quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

...uni duni tê...


A vida é mais do que escolher entre um sorvete colorê ou uma bicicleta. Em 2005 eu estava à toa. Procurando um novo emprego na área que eu pretendia seguir. Comecei a fazer uns bicos aqui, outros acolá. E nessas andanças, acabei virando freela de pesquisa na Giacometti. Era um trabalho não muito legal. Eu entrevistava as pessoas nas ruas e elas não são muito simpáticas, não. Mas, quando não se tem nada, qualquer coisa já é algo. Eu gostava do ambiente novo e do Godá. E de andar pela Augusta e almoçar na Galeria dos Pães. Fiz umas entrevistas em algumas outras agências e aí resolveram me contratar na Giacometti. No mesmo dia, me ligaram da Full Jazz me pedindo pra começar na outra semana. E aí? É difícil escolher assim, de uma hora pra outra. Já tinha dado o ok na outra empresa e agora tinha que ir pra outro lugar, já que era pra um cargo que eu queria. Essas coisas deviam ser proibidas de acontecer ao mesmo tempo. Mas, conversei com as pessoas, ajeitei tudo e comecei na Full Jazz em março. Adorei lá. Aprendi muito, adorava a rotina, os clientes, todo o glamour da propaganda, fiz amigas de verdade – e as conservo até hoje. Mas um dia, surgiu a oportunidade de ir para a Y&R. A maior agência do país. Refleti muito, seria um passo muito grande. Aceitei o desafio. E em fevereiro do ano passado, lá estava eu. Sinceramente, preferia a Full. Nada foi tão maravilhoso quanto eu imaginava. Fato é que tem ótimas pessoas lá – graças a Deus. Mas fato também que tem muita gente do mal - infelizmente. Essa semana recebi uma nova proposta. Muito boa, puta oportunidade legal em termos de grana e profissional. Aceitei. E por isso tenho vivido os dias mais infernais da minha vida. Tensa, com dores pelo corpo, aguentando as pessoas dizendo que fui traíra, que vou me arrepender da escolha. Um horror. Tenho um chefe que é um lobo na pele do cordeiro, sem nenhuma postura de diretor ou líder de equipe. E foi dele, justamente, que vieram as palavras mais duras. Estou muito triste por esses dias. E cheguei mesmo a considerar a hipótese de não sair de lá. Pesei muito os prós e os contras. Mas nada na vida é muito fácil, não. Estou sendo martirizada, o clima está péssimo. Ando borocochô. Mas acredito que isso vai me fazer mais forte e melhor. Ainda bem que não estou sozinha nesse barco. E segunda, vida nova e bola pra frente!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

great expectations


O fim de semana foi um pouco tenso. Ai meudeusinho... que saudade dos domingos de garoa na cuca e nhoque com Silvio Santos. De repente acontece umas coisas que mudam todos os planos. Na verdade, mudam as expectativas. Eu fiz um planejamento de vida até o final de 2008. É um planejamento cheio de “se”, é verdade. Mas do nada, a vida vira um reboliço. Basta um comentário, uma especulação... e novos sonhos e metas começam a surgir. Engraçado como a cabeça da gente voa, não?
Nunca gostei muito de planejar o futuro e logo na primeira vez que resolvo fazer, tudo vira de cabeça pra baixo. Estou na expectativa de uma coisa boa. De um telefone que toca ou de um aceno qualquer. Já estou cheia de novas esperanças e novos planos para uma vida nova. Ai como eu não queria me desfazer desses novos planos...
Então agora é esperar.  


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

carnaval, carnaval... eu fico triste quando chega o carnaval



O carnaval nunca me apeteceu. Somente a idéia de passar 5 dias sem fazer nada. Ou se preferirem, sem olhar pra cara do meu chefe. Isso, pra mim, já é carnaval. Este ano o carnaval teve gosto de saudade. Saudade da Sapucaí do ano passado e de toda aquela emoção da avenida. Saudade de ver a apuração com minha avó na quarta-feira de cinzas. Saudade de alguns carnavais ao lado de amigos queridos. Saudade. Mas foram ótimos dias aqui em Sampa. Dias de descanso. Dias de não fazer nada. Dias de planejar – uma vez mais – o futuro. Fomos ao teatro, recomendo a quem puder ver Querido Mundo, de Miguel Falabella, ótima peça. De resto, foi futebol, baralho e muito amor. A melhor companhia para tudo e para nada. Muitos filmes no dvd, Chaves – saudade mais uma vez!, sofá e cama.
O carnaval foi bom assim, sim! E os planos pro futuro, cada vez mais definidos. Mas isso é confete para outro post. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

amigo é coisa pra se guardar


Já disseram que os amigos são como os irmãos que não tivemos. E que esses, podemos escolher a dedo. Na verdade, muitos, aparecem sem que possamos ou tenhamos a chance de os escolher. Os amigos, realmente, são presentes divinos. Existe sempre um tipo de amigo pra cada um daqueles que você tem. Tem aquele amigo que você precisa falar todo o dia nem que seja pra dizer oi. Tem aquele que está na mesma sintonia que você, basta você pensar nele que ele vai te achar. Tem também aquele que você confia seus segredos mais íntimos e outros que são a companhia perfeita pra beber. Outros que você não precisa dizer nada, são eles que sempre tem algo a te dizer. Tem aqueles amigos que você vê só de vez em quando, mas faz a maior festa quando os encontra. Tem o amigo que é pau pra toda obra e te acompanha num cineminha ou num velório. Tem aquele que é específico pra determinada coisa: seja um desfile de moda ou um jogo de futebol. Tem o amigo que você pode passar décadas sem ver e falar, mas quando se reencontrarem será tudo exatamente como antes. Tem o amigo que você não esquece nenhum dia, tem aquele que você não suporta, mas não vive sem. Tem os amigos do colégio, os amigos da faculdade, os amigos bons de boca, outros bom de papo. Tem até o amigo virtual, bem comum hoje em dia. O amigo perfeito pro silêncio, o amigo perfeito pra boas risadas, de fazer a barriga doer, o amigo bom pra viajar, o amigo bom pra te defender. O amigo pidão, o amigo chiclete, o amigo que mora longe, o amigo que mora perto. O amigo que pode te ligar e te atender a qualquer hora, o amigo furão, o amigo arroz de festa. Amigos... todos eles cabem dentro do meu coração e cada um tem um pedacinho dele. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

i don´t wanna grow up



Ontem eu passei em frente a um colégio e olhando as meninas com seus fichários, cabisbaixas, lembrei de como a adolescência é a melhor e a pior  fase das nossas vidas. Me lembrei das preocupações daquela época; cabelo, espinhas, tênis de marca, mochila do momento, ser a melhor da turma, ser popular, conquistar aquele menino, ir bem nas provas, passar nos testes. Era só isso e era tudo isso. Do céu ao inferno em um segundo. Eu tenho muita saudade daquilo tudo. Dos olhares encontrados entre um intervalo e outro, das aulas cabuladas, dos textos sonolentos, do friozinho de manhã, da expectativa do day camping, da ansiedade de todo começo de ano, das fofocas com as amigas, dos meninos na educação física, das brincadeiras em sala de aula. Quando eu estava na escolinha queria ser professora e bailarina. No colégio queria ser egiptóloga, mas cheguei à conclusão de que essa profissão não me daria nada no Brasil. Depois queria ser professora, mas cheguei ao mesmo pensamento. Depois jornalista e assim mudar o mundo ao meu redor. Hoje sou publicitária e não faço grandes mudanças. Hoje, algumas das preocupações ainda existem, mas existem muitas outras mais. Eu queria sumir e às vezes queria aparecer. Hoje meus medos não se resumem ao bailinho do fim de semana ou andar com a roupa da modinha. Não que eu não ache isso tudo preocupante, quando eu tinha lá meus 17, isso podia ser motivo de morte até. Uma  espinha indesejada, uns quilinhos a mais, um cabelo menos brilhoso do que de outra menina podia mesmo me levar à loucura. A adolescência tem dessas coisas e não me cabe, jamais, diminuir o valor de cada preocupação dessas. Mas hoje tenho tantos medos. Tenho quase 25 e ainda me sinto perdida na vida. Não fiz muitas conquistas, tenho medo do futuro, constituir família então, me apavora. Outro dia meu namorado propôs morarmos em outro estado ou até mesmo em outro país. Morro de medo. Casar, cuidar da casa, do marido, educar os filhos, ter um bom emprego, criar cachorros, pagar todas as contas, fazer cursos – meudeus! É muita coisa... a vida é incrível, mas ao mesmo tempo me aterroriza. Um turbilhão de pensamentos me invadiu hoje quando vi as fotos de uma amiga que está na Austrália, que largou a faculdade e foi surfar. Está lá agora. Toda sorridente e bronzeada nas fotos. Gravidíssima também. Feliz, feliz. Eu pensava que era loucura, mas penso às vezes que ela está certa. E por enquanto eu fico aqui. Sem saber o próximo passo. Crescer não é fácil não.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007


Hi.po.cri.si.a (subst). Ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando representar ou fingir.

Estava eu pensando outro dia sobre o andar da carruagem ou sobre, como preferirem, a vida que vai nos levando. Notei que do colégio até agora, a vida passou num piscar de olhos. Desde pequena nunca fui favorável ao puxasaquismo, nunca participei dos elogios eloquentes que não eram verdadeiros. Nunca sorri sem vontade e nunca fingi ser simpática. Sou o que sou, gostem de mim ou não. Crescendo, observei que tudo é uma questão de politicagem. Se consegue mais facilmente o que se almeja quando sabemos ser políticos. Mas como tudo na política me repudia, não consegui também aprender essa fina arte. Às vezes penso que hipocrisia poderia ser sinônimo de falsidade, pois essas duas coisinhas parecem estar sempre de mãos dadas. A vida não é cheia de nuvens de algodão doce e nem todos os dias amanhecem floridos. Infelizmente, para algumas pessoas, ter seu ego enaltecido pelos puxa-sacos é algo fundamental. Também acho que nessa selva em que vivemos, os mais fortes (ou mais hipócritas) acabam sempre chegando mais longe e mais rápido. Verdade seja dita, uns caem mais depressa também e às vezes o tombo ensina. Às vezes, não. Não sei. Acho que pra todo mundo, um dia, a máscara cai. Não é possível sustentar por um longo prazo um ser que não existe realmente. Acho que uma hora os hipócritas se cansam, desistem, se perdem. Eu não sei. Minha mãe diz que a politicagem ajuda e que assim sendo, não preciso me tornar puxa-saco ou hipócrita. Mas pra mim, tudo isso está muito intrínseco. Eu sei que ela diz isso pro meu bem. Afinal, ser político não custa nada e o lucro é rentável. Duradouro eu não sei se é. Mas que o lucro é certo, isso é. Enfim, pelo sim ou pelo não, eu prefiro continuar não sendo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

o amor reside nas pequenas coisas


A noite prometia. Enquanto tomava banho, ele preparava, sorrateiramente, uma das maiores surpresas da minha vida. Eu até podia imaginar, já que ouvia o barulho e sentia o cheiro de uma boa comida sendo preparada. Depois de um tempo, ele me desceu pelas escadas com os olhos fechados. Me levou até à sala de jantar, onde havia colocado a mesa perfeitamente pra duas pessoas. Duas taças, um bom vinho. Velas eram as únicas luzes que iluminavam a nossa ceia. Ele me sentou e me pediu que esperasse. Como um mairtre, trouxe os pratos que havia preparado. Uma graça de olhar. Um belíssimo risoto de queijo e uma carne de acompanhamento. O prato estava todo produzido e não deixava a desejar a nenhum Fasano da vida. Ele ligou o som. U2. E nada poderia ser mais perfeito. O sabor estava estupendo e ele me prometeu que todos os dias seriam assim. Eu ria, como tonta. Envergonhada por não me achar tão merecedora, mas muito feliz por dentro. Tão feliz, que mal cabia em mim tanta felicidade e ria feito criança que ganha pirulitos coloridos. Terminado o jantar e quase a garrafa toda de vinho, ele me trouxe a sobremesa. Petit gateau com sorvete de creme, desenhado com cobertura de chocolate. Incrível como ele tem o dom de conhecer os meus gostos e de saber cada detalhe. Cada coisinha miúda que me faz sorrir como louca. Esse é o tipo de coisa que não esquecemos com facilidade. No dia seguinte ao jantar, espalhei essa notícia aos quatro ventos. Tava boba, boba. Eu não tenho um namorado, eu tenho um príncipe. Acho que dá pra terminar esse post com “e eles foram felizes para sempre”, não acham?