quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

ano novo, casa nova


Pro ano que vem, tudo novo. Troca-se de casa, troca-se de bairro, troca-se os móveis, o travesseiro, o endereço, o telefone. Ontem estava arrumando as coisas que não vão embora comigo. Separei roupas e sapatos que não uso mais ou que já não me servem. Ainda faltam as bolsas, mas uma coisa de cada vez. Separei todas as tralhas de faculdade que eu também não quero. Joguei tudo no lixo. Aliviada. Olhando meus trabalhos do primeiro ano, me senti realizada. Melhorei muito até então, constatei. Separei fotos antigas e cartas de amor. Foram pro lixo. Na minha casa nova eu não quero nada do passado que eu não use mais. As lembranças sim, todas elas irão comigo. Aqui dentro do peito. Só senti uma vez na vida um aperto assim quando mudei de casa. Na verdade, não foi nem por causa da mudança e sim por causa da venda da casa. Da casa onde eu cresci, onde vivi os melhores momentos da infância e todas as angústias da adolescência. Olhava pras paredes do meu quarto, testemunhas de tudo o que eu já sorri e chorei ali dentro. Olhava pro quintal enorme e vazio, onde haviam churrascos e piscinas em dias ensolarados. Olhava pra alguns cantos da casa e lembrava alguém. É difícil deixar certas coisas pra trás. Hoje, passo em frente à casa e o que vejo é algo novo e desconhecido no lugar, nada mais me lembra a casa que foi minha um dia. Hoje eu me mudo de uma casa alugada e vou para uma casa minha. Minha e de minha mãe. De verdade. De papel passado. Mas não tem como não levar lembranças dessa casa que não é minha. Joguei fora algumas coisas, sim. Mas não há como esquecer do meu avô abrindo a geladeira no meio da noite ou colocando a cachorra pra dormir com ele, escondido. Ou das pessoas chegando e gritando, já que não tinha campainha. Ou do sol que batia na minha cama sábado de manhã. Sempre fica alguma coisa... e isso não tem como descartar. Ainda bem que a vida não é só papel e pano. Bora lá pra casa nova. 2007 tenho endereço novo!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

há que se cultivar aquilo que se quer bem













Viver uma vida a dois é como brincar de amarelinha. O céu e o inferno moram perto e você tem que tomar muito cuidado para não estacionar o pezinho na casa errada e voltar ao começo do jogo. Afinal de contas, como é que se faz para manter o mistério quando a gente dorme e acorda na mesma cama? O “até que a morte nos separe” não é exatamente um caminho sem sustos e desgostos. Somos e seremos um pro outro esta matéria impenetrável, constante motivo de assombro, de dor e de alegria.
Uma união estável requer uma boa cota de intimidade, mas é preciso ler a bula antes... intimidade demais, aquela intimidade invasiva e triste, nossa! - tem uma lista de contra-indicações para amores de todas as faixas etárias.
O tempo é uma montanha – pode impedir que a gente siga em frente, por ser íngreme demais, pedregosa demais, ou pode nos levar até o céu.
O sucesso da jornada vem de saber seguir por esse caminho sem pisar no pé do outro. Escalar a dois a montanha, todos os dias, é um trabalhinho lindo, mas complicado. Dividir casa, comida e roupa lavada, dividir amor, décimo terceiro, sonhos, garagem e banheiro, dividir gavetas, dividir medos. E as vontades também. Você vai primeiro, eu vou depois. Dividir silêncios, guardar pequenos segredos. E pensamentos. Ai, como é importante aceitar o mistério alheio e seus reveses...
A nossa rosa pode morrer de sede e quem sabe, tolos, nem notaremos. Como o planeta é nosso, como a rosa foi plantada por dois, ai, é preciso falar sobre os dois exaustivamente. É preciso prevê-los, reformá-los, colori-los e organizá-los duas vezes por semana. Como é que vai haver mistério neste outro que vive ao toque da minha mão?
Como vai haver encanto em cuidar desta mesma rosa? Em habitar este planetinha pra sempre, esta montanha, esta casa, este contrato de casamento? O caso é que decifrar o nosso amor não é devorá-lo.
Guarde um pouco de si. Como um chef que guarda a sua receita num cofre, guarde também um pouco de si. Não há egoísmo nisso. Guardar é preservar. Não há poesia que resista ao outro usando fio dental na nossa frente. Essa máquina que é o corpo humano guarda lá suas pequenas miseriazinhas, e é para isso que existem as portas e as chaves. A mente humana também merece os mesmos segredos. Amar não é dizer tudo, tudinho, mas sim viver neste jogo de erros e acertos, colocando cartas na mesa e escondendo outras.
Com o tempo caem os mistérios. Com mais tempo ainda caem outras coisas. Não adianta. Seguir  com alguém não é viver esse alguém, e sim descobri-lo, inventá-lo, saboreá-lo. Não há tempo para um verdadeiro amor, mas há sim um talento para cuidar desse amor com o passar do tempo.
O importante é ir descobrindo aos poucos. Com muito jeito e um pouco de sorte, tira-se dos baobás a sua sombra e a sua poesia e seguem os planetas, inteiros, no seu curso inexplicável.
Por Letícia Wierzchowski


terça-feira, 26 de dezembro de 2006

merry christmas


Em casa nunca teve chaminé. As janelas sempre tiveram grades ou eram pequenas demais. Eu sempre quis entender por onde o bom velhinho entrava em casa no dia de natal. Sempre achei absurda a idéia de que ele tocava a campainha ou que precisava de licença pra poder entrar. Achava absurdo também que ele aparecesse na esquina ou no portão de casa como passe de mágica, eu sempre ficava me perguntando onde estariam as renas de nariz vermelho e seu belo trenó. Achava loucura também que um cara pudesse viajar o mundo numa mesma noite perdendo tanto tempo em cada casa. Loucura também que uns fossem mais magros, outros mais novos, outros de olhos escuros. E aos poucos eu desacreditei que esse cara existisse. Por muito tempo todas as cartas que eu escrevi nunca foram atendidas. Até que um dia eu parei de escrever. Parei até de acreditar na magia natalina. O natal é mais ou menos como todos os outros feriados que existem, é puro comércio. Infelizmente ninguém nem se lembra do que comemoramos de verdade no natal. As pessoas se preocupam muito mais com o que se come, com o que se bebe e com o que se ganha do que com quem repartimos a comida ou em quem damos o primeiro abraço. Claro que natal significa alguma coisa pra mim e claro que eu também gosto dessa data. Por todos os motivos fúteis que eu já citei, inclusive. Mas também porque é quando abraço meus amigos e sinto que, ano vai e ano vem, consigo manter mais uma amizade importante. Porque posso ver um sorriso no rosto da minha mãe por causa de um simples presente. Porque posso sentir o cheiro do tempero que me lembra os dias em que eu ainda acreditava. Porque posso desembrulhar os presentes com o mesmo brilho nos olhos. Porque posso, mesmo que por um instante, acreditar que aquele velhinho passou por ali e ouviu meu pedido. Porque é natal e nessa época a gente fica meio sentimental demais. Acreditando na bondade das pessoas e em um mundo melhor. Utopia ou não, com magia ou sem, natal é sempre natal. E sempre bom.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

retrospectiva


Vai chegando o fim do ano e, apesar de eu já ter repetido mil vezes, este ano foi grandioso demais pra mim. Cheio de conquistas e realizações, conforme eu pedi no fim de 2005. E com o fim do ano bate aquela saudade de tudo o que ficou pra trás, de cada minutinho de alegria ou de satisfação comigo mesma. Parei pra pensar e vi que este ano foi tudo de bom por vários motivos. Mas também vale lembrar daquilo que nem foi tão bom, mas que aconteceu e marcou de certa forma. Este ano eu comecei com o pé direito e, como já dito também, saí da 50ª e fui para a 1ª agência de propaganda do Brasil. Teoricamente é muito melhor que na prática, mas tudo bem, de qualquer forma é um grande salto e também uma grande conquista. Depois disso conquistei um ótimo cliente pro meu TCC, a TV Rá Tim Bum e essa escolha fez toda a diferença pro resto do ano ter dado tão certo. Com um cliente tão bacana e apaixonante fizemos um dos 3 melhores trabalhos de conclusão da faculdade e fortaleci meus laços de amizade com o trio Nath, Celso e Guto. Companheiros de todas as horas e de todas as desgraças que acompanham um tcc. Até que o nosso teve pouco, foi abençoado por fim. Terminei meu namoro de 6 anos com uma pessoa maravilhosa, mas que não dava certo. Éramos por demais diferente um do outro e não conseguíamos conviver com tanta diferença. Reencontrei uma paixão antiga com a qual pude viver alguns momentos de alegria e que graças a ele, muita coisa na minha vida mudou e por isso (ainda mais por isso) ele será pra sempre inesquecível pra mim. Reencontrei a galera do colégio, e acreditem, me senti como no primeiro dia de aula. Eufórica e afoita pra saber as novidades. Foi muito bom reencontrar toda aquela galera que eu não via há quase 10 anos. Também me reaproximei da Aline, minha melhor amiga desde sempre e que mesmo com a distância percebemos que a nossa amizade nunca mudou. Juntei a Janaína e o Vitorino (eu sou ótima cupido) e agora eles vivem no maior conto de fadas. Minha mãe comprou um apartamento e eu estou extremamente feliz por mim e especialmente por ela. Reencontrei um cara que vem me fazendo feliz todos os dias e com quem venho descobrindo que o amor pode existir e que as coisas podem dar certo. Fui pra praia com a Yuri e me diverti pra caramba. Viajei e fui à todas as festas e baladas da agência. Fui a todos os shows que eu queria (exceto U2, mas deixa pra lá). Engordei 5 kg (tá, deixa pra lá isso também). Terminei a faculdade com chave de ouro. Conheci pessoas maravilhosas na Young e que vou levar pra sempre. É, tenho um saldo bastante positivo de 2006. E tudo o que eu mais quero nessa vida é que 2007 possa ser, ao menos, a metade de tudo o que foi viver esses últimos 354 dias. I hope so.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

e então é Natal



Acho que por ter sido uma boa garota, colhi bons frutos o ano inteiro. Papai-Noel deixou os presentes espalhados e eu ainda estou desembrulhando os pacotes. Este ano eu só tenho a agradecer. As coisas começaram a dar certo e às vezes chega a dar medo. Mas acho que um pouco acaba sendo por merecimento. Pelo meu bom comportamento. Se eu pudesse resumir em uma palavra como foi meu ano, eu resumiria em alegria. Uma retrospectiva de tudo me mostra que em 2006 eu fui muito, muito feliz. Coisa que geralmente acontece em anos pares, mas que eu queria muito que se repetisse em anos ímpares, em especial no ano que vem. No começo do ano eu troquei de agência, conheci pessoas maravihosas. A vida me trouxe pessoas especiais de volta, fiz novas amigas e me aproximei das antigas. Reencontrei uma pessoa maravilhosa, com quem estou vivendo um conto de fadas e que está me fazendo muito feliz. Mamis comprou seu merecido apartamento e agora temos uma casinha nossa. Terminei a faculdade com mérito e pude constatar que tenho amigos ali pro resto da vida. E agora é natal de novo. E tudo fica mais iluminado, o clima fica mais alegre e as pessoas se sentem mais felizes. É tempo de fazer novos pedidos ao velho Noel. Mas hoje eu só tenho a agradecer. Claro que vou pendurar minhas meias, presente é sempre bem vindo. Mas estou de bem com o bom velhinho. Ele me deu muitos bons presentes. Muitos mesmo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

festa de fim de ano da Y&R


tá bom vai... essa festa promete! o melhor é o final... ser publicitário é compensador, ganhamos pouco, trabalhamos feito burro de carga, mas a diversão é garantida...
http://www.youtube.com/watch?v=5sXk0l2RRZE

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

fim de semana


Fim de semana sempre cheio. O Rappa completou a lista de shows que eu queria ter ido este ano e foi muito bom. Adoro. Sábado, compras com mamis pela manhã, à tarde churras com o pessoal da facu. À noite, pizza com o amor. Aliás, este amor que é companhia até para fazer nada, ficar à toa na cama, rindo dos nossos próprios pés, sem ter o que fazer ou com o que se preocupar. Almoço em família e afazeres de casa, tudo isso acompanhada de quem me quer bem. Presente por mais 90 dias juntos e comemorações singelas, porém não menos importantes. A vida é mesmo bela e os dias estão mais bonitos. Fim de semana agora é assim. Sempre cheio de queridos ou sempre cheios de nada pra fazer, mas sempre, sempre em boa companhia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

inimigo secreto


Sexta almoço com inimigas-mais-que-amigas no Milk & Mellow. Sorteio do inimigo secreto. Muito engraçado. Estávamos em 5 e éramos 6. O garçom participou pra certificar que a Grazi não ia se tirar, já que ela não foi. As meninas são muito divertidas. Quero só ver como vai ser essa entrega dos presentes. Como mulher é um bicho engraçado. A gente falou tanta besteira, tanta coisa fútil, mas como é divertido poder ter essas companhias tão especiais. Pra mim foi um prazer trabalhar com cada uma delas; Grazi que foi pra Fischer, Lud que foi pra Rapp, Mari que tá na Hershey´s... ai ai que saudade... e pra completar Sté e Nati. Que demais!! Foi muito bom e logo mais tem mais, na entrega do inimigo. Fantástico. Como é bom cultivar amigas assim. ADORO!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

saudade é uma coisa à toa


Ontem fomos jantar num rodízio japonês. Celso, Guto, Nath e eu. Comemoração do nosso TCC. Conseguimos 9,66, uma das 3 melhores notas da faculdade. Orgulho lá em cima. Uns de nós esperavam mais, eu achei que foi até justo e razoável. Estava tudo maravilhoso e pudemos falar dos nossos planos para o futuro a curto prazo. É muito estranho pensar que ano que vem estamos livres pra fazer o que quisermos. Não temos mais nenhuma responsabilidade qualquer, embora agora sejamos “gente grande”. Na verdade, eu não fiz nenhum plano especial. A Nath já até planejou seu casamento para 2012… ano que vem, Europa. Celso e Guto vão fazer GV. Eu ainda não decidi nada. Queria descansar mesmo. Ficar de boa. Afinal, saio super tarde da agência, não seria nada mau tentar dormir ao menos 6 horas por dia. Lembramos do primeiro ano, das aulas chatas, dos professores legais. Falamos mal de algumas pessoas, rimos das palhaçadas do Andrei, Raphy. Falamos sobre esses quatro anos, esses anos incríveis que não voltam mais. É muito estranho pensar que acabou quando ontem mesmo eu estava comemorando meu nome na lista dos aprovados. É complicado falar sobre esse sentimento da saudade. É inexplicável. Vou sentir falta de tudo um pouco, como tenho dito ultimamente. A faculdade não é como o colégio, a sensação não é a mesma. Mas a saudade sim. A saudade é um bicho complicado, que pega a gente meio que sem jeito e pode até nos fazer chorar. A saudade vai ser grande, eu sei. O colégio e a faculdade têm uma coisa em comum: a amizade. Sem os verdadeiros amigos não seria possível enfrentar todas as dificuldades, não seria fácil aguentar as aulas cansativas, não teria companhia no metrô, não seria divertido descobrir lugares baratos para comer na Paulista, não teria ânimo para as aulas de sábado. Sem os amigos, muitas provas poderiam ter sido piores, sem os amigos, realmente seria impossível. E então me vem à cabeça uma música que muita gente da minha geração conhece e que traduz todo esse sentimento saudosista e melancólico a cerca de tudo que termina e a respeito dos amigos; what would you think if I sang out of tune, would you stand up and walk out on me? Lend me your ears and I´ll sing you a song and I´ll try not to sing out of key. I´ll get by with a little help from my friends, I´ll get high with a little help from my friends, I´ll get by with a little help from my friends
Amigo é tudo nessa vida e é ele que faz a vida valer a pena. São os amigos que transformam os anos comuns em  anos incríveis, realmente, inesquecíveis.

* trecho de With a little help from my friends, do seriado Anos Incríveis