segunda-feira, 30 de maio de 2011

casa que sara


Quando eu era pequena e me machucava, minha avó dizia não esquenta não que quando casar sara. E eu sempre ficava imaginando quando esse dia chegaria pra poder curar todas as minhas mazelas.
Pois bem, casei e algumas cicatrizes continuaram intactas, outras nem tanto. Casar não resolve todos os problemas. Aí fiquei pensando, a partir de então, quando me machucar ou quando me machucarem não terá mais cura?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

cosas que cambian


Como sabem, estou passando por um momento de entrevistas pra ver se consigo mudar de emprego. Pois bem, fazer entrevista não é das melhores coisas do mundo. A gente se sente meio que explorada.
É como se a pessoa tentasse, naqueles breves minutos, conhecer sua vida e te examina com olhos clínicos que na verdade, de nada adianta.
Porque imagem não é tudo não. E a gente pode se enganar sim, porém, a entrevista não é um método totalmente seguro, mas é o que temos né?
Bom, aí que aqui na agência estou entrevistando pessoas pra vaga da coordenadora do grupo, que está de saída. E me peguei pensando nisso, no quanto também é difícil e chato estar do outro lado. Avaliando, tentando pegar algum flagra da pessoa.
Fazendo perguntas idiotas do tipo, o que você quer da vida? Porque numa dessas entrevistas em que a entrevistada era eu, ousei ser sincera e disse que tinha dias que achava a profissão uma merda, mas que tinha dias que eu amava o que eu  fazia. Mas que não tinha certeza se era isso que eu queria fazer pro resto da vida.
Não sei se foi a honestidade que me tirou a vaga e se foi, dane-se. Mas, é complicado né? A gente nunca sabe como agir nessas horas. Se mente, se fala a verdade, se finge ser quem não é...
Eu cheguei até aqui sempre falando a verdade e sendo quem eu sou e posso dizer que não me arrependo de nada não.
Mas aí eu também pensei que o poder de mudança em nossas vidas também pode estar na mão de outra pessoa. Porque veja só, minha coordenadora vai sair daqui porque alguém também saiu de outro lugar.
E talvez vou escolher uma pessoa que mora em Recife, e essa pessoa vai mudar completamente de vida, de estado, de tudo. O futuro dela, querendo ou não, está nas minhas mãos, assim como o meu também está na de alguém nesse momento.
E outro dia, sem pensar muito, matei uma formiga que passava sobre minha mesa. E depois fiquei pensando porque fiz aquilo. Acabei com a vida de “alguém”, matei seus sonhos, enfim, mudei tudo.
Estranho como certas coisas podem mudar tudo de repente, não?

terça-feira, 24 de maio de 2011

oxalá


1
- olha, adorei você, certamente vamos te ligar logo mais, mas com quase certeza vai ser você viu...
- obrigada, então te aguardo.
Tô aguardando até hoje.

2
- nossa, adorei você, meu diretor vai te ligar com certeza pra te conhecer porque é ele quem escolhe tá?
- nossa, ótimo, vou aguardar então.

Dias depois

- oi tudo bem? Só queria saber quando eu vou conhecer seu diretor?
- ah então, não te falaram? A vaga foi preenchida...

3
- oi, tudo bem? Tô com seu currículo aqui, é muito bom, gostei muito, quando você pode vir aqui pra gente se conhecer?
- posso ir amanhã, sem problemas.
- ótimo, então até amanhã.

Amanhã

- Ju? Oi, então, vou ter que desmarcar nossa entrevista porque vou ter que viajar tá?

Bom, diante desse cenário, acredito que o melhor a fazer é me benzer, fazer alguma mandinga, acender uma vela, tomar banho de mar, fazer uma oferenda e entregar na mão de deus.
Né?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

pudim


Lá estava eu procurando por inspirações no Google, digitei “deixar ir” e apareceu esse texto de alguém que adoro e admiro muito, que vem mais uma vez me mostrar o quanto minha vontade por uma vida mais completa faz todo o sentido.

Por Martha Medeiros

Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O pudim é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de ‘fácil’).
Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’,
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…
Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão…
Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
‘Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora’
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro,
um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’,
uma caixa de trufas bem macias
e o Malvino Salvador, nu, embrulhado pra presente.
Ok?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

simples assim


Chega de divagações muito complexas sobre a vida porque simplesmente cansei (e me esgotei) de reclamar e achar que tá tudo ruim (e realmente está, mas é o que temos pro momento).
Tive um final de semana maravilhoso, com direito a muitos passeios nos shoppings com a difícil tarefa de achar um bom presente pra uma amiga querida e tendo que resistir à todas as ofertas e promoções e lançamentos devido a um limite de cartão de crédito estourado.
Mas também foi dia de nos reunirmos com os “mochileiros” para definir os últimos detalhes do nosso mochilão rumo a Europa que acontecerá nos próximos 60 dias – ou 2 meses, o que soar passar mais rápido.
E no domingo fui andar de patins com outra amiga querida no Villa Lobos enquanto nossos maridos falavam sobre a vida. O passeio ainda teve direito a um filé a Oswaldo Aranha magnífico no São Cristóvão, na Vila Madalena.
Depois fui pra casa ver a final do Paulista e esse assunto deixa pra lá.
Sei lá. Só queria registrar um bom final de semana pra quebrar tanta coisa ruim que vem acontecendo. Porque às vezes a vida pode ser simples. 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

o que será que será?


A previsão do tempo dizia que hoje o dia seria cinzento, chuvoso e frio. Levantei da cama sem a menor vontade de fazer nada e me deparei com um belo de um céu azul e um sol brilhando, brilhando. O dia até que tá frio, mas era pra ser pior, imagino.
Aí eu vim pensando durante o caminho que a gente queria que a vida fosse cheia de previsões acertivas. Mas lembrei que as surpresas diárias são o grande barato da vida. É aquilo que faz valer a pena, sabe?
Porque quando você acha que nada pode piorar, de repente sei lá, aparece um sol brilhando, alguém inesperado e te abre um sorriso, alguém que você nem sabia por onde andava te telefona, alguém diz que você é linda, alguém diz que te ama, enfim.
Pra que a gente precisa de previsões quando o inesperado é aquilo que realmente importa? Às vezes não saber o que virá é bom. E às vezes vem coisa boa, às vezes vem coisa ruim.
Espero que meu dia de hoje, que era pra ser frio, chuvoso e cinzento, possa ter outras surpresas além do sol que brilha. Eu tô precisando...


quinta-feira, 12 de maio de 2011

santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...


Eu cresci vendo minha mãe passar por situações ruins como perder o emprego e tal. Hoje entendo que às vezes por conseqüência de suas atitudes, mas também às vezes (muitas delas) por conta da maldade gratuita das pessoas.
Mesmo assim, resolvi seguir a mesma carreira. Sem medo e tal, porque a gente nunca pensa que existe realmente tanta gente do mal assim no mundo. E vou te dizer que na propaganda deve ter um cursinho paralelo graduando muita gente em como ser do mal.
Graças a deus eu faltei nessas aulas e não peguei meu diploma. Mas, muita gente a minha volta não só se formou como é PhD nisso. Mas a gente tem que sair de casa, trabalhar e conviver com essa gente. Não é fácil, não.
Porque muitas vezes essas pessoas conseguem as coisas mais difíceis do mundo da maneira mais fácil. Deve ter também um curso de como fazer isso, vender a alma, talvez. Eu não sei, faltei nessas aulas também.
Só sei que antes eu me irritava muito e queria mandar todo mundo pro inferno com suas maldades e hipocrisia nojentas. Mas hoje, o tempo me trouxe uma experiência e vejo que agir assim, infelizmente, não vai me levar a lugar nenhum.
Até porque, essas pessoas do mal, sempre conhecem muita gente por aí. Gente que pode te ajudar ou não. A verdade é que temos que agir como loucos, às vezes. Fingir que está tudo bem e que não sabemos quem é do mal e quem é do bem.
Sorrir um sorriso amarelo, rezar uma ave-maria por dentro e desejar que o dia passe logo e tudo acabe bem. Porque já disse alguém um dia: tenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda. Pessoa sábia essa.
Eu tô aprendendo.

sábado, 7 de maio de 2011

tão confuso que nem eu sei



Há mais de um ano tenho vivido uma vida que não me pertence. Sempre esperando pelo próximo passo de alguém. Sem ter a coragem suficiente pra poder tomar o meu passo e seguir em frente.
Sempre ouvindo os outros me dizerem que vai passar, que tudo passa, que tudo é pro bem, que deus sabe o que faz, que às vezes não entendemos, mas que estamos exatamente onde devemos estar.
Será?
Porque ultimamente eu só sinto que não pertenço a nada disso e nem que devia estar aqui nem lá. Na verdade, não sei nem onde deveria estar e como deveria estar. Só sei que como estou não é exatamente o que eu queria.
É tão difícil. Me sinto um pouco perdida, como se ninguém ouvisse meu chamado ou entendesse a angústia que existe aqui dentro. Às vezes tenho a sensação de estar enlouquecendo. Minha cabeça não para, é impressionante.
Nem o meu sono – algo muito precioso pra mim – consigo ter em paz. Às vezes acordo no meio da noite e pra pegar no sono de novo é um martírio. Minha cabeça dá voltas e voltas.
Meu deus. Eu me pergunto todos os dias – por quê?
O que será que me espera ou quando será que eu terei as respostas. Se é que terei um dia. Se é que já não tive, mas fiz questão de não ver. Me sinto numa maratona de provações, cada dia é uma coisa nova. Porém, nada de novo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011