quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

um resumo do mais do mesmo

Os últimos dias do ano estão sendo mais do que puxados, mais do que pesados, mais do que insuportáveis. Tá tenso.
No trabalho continua de mal a pior. Talvez o próximo passo seja eu estapear minha diretora. Eu não queria, mas acho que vale registrar o último diálogo que tivemos pra, se deus quiser, eu rir no futuro de tudo isso.
Ontem, após eu refazer um trabalho que a digníssima solicitou por ser anta demais e não compreender nada, ela continuou sem entender o óbvio (afinal, era matemática pura) e iniciamos a seguinte discussão (digna de um Oscar):
- Ju, tá errado esse trabalho de novo, não é possível...
- Então Horácia, nunca esteve errado, você é que não entende de jeito nenhum...
- Nossa, você é muito agressiva... não dá mais!
- Concordo, não dá mesmo.
- Mas, olha aqui, tô abrindo os arquivos e não bate nada com nada, tô falando que tá tudo errado...
* 1 minuto de silêncio enquanto eu abria o mesmo arquivo no meu computador *
- Nossa Horácia, olha só que incrível, aqui no meu computador tá tudo batendo. Que mágica será essa que eu faço?
Uma bufada depois, ela diz:
- Que saco! Acho que abri um arquivo errado então, não sei...
- Ah tá. 
- Não, mas tá errado...
Aí eu já tava perdendo a paciência, ou melhor, sem paciência alguma mandei:
- Ah, então faz aí você, não é você que vive falando pra todo mundo que faz tudo sozinha, então faça você.
- Eu não.
- Não? Não é o que me falaram...
- Foda-se!
* 1 minuto de silêncio *
- Você não faz nada que eu peço.
- Não? Me fala uma coisa que você pediu que eu não tenha feito.
- Não é isso, você faz tudo mal feito e errado.
Neste momento eu fiquei possuída e falei em um tom mais alto: ERRADO?
- Agora você vai gritar comigo?
Levantei e fui bem do ladinho dela e falei:
- Me mostra agora o que foi que eu fiz errado. Me mostra agora o que eu fiz mal feito.
- Sai daqui!
- Me mostra agora!
- Sai daqui ou vou ter que chamar alguém pra te tirar daqui.
- Chama quem você quiser, mas antes me mostra.
Aí a pessoa sai andando, e eu finalizei com a frase:
- Falar é fácil, provar já é outra história né?

E assim peguei minha bolsa e fui pra casa.
Meu diretor, que até agora não moveu um músculo pra resolver essa situação ao qual ele está ciente, nem tchum.
E vida que segue. Nesse climão bom de deus.
Socorro! 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

finalmente acabando

Só pra mim que parece que dezembro tem oitocentos-e-setenta-e-nove-mil dias? Meudeos, parece que não vai acabar nunca isso aqui...
E fiquei pensando se valia a pena fazer o tradicional "balanço" do ano, que nem a Retrospectiva da Globo, mas sei lá, eu tenho até que boas coisas pra agradecer e relembrar, mas também tem as nem tão boas assim. Então pensei que é melhor deixar 2015 na gaveta dos "anos que podemos esquecer" e já ficar na torcida pra que 2016 vá pra gaveta dos "anos que não queremos que acabe".
Ainda restam alguns dias aí pra ser surpreendida por algo realmente bom. Ainda sigo aguardando, quem sabe. 
No mais, por favor, acabe logo!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

refém do idioma

Participei de um processo pra uma agência na semana passada. Um dos requisitos era ter inglês. Até hoje só precisei do inglês em uma agência porque falava muito com a matriz no Japão, com os clientes e com os funcionários gringos que ficavam no mesmo prédio que eu.
Tenho inglês fluente? Não. Mas, que engraçado, escrevo, leio, converso, ouço, falo e entendo. Só que fluente, fluente, não é.
Tenho plena consciência do quanto é importante ter o inglês como segunda língua e sim, sei que é preciso ter fluência. Mas, eu sempre me virei muito bem.
Estudei anos e anos de inglês, em escolas e com professores particulares. Depois estudei sozinha, por conta, até hoje ainda pratico um pouco sozinha, lendo e vendo séries sem legenda. Cansei um belo dia e fui estudar espanhol.
Fiz uns quatro anos, em escola e com professora nativa. Hoje, falo, escrevo, leio, entendo, mas também não posso dizer que sou fluente. Novamente enjoei e fui  atrás de outra língua.
Estudei francês com um professor particular por dois anos. O francês eu consigo até ler, mas entender e falar já são outros quinhentos. Parei por falta de tempo, grana e prioridades.
Quero terminar todas elas, claro, mas a vida é feita de escolhas e prioridades.
Bom, voltando ao tal processo que estava participando, a primeira etapa foi moleza, tenho um bom currículo e sei vender meu peixe numa entrevista. Tenho conhecimentos que a maioria do pessoal da minha área não tem: pesquisa de mídia. Então, passei pra segunda parte fácil.
Depositei ali todas as minhas esperanças de finalmente sair de onde estou e que está insuportável aturar. A segunda fase foi com um pica grossa do departamento: o chefe do chefe. No meu currículo está escrito inglês e espanhol avançado e francês básico.
Conversamos em inglês e ele ainda mandou uma pergunta em francês que consegui responder tranquilamente. A conversa em inglês foi meio truncada, mas entendi perfeitamente o que ele me perguntou e respondi o que queria dizer.
No fim, ele até me passou pra terceira fase, com o RH, mas mandou um "se a gente não se ver mais, boas festas" e também acrescentou "seu inglês tá bem enferrujado, você precisa aprender inglês de qualquer jeito".
Eu pensei, caraleo, sim, eu preciso terminar meu curso e sim, aprender um pouco mais, mas porra, nós não conversamos? Nós não nos entendemos agora mesmo em inglês e francês? Daí também não entendi porque ele me desejou boas festas se teoricamente ele tem pressa em contratar a pessoa. E também não entendi porque ele me passou pra fase com o RH, ah lembrei, ele também disse "se não for dessa vez, quem sabe numa próxima".
A moça do RH me explicou todos os benefícios, ou seja, colocou o doce ainda mais pra dentro da minha garganta, só me deixando com mais vontade de trabalhar lá. Mas, no fim deixou bem claro que talvez a questão do inglês pudesse pegar.
E que se eu passasse pra quarta e última fase do processo (entrevista com o chefe do chefe do chefe) ela me avisaria por email. Saí de lá dando risada.
Tenho 99% de convicção que não vão me ligar e que eu não vou adiante na vaga. E daí eu me pergunto: inglês é uma coisa que qualquer um pode aprender, eu não estudo e pratico há uns 4 anos. Nada que eu não pudesse retomar e desenferrujar meu idioma. Afinal, é perceptível que tenho facilidade, afinal, tenho 3 línguas no currículo.
Mas, entre ser um bom profissional técnico, teórico e prático na área ou somente ter o inglês fluente, qual candidato vão escolher?
Sim, pois sim. O duro é saber que talvez seja um profissional bosta (como a maioria que conheço), mas que fala inglês fluente.
Sim, eu preciso correr atrás dessa porra do inglêsfuckingfluente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

pensando

Vai chegando dezembro, fim do ano, e eu sempre faço aquele balanço mental de como foi o ano. De tudo o que deu pra salvar de bom, o que quero esquecer, o que não quero repetir e o que espero que seja diferente pro ano que vem.
E aí que por esses dias eu vi, ouvi ou li por aí duas frases (bem clichês e bem de efeito) que me deram um nó na garganta e me fizeram refletir (e rever) algumas coisas.

"E se amanhã você acordasse só com o que você agradeceu ontem?" - Na boa, eu ia acordar sem nada. Não que eu não seja de agradecer, eu até agradeço sim, mas não todos os dias. É aquilo, eu agradeço quando lembro ou quando alguma coisa me mostra que eu tenho mesmo que agradecer.
Normalmente agradeço minha saúde, a sorte de ter um trabalho, um teto, mas não faço isso com frequência. E pensar na possibilidade acima, de acordar somente com aquilo que agradeci ontem, me fez refletir que o agradecimento deve ser constante.
E ultimamente eu tenho agradecido por várias coisas em vários momentos. A gratidão é um exercício que vale a pena.

"Já pensou se amanhã Deus tirasse da sua vida tudo aquilo que você reclamou hoje? Esse emprego é uma merda. Amanhã, desempregada. Não aguento mais minha mãe. Amanhã, a mãe tá morta." - Esse foi tipo um tapa na minha cara porque eu sou daquelas que reclama demais.
Não que eu não tenha razão, mas às vezes parar um pouco pra pensar se é mesmo tudo assim tão ruim, é bom. 

Fiquei com tudo isso na cabeça e desde então tenho tentado manter um pouco de fé nas pequenas coisas. E agradecer por tantas outras. Até pelas coisas ruins, afinal, elas também servem pra alguma coisa. Pra lembrar do valor das boas, que seja. Enfim, só achei que valia dividir esses dois "pensamentos" porque a vida é tão ligeira que às vezes não vale a pena mesmo a gente esquecer de agradecer e reclamar demais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

que, enfim, seja doce

Ia escrever no primeiro dia do mês aquele mesmo pedido que fiz no começo do mês passado: que dezembro fosse doce, uma vez que não rolou em novembro. Pensei que se eu repetisse isso com muita fé, poderia até se tornar um mantra e, quiçá, realmente ser um mês doce.
Mas, o fato é que dezembro é sempre aquele mês do ano que parece que o mundo vai acabar. A gente quer resolver tudo que não fez durante o ano e fica aquela correria, aquela loucura, que passa num piscar de olhos e você nem consegue perceber se o gosto que ficou foi doce ou amargo.
Só que, mesmo não tendo dado tempo de colocar aqui o desejo de um dezembro melhor, coisas boas já aconteceram nesses poucos dias do mês.
Pouco a pouco, percebi, que o bom trabalho sempre prevalecerá. Infelizmente para aqueles que como eu não sabem vender seu peixe, a coisa acontece mais lenta (bem mais lenta), mas quando acontece tem um saborzinho todo especial.
E esperanças são renovadas, enquanto alguns teimam em me dizer que 2015 já acabou, eu teimo em acreditar que ele não vai e nem pode acabar sem me trazer algo verdadeiramente bom. Então, ainda me restam vinte e oito dias de boas expectativas, eu acredito sim.
E que seja, finalmente, bem doce.