bem do real significado do carnaval, mas como disse, esse foi especial.
Morte e vida realmente são coisas que acontecem todos os dias e coisas pelas quais todos passaremos. O importante é que selei um encontro. N´outra vida ou n´outra dimensão, ainda nos encontraremos em muitos outros carnavais. Prometemos. Está selado. Afinal, ninguém cruza nossa vida por acaso.
Então, entra no clima: sou a onda que te leva nessa folia...