terça-feira, 30 de outubro de 2012

lavabo, parece de revista, mas não é

O lavabo da nossa casa era o lugar mais sem graça de todos. E eu não fazia a menor idéia do que fazer ali. Espaço apertado, pequeno, sem janela, enfim, não tinha mesmo a menor ideia do que fazer.
Tanto que pedi pro pintor deixá-lo todo branco, detalhe, minha casa toda é cinza escuro (assunto pra outro post). 
Um dia, passeando pela enésima vez pela Leroy Merlin, vi um painel feito de placas de madeira em quadradinho. E cismei que tinha que fazer um painel daqueles em algum lugar da casa. Pensei primeiro na sala, mas a tonalidade não combinava nem um pouco com o resto dos móveis, não que isso seja um problema pra mim, eu também adoro descombinar, mas não casava.
Bom, cismei que queria uma cor vibrante naquele banheiro, mas não podia carregar muito porque o ambiente era muito pequeno. Então, como fazer??
Aí, outro dia, passeando também pela enésima vez pela Tok & Stok, comprei um conjuntinho trio de espelhos estilo provençal, branco, bem rococó. Não tinha idéia do que fazer com aquilo, mas tinha que levar.
E há muito tempo atrás, vi não sei onde um daqueles porta sabonetes de boteco, que é brega brega, usado como vaso e adotei a idéia. Aliás, acho que isso era a única certeza de que ficaria no lavabo. E minha mãe também havia me dado um porta toalha, estilo rústico, da Tok & Stok, e eu achei que ficaria bem no lavabo também.
Sem saber de mais nada.
Só sei que, sem saber de nada, tive um insight do nada e visualizei como queria o lavabo. Eu sabia como tudo ia ficar. Só que não tínhamos mais pintor, nem pedreiro, nada. O jeito foi colocar a mão na massa. 
A cor vibrante foi um vinho tinto semi brilho da Coral. Eu dei as primeiras mãos, ficou horrível. Ri deu todas as mãos do mundo, sem misturar com água. Chegamos à tonalidade que eu queria. E minha mãe fez o acabamento, porque né, se dependesse de mim e do Ri tava tudo em zigzag.
Essa cor ficou na parede da pia, onde coloquei o trio de espelhos, o porta toalha rústico e meu vaso que era porta sabonete de boteco.
E aí, lembra do painel de madeira? Então... foi ali, na parede de frente, a que você dá de cara quando entra, que está meu painel. Inusitado, não?
Do lugar mais sem graça da casa, o lavabo passou a ser nosso xodó, um lugar que a gente faz questão de exibir e nos gabar pra todo mundo. Às vezes a gente passa por ele, acende a luz e fica olhando, de tão bom que ficou.
Ideia minha e execução do Ri. Casamento perfeito, não?




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

sumir, sumir, sumir

Detesto quando começo a perder o tesão de ir pro trabalho. Isso normalmente acontece quando fico insatisfeita com o modo que o trabalho anda na minha vida e confesso, de um tempo pra cá, realmente não tá mais rolando. Hora de mudar, de novo.
Todo dia que toca o despertador, eu penso que preferia estar doente. Isso não é saudável, certo? Mas não tenho vontade mesmo, nada me dá prazer onde estou. Graças a deus, pelo menos, o clima é bom e algumas pessoas são do bem, mas o trabalho mesmo, lá, já deu.
E estou na contagem regressiva pras minhas férias. Não vou fazer nada, nada mesmo nas férias. Mas só de não ter que levantar pra trabalhar, já está ótimo!
Quero curtir minha casa nova, curtir a Luna, que sente muito a minha falta, curtir um pouco a minha própria companhia, ir ao shopping a tarde, fingir que sou rica, pegar um cinema com a sala só pra mim, passear em algum lugar que de fim de semana seria insuportável, passar uns dias na praia com a minha mãe, enfim.
Sumir, sumir e sumir.
Falta muito?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

dando nova função às coisas antigas

Como vocês viram no post anterior, ainda estou muito in love com minha cozinha, por isso, quis falar mais um pouquinho dela aqui.
É que deu tanto trabalho, que não custa agora curtir os méritos né?
Agora que estou livre de novela - e confesso, Avenida Brasil me prendia todo santo dia, agora consigo me dedicar um pouco mais à cozinha e voltar a cozinhar à noite.
Bom, mas vamos falar do que interessa, das coisas velhas que trouxe do apê e que dei um uso totalmente novo.

Primeiro, as luminárias do quarto. Antes eram pendentes que ficavam acima do nosso criado-mudo, mas desde que coloquei na cabeça que teria um balcão na cozinha, já sabia onde ia colocar elas.
Depois, os quadros que usava pra fazer uma brincadeira, e deixava na sala com fotos minha e do Ri quando crianças. Deram lugar às receitas da vó do Ri.
Só o pinguim que continua com a mesma utilidade (adoro ele!).






Eu acho até que o pinguim ganhou mais vida, mesmo numa cozinha toda colorida. Vendo agora, parei pra reparar, na cozinha toda branca até ele ficava um pouco apagadinho.

E pra terminar, os ímãs que fiz com as fotos do Instagram. Tem algumas do casamento, lua de mel, viagens e claro, da Luna. Algo me diz que essa geladeira vai ser pequena. Será?


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

da vida

Essa semana me deparei diversas vezes com os dogwalkers pela região do Itaim e cada vez que os vejo eu penso: cacete, isso é que é vida.
Eu gosto do que faço, sim gosto, mas não é minha paixão. Eu não levanto da cama com um puta tesão pra ir trabalhar. Eu olho pela janela e quando o dia tá lindo penso: caramba, podia estar na praia, que desperdício. E quando o dia tá feio eu penso: caramba, queria estar na minha cama.
Trabalhar passeando com cachorro deve ser mil vezes melhor do que passar 10 horas com a bunda na cadeira, dentro de um escritório onde o ar condicionado bomba, de frente pro computador, tendo que aturar um monte de gente chata e cuidando do dinheiro dos outros.
Aliás, trabalhar com cachorro é muito melhor que trabalhar com gente mesmo. São seres muito, mas muito melhores.
Eu até curtia muito mais o que eu faço antes. Sei lá, trabalho na minha profissão há 7 anos e a cada ano, menos tesão eu tenho, sinto menos admiração pela profissão, tenho preguiça das pessoas da área e acho tudo uma grande perda de tempo.
Aí eu recebo uns currículos do povo fazendo várias faculdades, pós nisso e naquilo e eu penso, não, eu não quero. Se for pra fazer uma pós em alguma coisa de comunicação, prefiro mil vezes fazer um curso de gastronomia, fotografia, costura, pintura, sei lá.
Teoria pra vender produto e marca já deu no meu saco. Aí você pensa, cara, eu tô velha pra jogar tudo pro alto e recomeçar? Não. O problema, na minha opinião, não é a velhice, sempre é tempo de fazer qualquer coisa. Nada tem prazo de validade na vida.
Mas aí eu lembro de todas as contas que eu tenho pra pagar no mês e do sacrifício que tenho que fazer pra conseguir pagar tudo com o salário que ganho hoje, sendo praticamente estabilizada na carreira e com chances grandes de crescer ainda e rápido.
E então jogar tudo pro alto e recomeçar, como seria? Eu conseguiria pagar minhas contas? Manter meu padrão de vida?
Aí eu lembro que estou planejando mais um mochilão pro ano que vem, que tem um monte de coisa na casa nova pra fazer e aí cara, eu sou obrigada a ir empurrando tudo com a barriga.
É uma merda, mas é verdade.
Podem me chamar de covarde, eu até me acho também, mas a realidade é que não dá pra começar do zero agora. Eu escolhi assim.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

nossa cozinha

Quando Ri e eu começamos a procurar casa e eu me apaixonei logo de cara por essa que escolhemos, eu já sabia o que faria em alguns cômodos e lugares, inclusive eu já sabia o que daria pra reaproveitar, o que teria nova utilidade e o que eu compraria novo.
A cozinha foi bem assim. Desde o princípio eu sabia que não queria ela toda branca e sabia que não queria os móveis brancos de novo, como foi no apê. Agora eu tinha espaço de sobra pra pintar e bordar na cozinha.
E aí foi difícil só convencer o Ri de trocar os azulejos da pia por azulejo hidráulico, pra ele era difícil entender que cada azulejo seria diferente um do outro. Convenci ele a deixar eu fazer uma faixa onde ficaria o fogão, mas aos poucos consegui convencê-lo a trocar toda a parede da pia. E olha que não é uma parede pequena.


E ele amou o resultado final. Eu nem preciso dizer o que senti ao ver essa parede linda de viver. O que eu queria era terminar logo a cozinha. Aí o próximo passo foi irmos atrás de uma empresa pra fazer os móveis planejados.
Escolhemos uma no bairro, pagamos um preço justo e o projeto foi feito por mim. Sim, o vendedor desenhou tudo no sistema, no fim eu apaguei tudo e mudei do jeito que eu queria. Eu queria algo bem clean, nada de muito armário, prateleira, nada disso.
Minha mãe queria porque queria uma mesa na cozinha, mas eu não. Desde sempre eu sabia que queria um balcão e só. Eu sabia que queria um balcão e que acima colocaria as luminárias que no apê ficavam acima dos criados-mudos do nosso quarto.
Assim, dando um ar bem intimista à cozinha. Eu sabia que seria assim. E sabia que eu queria uns bancos que tinha visto numa revista e que só depois viria a descobrir que os tais bancos eram super famosos, tinham até nome, Bertóia e custavam uma fortuna, 400 paus cada uma.
Mas aí, Ri procurou no Mercado Livre e arrematamos as 2 por 200 no total. Puta negócio né? Porque eu não sou rica né gente...
Apesar de ter tido um mega problema com a empresa que fez a cozinha (chama A Griffe e eu não recomendo pra ninguém), foram 5 meses lutando pra que a cozinha fosse finalizada conforme a compra, não posso dizer que não valeu a pena porque eu simplesmente AMO minha cozinha, mas foi uma mega dor de cabeça que não desejo a ninguém.
E, voilà, assim ficou nossa cozinha:



Eu ia me desfazer do pinguim, porque achava que ele combinava mais com a cozinha antiga, toda branca e tal. Mas ele é tão simpático, que não consegui tirar. E na porta do meu congelador são ímas feito com fotos do Instagram (depois faço um post mais detalhado). Tem fotos do nosso casamento e das nossas viagens.

E aí que um dia eu fui num restaurante e vi essa idéia na parede e copiei, porque né, nada se cria e tal. A idéia era enquadrar as receitas da minha vó, mas minha mãe jogou todos os livros fora depois de passá-los a limpo.
O jeito foi escolher algumas receitas da vó do Ri. Coincidentemente a receita que escolhi - e juro que só percebi depois, porque eu queria uma que tivesse a folha bem sujinha mesmo, leva o nome de Bolo da Dirce, e Dirce era o nome da minha vó. Mais perfeito que isso, não tem né?



E o bom é que eu já tinha as molduras no apê, só que antes ficavam na sala com uma foto de criança minha e do Ri. Agora, novo uso e conteúdo. Eu amei!!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

bora falar de coisa boa?

O mundo é tão lindo e tão perfeito e as pessoas são tão diferentes de mim, e o gato mia, o cachorro late, o água molha e mimimimimimi.
Bom, um pouco de saco cheio de algumas coisas e principalmente de algumas pessoas, mas contando os dias pras minhas férias, pro mochilão 2013, pras coisas boas e novas do meu castelo e ansiosa pra que o ano termine logo.
Porque quem quer se matar não sabe que eu existo, porque eu me importo demais com meus amigos e alguns deles estão cagando, porque tem gente muito chata metendo o dedo na minha cara pra falar groselha e porque o propósito do blog é tão mais simples do que tudo isso.

E pra quem não entendeu um caralho, dane-se!
Porque eu tô numa fase meio revoltada mesmo.

Merci!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

meus 30

Desde o começo do ano, botei na cabeça que queria uma festa de 30 anos, pra comemorar como se deve. E fui atrás das coisas, porque começando a pagar o quanto antes, seria melhor pra mim. Decidi que faria uma festa a fantasia e tratei de ir atrás dos fornecedores.
Fechei um buffet com salgados, bebidas, drinks, DJ, telão, segurança, vallet, contratei docinhos a parte, outros eu mesma resolvi fazer, fechei bar caipirinhas e bebidinhas, eu mesma fiz os convites, caligrafia, tudo e tratei de avisar com uma mega antecedência todo mundo que eu queria que fosse.
Fechei a festa pra 60 pessoas, mas claro, chamei umas 85 achando que ia estourar e ainda assim, deixei de chamar um montão de gente por conta de algumas confirmações. Mandei "save the date" pra galera e fui avisando todo mundo.
Aí nos 45 do segundo tempo, um monte de gente começou a desconversar, não me responder, dizer que não era mais certeza que ia. E assim, em cima, complicado avisar alguém de uma festa a fantasia. Complicado não, falta de respeito até.
Tipo, então, olha lembrei de você só hoje, mas amanhã tem minha balada e tem que ir fantasiado, tá? 
Oi? Não né.
O que mais me deixa puta é que amigos meus depois de casados, descobriram que nasceram grudados com os seus respectivos e não sabem ter sua própria vida social. Fiquei muito puta com dois amigos meus, porque os seus cônjuges iam trabalhar e eles não, e aí, como nasceram grudados, não podiam me prestigiar.
Fiquei puta mesmo, de verdade.
Outros amigos que me deram certeza, me mandaram mensagem lá pela meia noite pra avisar que não iam, e eu esperando por eles pra poder passar o vídeo da retrospectiva.
Sabe, eu paguei pra 60 pessoas e no fim só foram 49. Me senti muito mal. Eu sei - já sabia, que no Brasil as pessoas estão cagando pra quem dá festa e pede confirmação. Pensam, ah confirma aí pra garantir, se der eu vou.
Não é assim. Ainda mais com festa fechada, em que o convidado está bancando tudo. Puta falta de respeito, de consideração, de carinho e de amizade.
Eu sei que quem saiu perdendo com certeza foi quem não apareceu, mas no fundo, fiquei magoada sim. Passei 8 meses planejando cada detalhe, pensando em quem convidar com todo o carinho do mundo, pra pessoa no fim cagar pra mim e pra minha festa.
Lógico que quem foi é quem realmente importa e que os mais queridos e chegados estavam lá pra levantar o caneco comigo, mas poxa, é de foder né?
Bom, depois eu posto as fotos por aqui, por enquanto foi só um desabafo mesmo.
Pronto, falei.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

é rosa ou não é?


Hoje é dia de desativar meu antigo meu blog, o a vida é cor de rosa. Porque, agora aos 30, achei melhor uma coisa menos infantil e fantasiosa, mais perto da realidade que nem sempre (e na maioria das vezes) não é rosa.
Aí ontem foi meu aniversário, trintinha!!! E eu ganhei um perfume novo do pessoal da agência e olha só o nome dele...
Às vezes a vida (cor de rosa ou não), manda uns recados subliminares né?
Acho que foi pra me lembrar que a vida nem sempre é rosa, mas que no fundo depende mesmo é de como você vê.


 perfume da quem disse Berenice?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

começando com o pé esquerdo


- oi, então, entraram na casa...
- hã, como assim entraram na casa???
- é, então, entraram... levaram a tv...
- ...

Sexta, umas 10h30 da noite, foi assim que fiquei, sem ter o que falar quando o Ri disse que tinham entrado na nossa casa.
Na hora, dá muita raiva, vontade de matar o mundo, e ao mesmo tempo, vontade de sumir, sumir de um mundo em que ninguém respeita ninguém, e que todo mundo quer tirar vantagens.
É um misto de sentimentos que não sei bem explicar ainda. Eu fui assaltada uma vez, no meu primeiro emprego, levaram um monte de coisa da locadora e levaram meu relógio. Era um relógio de plástico, nem valia nada, mas era um presente da minha mãe, e isso é o que realmente dói mais.
Não é pelo valor material, porque graças a deus, não me falta saúde e trabalho pra comprar tudo de novo, mas é pelo valor emocional, afetivo.
Depois de muito tempo, arrombaram o carro da minha mãe, reviraram tudo e não levaram nada. O sentimento também é de revolta, estragaram a porta do carro a troco de nada. E você se sente invadido.
Cheguei em casa na sexta com uma sensação de vazio enorme. Como se de nada valesse muro alto, guardinha noturno, reza brava. O Ri estava tentando arrumar o arrombo na fechadura da janela.
Pularam o muro pelo lado que ainda não tem cerca elétrica. E embora eu tivesse falado mil vezes pra gente colocar e o Ri insistido pra colocar depois, eu não podia brigar com ele, afinal, ele não tem culpa.
Entraram, arrombaram o cadeado do portão, pisaram nas coisas da cachorra, quebrou tudo... depois quebraram a fechadura da janela, pisotearam no meu sofá novo, levaram a tv da sala (presente de casamento), o notebook (que coincidência ou não, tínhamos acabado de encomendar um novo a um amigo que está indo pra fora), nem funcionava direito, mas enfim, e levaram um perfume meu.
Um perfume que eu amava tanto a embalagem... trouxe da Europa e usava tão pouquinho, como se fosse pra durar pra sempre, tamanha minha admiração pela embalagem... coisa besta. Isso me fez pensar... pra que ficar guardando, economizando as coisas??? Antes eu tivesse usado bastante, pelo menos não valeria a pena pro ladrãozinho de merda levar.
O que mais irrita é ver suas coisas reviradas, jogadas e bagunçadas. Graças a deus não quebraram nada, não estragaram nada e não fizeram nenhum mal pra Luna. Isso me deixaria arrasada.
Não dormi nada naquela noite. Ficava imaginando as pessoas lá dentro, vasculhando nossas coisas, olhando nossas fotos, mexendo nas coisas. Sensação de invasão total, de falta de privacidade.
E a casa ficou cheia de manchas de mão preta pelas paredes. Isso me incomodava muito. Era como sentir a presença desses desgraçados lá dentro. Olhando, vigiando, rindo da nossa cara.
Sábado fomos atrás de tudo o que era possível pra deixar a casa mais segura, alarme, trava, cerca, grade. Mas mesmo assim, a sensação é de que nunca vai ser suficiente e de que nunca vou me sentir tranquila de novo.
Enfim, agora fica no ar a sensação de medo, de vulnerabilidade, de invasão. Tomara que passe...