quinta-feira, 24 de julho de 2014

dá-lhe rivotril

Quem me conhece sabe que eu não tenho medo de voar, eu tenho pânico! Viagens curtas são um martírio, suo frio daqui até o destino, mesmo que o vôo dure 40 minutos. E mentalmente vou rezando todas as preces que sei. É um martírio, sem contar que me dá diversas crises intestinais de tanto nervoso que eu passo.
Se eu sei que tenho uma viagem de avião daqui uns dias, já vou passando mal um pouquinho por dia, até que no dia anterior e no próprio dia eu quase realmente tenho uma síncope nervosa.
E quando fiz minha primeira viagem pra fora do Brasil (um vôo que durou 13 horas), tive que recorrer a um remedinho, pra poder ficar desacordada durante o vôo. Funcionou super bem. Entrei no avião, tomei o remédio e acordei quando o avião já ia pousar em terras espanholas. Não vi nada, não senti nada, graças a deus.
E agora teremos algumas horinhas de vôo até chegar no próximo destino das minhas férias, aproximadamente 15 horas, fora os vôos internos. E claro que eu já estou passando mal só de pensar, e lógico que eu já fui atrás da minha receitinha do milagroso Rivotril, mas o que me preocupa mais agora é o fato desse monte de avião estar caindo, desaparecendo.
Que medo, que horror!!
Eu sei que é do outro lado do mundo, mas mesmo assim, vamos combinar que os Estados Unidos são inimigos do mundo, então sei lá, vai saber né? só de pensar já me dá calafrios. Eu realmente acho muita sacanagem essa história de fazer guerra, mas pior ainda é usar aviões cheios de pessoas que não tem nada a ver com aquilo tudo e simplesmente explodir, desaparecer, 
abater, sei lá.
Só sei que minha barriga já está se revirando e contorcendo toda. Já estou em pânico, acho que vou ter que tomar uns mil rivotris pra conseguir sobreviver a tudo isso.
Tomara Deus que parem com essa palhaçada, com esse desrespeito à vida.
Juro que se não valesse tanto a pena assim viajar, não passaria por isso não.
Ai, meu deusinho, me ajuda!

terça-feira, 22 de julho de 2014

lá na minha cozinha

Desde que cancelaram meu curso de culinária, sem previsão de nova data, fiquei tão frustrada que resolvi experimentar novas receitas por conta própria e outras copiadas de um dos meus programas favoritos do momento: Bela Cozinha, do GNT.
Cozinhar é algo de que gosto muito, me arrisco. Às vezes dá certo, às vezes não. Quando dá, é uma beleza, dá prazer ver o pessoal comendo uma comida feita por mim com tanto gosto. Cozinhar é zelo, dizem que é um jeito de amar os outros. Concordo.


Minhas últimas loucuras na cozinha foram os cookies do programa da Bela, que levam aveia, azeite, óleo de côco e melado (eu adicionei granola) e ficaram super saborosos, além de mega saudáveis (e fez o maior sucesso na agência).
Depois inventei um peixe com leite de côco, cebola, batata, muito azeite, mussarela e torradinhas temperadas que foi de comer rezando. Minha mãe e o Ri comeram quase a travessa toda, modéstia a parte, realmente ficou uma delícia mesmo. 
Aí fiz o molho de beterraba com cenoura, também da Bela, pra acompanhar um fusili integral. O molho é muito saboroso, leve e mais uma vez, saudável. 
E por último, inventei de fazer um nhoque de ricota. Queria uma massa leve, com farinha integral, mas que tivesse a base de ricota. Eu nunca tinha feito nhoque antes, dá um puta trabalho. Fazer a massa, cortar, colocar na água, nossa, foi tenso, mas também deu certo, o resultado foi uma massa bem mais leve e também bem saborosa.
Fazer o nhoque teve gostinho de nostalgia, mas uma nostalgia boa. Lembrei de quando minha vó fazia (e ninguém nunca fez um nhoque melhor que ela) e enquanto ela ia cortando a massa, eu ia comendo, crua mesmo. Era uma delícia!!


Até que pra quem teve o curso cancelado, estou me saindo muito bem, obrigada.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

babaquice sem limite

Eu juro que não queria mais tocar no assunto, mas ontem rolou um encontrinho com o pessoal da agência antiga, fomos gastar nossas bolachas de chopp (presente da Fox, cada bolacha vale 1 chopp), e obviamente que no final da  "balada", começamos a lavar roupa suja, ou seja, falar dos nossos trabalhos.
Pra se ter uma ideia, uma das meninas teve paralisação facial por conta do estresse do trabalho, decorrente de 2 noites viradas e tal. Coisa que algumas pessoas babacas do mercado acham absolutamente normal.
Mas, o que mais me chamou atenção foi a pergunta que um babaca fez à ela numa entrevista. Perguntou se ela tinha planos de ter filhos agora. E disse algo assim:
- olha, se você estiver pensando em ter filhos, aqui não é lugar pra você porque a gente não tem tempo pra isso.
Eu também já ouvi essa pergunta  numa entrevista. Puta babaquice. Mais uma no meio de tantas.
Uma vez eu passei mal e cheguei mais tarde na agência e ouvi assim: você não está grávida não, né?
Nesse dia, que por acaso eu também tinha virado na agência, eu estava tão irritada, mas tão irritada, que dei no peito sem pensar:
- não, eu não estou grávida porque eu não transo, eu não vejo meu marido, então não tem como eu estar grávida, eu só vivo enfiada aqui...
Aí o babaca dá aquela risadinha morna, meio sem graça, mas tá tudo bem. Tá tudo certo. É tudo normal e que se foda se você quer viver uma vida decente, ter tempo pra você, pra ir pra casa, pra ver quem você ama, pra ter filhos.
É, foda pessoal, dá pra perceber que eu não reclamo sem motivo, né? Esse é meu mundo, esse é meu clube.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

minhas tattoos

Se tem uma coisa que eu curto muito é tatuagem. De qualquer tipo, tamanho, cor, acho super maneiro. Adoraria ter meu corpo todo tatuado, mas não sei. Normalmente faço uma tattoo quando preciso quebrar um paradigma na minha vida ou virar uma página.
Tá aí uma coisa que vicia mesmo. Depois da primeira é realmente muito difícil não fazer mais uma. Então aí vai as histórias das minhas tatuagens.


Em ordem mais ou menos cronológica que as fiz. A primeira que fiz foi um tribal na nuca. Daí você pensa, nossa que coisa mais ultrapassada. Mas, é preciso entender o contexto todo. Quando eu a fiz, tinha 15 anos, foi um presente de aniversário. Minha mãe não tinha grana pra me dar uma festa, eu queria uma bateria e a outra opção era a tatuagem. Então, é isso aí. 
Tinha que ser alguma coisa pequena, discreta e num lugar escondido. Tribal na nuca. Perfeito. Era 1997, e eu era a única garota da minha idade com tattoo. A única da escola, imagina só o quanto eu não me senti "a" descolada, "a" rebelde, "a" demais. Esse tribal significou muito pra mim naquela época. 
A segunda foi uma borboleta no pé. Eu a fiz em 2006, quase 10 anos depois da primeira. Demorou tanto porque eu namorei um cara, por 6 anos, que simplesmente me proibiu de fazer uma tatuagem porque não gostava. Eu, tonta, obedeci. Ele me proibia de muitas outras coisas, eu vivia numa prisão. Então, a borboleta foi escolhida justamente por representar a liberdade que eu finalmente tinha alcançado. Tínhamos terminado o namoro meses antes.
A próxima tattoo que fiz, ou melhor, as próximas, foram a triskle no tornozelo esquerdo e uma estrela no ombro esquerdo. A triskle é um símbolo celta que significa a união de algumas trindades, que podem ser nascimento, vida e morte, corpo, mente e espírito, céu, mar e terra, fogo, água e ar, enfim, sempre gostei de simbologias de antigas civilizações e essa sempre foi uma das minhas preferidas. E a estrela era meio que pra ser minha guia, sem muito lero-lero.
Depois resolvi que queria uma mandala. Mandala é proteção. E proteção nunca é demais. Então, lá fui eu atrás de uma que me agradasse e coloquei ela bem no meio das costas.
E então foi a vez de botar no corpo a frase que mais gosto, de um dos meus filmes preferidos, Sociedade dos Poetas Mortos, carpe diem. Essa frase me foi dita por um amigo muito querido, quando eu mais precisava dar uma guinada na minha vida. Mudar tudo, virar a página, deixar o passado no passado e enxergar as coisas boas do futuro.
Carpe diem na veia.


Aí tem aquela flor de lótus no tornozelo direito (na foto acima), que fiz junto com o símbolo de paz e amor na costela, bem anos 60 e tal. Porque todo mundo precisa de paz e amor, e eu sempre gostei desse símbolo meio hippie. A flor de lótus em si representa muitas coisas: pureza, perfeição, superação, sabedoria, prosperidade, resistência, renascimento, enfim, tantas coisas positivas que resolvi botar ela na pele também. Logo abaixo coloquei um dos nomes de Deus em sânscrito. Sânscrito é uma das línguas da índia, com uso no hinduísmo e budismo.
As próximas tattoos que fiz foram o contorno da minha Luna, após 1 mês que ela tinha partido. Coloquei ela no meu antebraço, com a cabeça virada pra frente, como se ela fosse me acompanhando pra sempre, onde quer que eu fosse. Era muito amor. E por todo esse amor, fiz também um coração no pulso direito, mesmo braço em que ela está. E representa o amor, puro e simples. Incondicional, como deve ser.
E as duas últimas que fiz, há poucos meses, foram mais um símbolo antigo, dessa vez o Om, no pulso direito. O Om é um símbolo hindu que representa "aquilo que protege, sustenta". E fiz mais um coração, dessa vez no anelar esquerdo, dedo da aliança e sim, é em homenagem ao meu marido.
Não vou criticar quem tatua nome, foto, enfim, cada um faz o que tem vontade. E sim, eu fiz uma tatuagem pro meu marido. Simboliza nosso amor, que mesmo se um dia acabar, vai estar lá porque foi muito importante e representou muito. Ri tem uma importância ímpar na minha vida. E eu quero que esteja sempre lá, porque eu não quero nunca esquecer. Amor não é só algo que se possa sentir por marido ou namorado, amor vai muito além disso, além de rótulos de relacionamento e status. E portanto, esse coração é e sempre será dele.
E por enquanto é o que temos. Lógico que não devo parar por aí. Sou uma viciada em tatuagem, não tem jeito. Adoro!

terça-feira, 15 de julho de 2014

dieta, estilo e tudo mais

Semana passada completei 5 meses de academia! Meu recorde! Mas, esse ano foi escolhido a dedo por mim pra ser um ano de mudanças significativas na minha aparência. Depois daquele maldito {ou seria bendito?} biquíni GGG que não entrou em mim no ano passado, resolvi de vez fazer a cirurgia de redução de mama e, de quebra, perder uns bons quilos e tal.
Mas, não foi só isso.Com a nutricionista aprendi a ter uma alimentação mais balanceada e mais saudável. Agora me obrigo a comer mais corretamente, procuro sempre ter legumes, verduras, evito frituras, massa gorda. Lá em casa troquei o sal por sal light (que tem menos sódio), farinha branca por integral, açúcar por açúcar mascavo, óleo por azeite, aveia, linhaça, chia e granola estão no meu cardápio quase que diariamente.
Cortei os refrigerantes durante a semana (tá, deveria cortar de vez, mas ainda não evoluí a esse ponto), diminuí os doces (chocolate é minha perdição), como menos durante a noite, enfim, foi uma verdadeira reeducação alimentar.
Aliei a isso uma coisa que eu odiava: academia. Consegui encontrar algumas coisas de que gosto, então eu faço boxe 2 vezes  por semana, hidroginástica sempre que dá (não é coisa de velho, pra mim é ótimo e ajuda a relaxar), e há 2 meses entrei pro Pilates. A próxima meta é conseguir correr e andar de patins aos finais de semana.
O que ganhei com isso? Por enquanto 4 kg a menos. A calça 40 foi pra 38 e as blusas de GGG passaram a ser P. Não tem preço que pague se olhar no espelho e simplesmente estar de bem consigo mesma. Isso tudo não mexe só com sua auto estima, mas também é possível sentir a mudança por dentro. Mais disposição, mais saúde, enfim, é muito bom se sentir mais leve e feliz. E quando digo leve, não é só de peso que tô falando.
Bom, pra atingir o objetivo final, ideal segundo minha nutricionista, ainda preciso eliminar mais 3 kg. E, agora, depois de tanto tempo, parece estar ficando ainda mais difícil. E confesso que dei uma relaxada, abri mão de algumas refeições mais regradas. Azar o meu né, mas não sou de ferro.
E tudo isso pra dizer que tenho uma musa inspiradora. Uma musa meio diferente, eu sei, mas é a minha musa. Kelly Osbourne.
Primeiro porque sempre gostei dela, mesmo quando ela era uma menina totalmente maluca, sempre gostei das atitudes dela {e lógico, ser fã do pai dela também influenciou e tal}. Mas, a menina era um horror, e não digo isso porque ela era gorda, imagina. Eu conheço um monte de garotas gordinhas que são lindas como são, mas não era o caso dela. Apesar de sempre ter achado o rosto dela muito bonito. Faltava estilo, faltava gostar de si mesma.
E então saímos de uma Kelly que, na minha opinião, não se gostava:





Para uma Kelly completamente cheia de estilo e atitude. Apresentadora de um programa fashion, lançando tendências, linhas de cosméticos (ela tem uma da MAC que é fera!), enfim, uma Kelly linda!










Eu AMO o cabelo dela. Quem me dera ter atitude, estilo e coragem suficiente pra copiá-la. E toda vez que penso em desistir, penso nela. É ela quem realmente me inspira a continuar na dieta, na malhação e na busca por atitudes bacanas e quebra de preconceitos sobre moda e estilo.
Realmente a admiro. Eu acho que se a gente quer uma coisa de verdade, porque algo não está fazendo a gente feliz, não está fazendo bem pra gente, a gente precisa mesmo ir atrás. Porque sentada, reclamando, nada vai mudar.
Eu digo por experiência própria. Por muito tempo me enganei achando que tudo ia mudar, mas não muda. E é bom ter exemplos de verdade pra se inspirar. Kelly não tem nada a ver com aquelas garotas esqueletos que vivem nas revistas.
Se ela pode, eu posso. Todo mundo pode.
Bora ser feliz!

sábado, 12 de julho de 2014

#vaitercopa


Pra não passar em branco, tivemos Copa do Mundo no Brasil. Bacana. 
Pra mim não fez a menor diferença, trilhões e trilhões de milhares de dólares foram gastos em construções/reformas de estádios. Temos até um estádio chamado Arena Pantanal, resta saber quem é que vai jogar lá depois que a Copa acabar.

Mas, esse é o país do futebol, então, nada mais justo que tenhamos estádios carésimos e sem utilidade alguma. Justo, não?
Complicado falar de futebol, até porque eu amo futebol, mas a Seleção já é outro assunto. Há muito tempo eu deixei de torcer por ela. Não que eu torça contra, não é isso. Mas, simplesmente perdemos a mão. Ou melhor, o pé. Não tem mais futebol magia, amor à camisa, essas coisas meio idiotas e tal. 
E aí, simplesmente acho muito hipócrita colocar nas costas dos jogadores da Seleção, todas as soluções pros problemas do Brasil. Como se simplesmente levantando a taça e bordando uma estrela a mais na camisa, fosse resolver todas as merdas que existem nesse país.
Mas, é o velho pão e circo, tão conhecido e usado desde sabe deus quando. Funciona, então melhor continuar usando. Pena que não tem Copa todo ano, seria uma grande ilusão sem fim.
De qualquer maneira, aconteceu a Copa aqui no Brasil. E o Brasil deu muita sorte de ter chegado às semi-finais. Mas, quando pegou um time de verdade, perdeu vergonhosamente.
E cá estamos, lutando por um terceiro ou quarto lugar. Digno. Ou não. Não sei.
E foi assim que a Copa se foi.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

pra encerrar de vez o assunto

Estou assistindo (pela enésima vez), Anos Incríveis (a melhor série de todos os tempos). E logo nos primeiros episódios, Kevin se interessa em saber um pouco mais sobre o trabalho de seu pai e vai passar um dia com ele em seu escritório.
A primeira impressão de Kevin é achar tudo muito maravilhoso, o jeito do seu pai comandar uma equipe, o jeitão dele falar ao telefone, como parecia estar dominando o mundo e coisa e tal. Mais ou menos como eu me sentia quando ia com a minha mãe pras agências, era tudo muito legal. Acho que essa é a impressão de qualquer criança que vai ao trabalho dos seus pais.
Kevin quer ser jogador de beisebol quando crescer e como alternativa, caso não dê certo, quer ser astronauta (a série se passa bem na época em que o homem pisou na Lua). Mas, vê que trabalhar no departamento de distribuição, como seu pai, não é assim tão ruim.
E numa conversa com seu pai,  ouve sua confissão de que, na verdade, o que ele queria mesmo era ter sido capitão de um navio. Mas, com o passar do tempo, acabou conhecendo Norma, mãe de Kevin, casaram-se e tiveram seu primeiro filho. Foi aí que a oportunidade no departamento de logística apareceu, e Jack acabou aceitando o emprego. O sonho de ser capitão e viajar pelo mundo num navio havia ficado pra trás.
Aí ele disse a Kevin, algo muito parecido com o que tenho pensado ultimamente, a gente precisa aceitar as escolhas que tomamos e tentar ser feliz com elas.
Afinal, não se pode ter tudo na vida. Isso é um fato, cruel, mas verdadeiro.
Então, embora eu não seja 100% do tempo satisfeita com minhas escolhas, vou tentar ser feliz com elas, afinal, são elas que me proporcionam ter e fazer tudo o que tenho vontade.

PS: fingindo ser quem não sou, já consegui alguns elogios no trabalho. É nojento, eu sei, mas infelizmente vai ter que ser assim, uma pena...

quinta-feira, 10 de julho de 2014

dedo podre - final

Bom, aí você provavelmente me diz: ah, então muda de profissão.
Logo depois disso vem as frases motivacionais: você pode, nunca é tarde, blá blá blá.
O fato é que depois de quase 10 anos de carreira, se eu largo tudo agora, não vou conseguir um trabalho que pague o salário que ganho.
E aí você pensa, mais importante que dinheiro é fazer o que se gosta.
E aí eu te digo, eu gosto de passear com cachorro, mas provavelmente isso não vai pagar nem metade dos boletos que chegam em casa todos os meses. Então, não pensar em dinheiro, não é uma coisa assim tão fácil.
Talvez fosse, se eu tivesse pensado nisso bem antes, quando o dinheiro que eu ganhava não era suficiente pra uma balada no fim de semana. Agora, fica bem complicado simplesmente largar tudo.
Adoraria tocar um foda-se, vender tudo e viajar o mundo, vendendo bijuteria, côco ou qualquer merda por aí. Só que eu não sou assim.
E não é mentira se eu disser que gosto do que faço. Eu gosto, não gosto dos processos e do que algumas pessoas fazem.
Não sei se vou conseguir ser publicitária pro resto da vida, até me aposentar. Provavelmente não, mas não sei. Infelizmente se paga "bem", então, vou levando.
No meio de tantos feedbacks negativos a meu respeito, tenho certeza de duas coisas: sou boa no que faço, mas infelizmente isso não é suficiente. E enquanto eu depender não só disso pra alcançar o que quero, vou pastar.
Eu não sou falsa, nem política, nem amiguinha de todo mundo, nem oba-oba, nem puxa saco. E isso é meio que fundamental pra quem quer continuar subindo.
De qualquer forma, após mais essa decepção, resolvi encarar tudo como um novo desafio. Estou prestes a completar 1 ano na agência. E me comprometi comigo mesma a ser mais do que posso ser.
Obviamente sem ser falsa, puxa saco e todas as coisas que não sei e nunca vou saber ser. Apenas fingindo que estou super empolgada com as velhas babaquices de sempre. Fingindo que faço parte do bando de gente idiota que se maravilha com tanta besteira no mercado.
Ah, mas isso não é ser falsa? Sinceramente, não sei. Se for, estou sendo falsa comigo mesma. Tem sido difícil, mas quero ver até onde isso vai me levar.
Quero ver se essa nova postura vai mudar o próximo feedback a meu respeito. Não vejo a hora de compartilhar aqui.
E que fique claro que eu tive um puta dedo podre pra escolher minha profissão. Porque a maioria das coisas eu já sabia, só fingi não saber. Me enganei. E é exatamente o jogo inverso que estou fazendo agora.
Vamos ver...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

dedo podre - parte 5

Aqui onde estou hoje, nos 3 primeiros meses, chegava antes de toda agência, exceto do meu chefe, e chegar antes significa apenas chegar na hora. Saía de madrugada, às vezes virava a noite, o dia. De 250 trabalhos certos que eu fazia, bastava errar 1 pra ser "a distraída", "a avoada", "a que não prestava atenção".
Eu sabia mais que a diretora de pesquisa e ajudava os outros diretores a fazerem o que não sabiam. Eu e meu chefe cuidávamos de 11 contas, os outros grupos cuidavam de 4 cada um.
Um dos grupos perdeu 2 contas por incompetência, e a avoada aqui virou noites e mais noites ajudando esse outro grupo a finalizar o trabalho antes de entregar a conta.
Eu fiquei um tempo sem diretor, eu e as 11 contas. Virada na madrugada, entregando todos os trabalhos. E quando finalmente meu grupo virou 2 e chegaram 2 novos diretores, o feedback que tive foi que além de avoada eu estava sem vontade.
Me colocaram num outro grupo, porque num sei quem não se dava bem com não sei mais quem, e aí sobrou pra mim, a tonta.
Mais uma vez uma pessoa acima de mim que não agrega, eu já ensinei mil coisas pra ela, ela não me ensinou nada. Detalhe, era minha professora na faculdade. Mas tudo bem, o que importa? E aí, quando realmente me senti totalmente desanimada, qual o feedback que eu tive?
Mais uma vez que eu não estava interessada.
Oi?
Que merda eu tenho que fazer, além de tudo isso, pra ter o reconhecimento que mereço?
Como uma pessoa que sabe menos que eu e que eu faço o trabalho todo pode dizer isso de mim?
Sabe, nessas horas, eu páro e penso lá atrás, desde o comecinho, quando eu ainda era criança. Que merda eu vi de bom em tudo isso?

terça-feira, 8 de julho de 2014

dedo podre - parte 4

Na nova agência foi tranquilo, pela primeira vez tinha um time de gente boa trabalhando no mesmo lugar. Porém, nada me desafiava profissionalmente, e apesar de também ter feito muitos amigos do tipo pra sempre, me colocaram abaixo de uma pessoa do tipo asno.
E aí minha inteligência se ofendeu e achei que deveria mudar de novo. Tive uma briga feia com o VP, que mais parecia ter 12 anos e que há duas semanas soube que foi demitido (é, o mundo gira), enfim, depois disso, mudei novamente pra uma agência que prometia ser "O" desafio.
O desafio foi "O" fiasco. Trabalhei com pessoas do tipo tapadas, que não acrescentaram absolutamente NADA na minha vida, nem como pessoa e muito menos como profissional. 
E apesar de eu ter ficado ali só 6 meses, ali foi onde aprendi e vi muito de perto o quanto realmente eu tô lascada na minha profissão. 
Lá tem um monte de diretor que é diretor porque é amigo do amigo do fulano. O VP mesmo era marido da filha do ciclano. O outro porque sempre sorria, o outro porque era de uma família rica, a outra porque tinha influências ótimas, e por aí ia.
Uma coisa de dar nojo. Gente que não podia ser demitida porque era filha de cliente, outro porque era mulher do dono. Olha, nojento mesmo.
E eu só pensava: meu deus, e o meu talento? meu trabalho? tudo o que sei? tudo o que faço? 
Sabe o que eu ganhei??
Ganhei a seguinte conversa no dia da minha demissão:
- Olha, você não deu muito certo aqui, você é muito quietinha, não se mistura... não pode... você precisa interagir mais...
-- nesse momento, na minha mente, visualizei milhares de socos na cara dessa mulher -- mas, fiz cara de paisagem...
- Olha, eu sinto muito, mas devido ao corte, vamos ter que abrir mão de você... mas, eu tenho certeza que você trabalha bem...
Lembro que a única coisa que respondi com convicção, enquanto mentalmente agradecia a deus pela demissão, foi: 
- Não, você não pode ter certeza de uma coisa que você não sabe, você nunca viu meu trabalho, você nunca me deu um desafio, saio daqui triste por você não poder ter uma opinião verdadeira sobre o meu trabalho.
Ela fez uma cara de espanto, do tipo que não esperava essa resposta, eu agradeci e ela me abraçou. Disse que me ajudaria no que fosse preciso. Obviamente se ela nunca me ajudou nem quando eu era sua funcionária, não me ajudou em porra nenhuma assim que eu saí pela porta da frente.
Algum tempo depois, encontrei com ela numa festa do mercado e ela A) ou fez que não me viu ou B) realmente nem me reconheceu.
Sim, isso acontece muito. Aliás, até eu aprendi a fingir que não vejo certas pessoas em certas ocasiões.
Mas, depois dessa, vim pra agência onde estou hoje. 
Assunto para outros posts, mas prometo que está chegando ao fim.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

dedo podre - parte 3

Sair da melhor agência foi uma experiência horrível. Ouvi tanta barbaridade da VP de mídia da agência no meu último dia, que foi a primeira vez que pensei em desistir da profissão. Infelizmente essa pessoa viria a cruzar o meu caminho novamente.
Passado o sufoco da minha saída, fui pra minha terceira agência, uma agência bem menor (o que pra muitos era burrice da minha parte), mas que vejo como a melhor escolha que fiz na época.
Consegui um up grade (tanto em cargo quanto em salário), porque na minha profissão é assim que funciona: você dá seu sangue e faz tudo pela agência e na primeira oportunidade, ao invés de reconhecerem seus esforços, contratam alguém igual ou pior que você pra ser seu chefe. É assim que funciona e pronto.
Então, lá fui eu. Só que pra azar meu, ao invés de ser chefe de alguém melhor que eu, tive uma chefe pior que eu. E uma diretora que falava português tudo errado.
Mas, querendo ou não, pelo pouco tempo que fiquei lá, aprendi muito mais coisa do que na anterior e tinha uma parceira ponta firme, e assim ficou mais fácil aturar receber ordem de quem sabia bem menos que eu. Coisa completamente normal até hoje.
E foi aí que o Gui me ligou e me convidou pra trabalhar com ele em uma outra grande agência. Lá fui eu, dando pulos de alegria.
Nessa nova agência eu fiquei por 4 anos e foi onde fiz muitos amigos que tenho até hoje. Ah, esqueci de mencionar algumas das coisas glamourosas, viagens, fomos pra Comandatuba e Angra nas festas de fim de ano, ganhei dezenas de presentes bacanas, shows, camarotes, etc. Essas coisas ainda tinham e de monte, o que fazia valer um pouco a pena.
Mas, foi ali que percebi que infelizmente você precisa mais do que ser bom no que faz. Não basta fazer bem o seu trabalho. Aliás, você nem precisa fazer, basta fingir que sabe, fingir que faz e ser amigo das pessoas certas.
Foi aí que tive minha terceira decepção e pela segunda vez pensei em desistir da carreira. Voltei a trabalhar com a bruxa malvada do leste (aquela da minha saída torturante da melhor agência do mundo), que pesadelo, mas enfim, tive que passar por isso.
Depois de tanto tempo lá, vendo coisas que nunca vá entender acontecer, vendo os amigos partirem, acabei também decidindo mudar mais uma vez.
E lá fui eu pra outra agência.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

dedo podre - parte 2

Aí você deve estar pensando: nossa, que ducaralho ser publicitário.
Eu também era inocente a esse ponto. Mesmo quando via minha mãe chorar por ter sido humilhada por não ter uma roupa de marca. Mesmo quando excluíam minha mãe dos grupos por ela não ser tão descolada, mesmo quando ela era demitida por várias e várias vezes.
Mesmo com tudo isso, eu ainda achava que era bacana. E insisti na teimosia.
Bom, aí fui pro meu primeiro estágio na área. Lá eu ainda consegui manter minha inocência intacta. Só conheci gente boa (ou ao menos eu era boba demais pra perceber certas verdades), mas o fato é que tive uma base bacana que deu o start na minha carreira. Pessoas que me ajudaram e tal. Tinha muito glamour sim, lembro que o presente mais bacana que ganhei na época foi o recém lançado iPod, ninguém aqui no Brasil tinha esse treco.
Não consigo falar muito dessa primeira agência porque eu era realmente muito crua, tanto quanto pessoa como profissionalmente, então, não consigo dar um depoimento muito verdadeiro. Eu era realmente feliz e não sabia.
Foi aí que me chamaram pra trabalhar na maior agência do Brasil. E aí meu olho cresceu e obviamente aceitei o desafio no mesmo minuto. E foi ali que tudo começou a mudar, a ficha caiu e coisa e tal.
Lá sim, talvez por ser maior, talvez por ser a melhor, tinha (e deve ter) um monte de coisa que eu não entendia. A começar pelo fato de pessoas bonitas terem muito mais chances de trabalhar lá. Uma vez demitiram todos os gordinhos de uma única vez. 
Ali sim era um querendo enfiar a faca nas costas do outro, um querendo o lugar do outro, pessoas agindo de má fé, sem escrúpulos, gente transando com chefe pra conseguir promoção, enfim, coisas que eu nem consigo descrever por aqui.
E não era só isso. Era gente incompetente em cargos altos, mas se esse alguém usasse uma calça Diesel e soubesse rir de piada sem graça, bastava. Ah, e claro, se fosse bonito(a) e gostoso(a), melhor. Foda-se o quanto de conhecimento essa pessoa pudesse ter.
Até hoje tem gente muito, mas MUITO mau caráter lá. Não saí de lá por isso, resolvi mesmo sair porque ninguém me desafiava profissionalmente. Me colocavam ali de canto, como se fosse uma planta, pra que eu fizesse o que ninguém queria fazer, mas não tinha ninguém que estivesse a fim de me ensinar ou investir no meu potencial.
Exceto duas pessoas: uma que me indicou na minha próxima agência e anos depois foi minha diretora em outra, e o Gui (que já falei muito por aqui), um ser iluminado, que me ensinou tudo o que sei, e que depois também foi meu diretor e hoje é um amigo pra todo sempre.
Histórias pros próximos capítulos.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

dedo podre - parte 1

Pode parecer um saco a infinidade de posts que coloco aqui reclamando sobre minha profissão, muitos até comentam que eu deveria tentar fazer outra coisa, até tentei, mas não deu muito certo e também não é tão fácil assim.
Mas, eu sinto muito que esse possa ser um assunto chato pra algumas pessoas que por ventura passarem por aqui, mas como o blog ainda é um espaço de desabafo meu, preciso colocar o que penso e sinto por aqui.
Até pra um dia, lá na frente, ver o quanto eu estava certa ou errada, chorar ou dar risada, sei lá. Eu tenho o costume de reler meus posts. Normalmente me faz bem.
Então, voltando ao tema desse {e de alguns outros que virão na sequência}, vou falar sim da minha profissão de novo.
Só que dessa vez vou começar do começo.
Já mencionei brevemente por aqui antes, que cresci num ambiente de publicitários. Nasci nos anos 80, filha de pais publicitários, padrinho publicitário e muitos amigos publicitários dos meus pais. Meus pais se separaram, eu nem sei quando, então só tenho mesmo lembrança dos amigos da minha mãe. Embora meu padrinho fosse  amigo do meu pai.
Minha mãe vivia me levando nas agências que ela trabalhava e eu achava aquilo tudo o máximo. Eu vivia enfiada na parte dos criativos, alguém sempre me dava papéis e canetinhas pra eu passar o tempo, mas eu achava tudo muito incrível.
Enquanto o chato do meu tio estava sempre de terno, a esposa dele sempre de social, eu achava muito mais legal minha mãe de jeans, num lugar cheio de gente descabelada e vestida de qualquer jeito.
Minha mãe trazia um monte de presente pra casa, quase todo dia. Eu levava um monte de coisa bacana pra escola, coisa que ninguém nunca tinha visto. Carregava os brindes com a marca da Globo e me achava o máximo.
Acompanhava sessões de foto, gravações de comerciais, bastidores com gente famosa. A gente ia em qualquer show que quisesse, de graça, comia de graça, ia ao cinema de graça, tinha camarote, festas, viagens, enfim, tudo de graça. Quem não ia gostar de uma vida dessas?
Tinha também o outro lado, minha mãe cansou de chegar do trabalho de madrugada em casa por causa de alguma campanha, e ainda assim eu achava o máximo. Ela chegava em casa cheia de papelada, tabelas, calculadora, máquina de escrever (sim, máquina de escrever), planilhas, canetas coloridas, e eu ficava namorando tudo aquilo.
Achava demais assistir o Fantástico esperando entrar o comercial que minha mãe tinha colocado lá. Era muito divertido.
Aí cresci e desenvolvi uma paixão por escrever. Pensei em jornalismo e tentei algumas faculdades, mas por 2 anos seguidos acabei não conseguindo entrar onde queria. Aí vi que o curso de publicidade tinha um pouco mais de vagas disponíveis, então decidi prestar pra esse curso com o intuito de mudar no meio do caminho.
Deu certo, passei em publicidade, só que acabei gostando do negócio e decidi continuar no mesmo caminho.
Se arrependimento matasse, eu estava mortinha, dura e seca.

Nos próximos posts vou detalhar um pouco mais como foi (e é) minha trajetória nessa minha nada mole profissão.