segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

beatlemania, só que Paul

Os Beatles, pra quem não sabe (alguém não sabe?), foi uma banda de rock britânica, formada por 4 meninos de Liverpool (John, Paul, George e Ringo), em 1960.
Eu disse mil-novecentos-e-sessenta, tipo assim, há 54 anos atrás. Minha mãe foi fã (e ela tem 57 anos hoje). E de crescer ouvindo seus discos na vitrola velha, Beatles se tornou referência pra mim. Eu não conseguia ficar parada quando tocava Twist and Shout, Help, entre outras. Cantava tudo errado as letras de Let it Be, Here Comes the Sun e Hey Jude, mas cantava. Sem entender nada, mas amava.
Era apaixonada por John até ver aquelas fotos horrorosas dele pelado com Yoko, numa fase bem estranha e tal. Mas, era John, era Beatles, era aquilo.
Aí que o Paul nunca foi meu beatle predileto, e muito menos como músico solo, mas né, era Beatles.
E então, às vezes, o universo conspira um pouco a nosso favor, e aos 45 do segundo tempo, pintou um par de ingressos na minha mão. Tem noção? Do nada, assim, sem pedir, sem esperar.
Não pude deixar de ir né.
Companhia perfeita, num estádio lindo (é do rival, mas a verdade tem que ser dita, tá fudido mesmo), um dos shows mais fodásticos da minha vida com certeza.
Cara, ali, 54 anos depois, era 1/4 de Beatles (como diria minha amiga Nath). Não dá pra dimensionar a emoção. Ali, na pista, gente de todas as idades cantando a plenos pulmões, chorando, sorrindo, dançando, pulando, curtindo muito.
Foi bem mágico, eu diria. Um momento que não tem como explicar, é sentimento puro.
Choveu tudo o que não choveu nos últimos tempos. E choveu lindamente durante Hey Jude. E poderia chover mais, muito mais. Foi perfeito, inclusive a chuva.
Foi espetacular.



E digo mais, Paul não era meu favorito (ainda não é, hehe), mas ganhou meu carinho sincero. Ele parecia um vovôzinho (queria abraçar ele!!!), mas mandou muito bem.
Sempre digo isso, pra música não existe língua, tempo, nada! É puro sentimento! Sem barreiras!
Você não ouve música, você sente música.
E assim foi, nesse show maravilhoso do Paul.
Inesquecível, com certeza!

Um pedacinho de uma das músicas que me emocionou (entre tantas outras), Blackbird.

E um pouquinho de Beatles!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

onde vamos parar?

E quando você percebe que a pessoa que você achava ser sua outra metade, de repente pode não ser?
Por várias vezes já discuti com Ri por conta disso: essa necessidade que ele tem de querer me transformar numa outra pessoa. Ainda que numa versão melhor de mim. 
Cansa.
Ri me encanta por ter um jeito assim, digamos, "poliana" de ser. Ele consegue mesmo ver o lado bom de tudo. Até quando não há. Já eu, eu sou diferente. Só consigo enxergar o lado bom de algo que eu acho que tenha mesmo.
Então, quando ele pergunta como foi meu dia, normalmente encho o ouvido dele com lamentações, reclamações e etc. Normalmente falo mal (eu acho que falo a verdade, mas ele acha que eu falo mal) do meu diretor e de algumas outras pessoas que trabalham comigo.
Ele odeia. 
E eu odeio, quando eu mais preciso que ele me entenda ou simplesmente me apoie (nem que seja ficando mudo), lá vem ele me dizer pra entender o lado do cara. Às vezes eu acho que ele confunde mau caratismo com força de vontade.
Ele já percebeu que no meu mercado, pra subir na vida, temos que ser filhos da puta, puxa saco, político. Coisa que eu abomino e que ele me pede pra tentar ser. Vai tão contra meus princípios. E pior, ele não é nada disso, mas quer que eu seja.
Aí tem o lance da família. Eu cresci numa família desfeita. Não tenho lembrança do meu pai, minha mãe trabalhava fora desde sempre, minha vó praticamente fazia o papel de mãe quando ela não estava, eu odiava meu tio porque ele era um grande filho da puta, teve filhos em cada parte do Brasil, o que resultou em uma falta de relacionamento com meus primos, enfim, não teve esse lance família.
Já o Ri vive pra família. Toca o telefone porque precisa trocar uma lâmpada, lá vai ele correndo. Faz questão de almoçar todo domingo na casa dos pais, adora reuniões que juntam todo mundo, tem tradição de passar natal tudo junto e tal.
Eu até acho legal, mas desde que não vire obrigação pra mim. Vou e faço por ele, mas tem hora que não aguento. Pra mim é demais, não tenho essa criação, esse costume. Sou mais 'livre", mais independente. E ele não aceita isso.
Diz que não pode fazer as coisas de família se eu não estiver junto. E pra mim, confesso, às vezes é um porre. Não casei com a família dele... acho um saco!
E tem a irmã que só fala merda, vive num mundo só dela, numa realidade só dela, e me incomoda muito as groselhas que ela fala, do tipo: "quem não fez faculdade é ignorante", "não dá pra viver com um salário menor que 20 mil reais por mês", enfim, banalidades e futilidades do tipo.
E ele fica puto que isso me incomode. E fica puto por eu não gostar dela, não querer conversar com ela. Que eu tinha que relevar.
Que eu tinha que parar de falar mal dos outros.
Que eu tinha que parar de reclamar.
Que eu tinha que fazer as coisas família com ele.
Que eu tinha que estar mais junto dos meus amigos.
Que eu tinha que dar mais atenção pra minha mãe.
Que eu tinha que isso, que aquilo.
Foi no meio de uma discussão boba dessas, que acabei percebendo que talvez eu nunca seja essa pessoa que ele espera que eu me torne.
Não sei... pela primeira vez, em 8 anos, tivemos uma briga feia. E pela primeira vez percebi que é isso. Que talvez eu não seja.
Estamos sem nos falar.
Estranho.
Triste.
Eu não sei.
Às vezes dá um vazio, meio que tô perdida.
O silêncio tá ajudando até a pensar um pouco.
Afinal, nem só de amor se baseia um casamento.
Vamos ver...