quinta-feira, 28 de abril de 2016

ainda em Minas

Continuando a nossa viagem por Minas, saímos logo após o café de Tiradentes rumo a Ouro Preto. No meio do caminho (mais precisamente a 114km) resolvemos parar em Congonhas. Eu tinha visto uma reportagem há algum tempo sobre as obras de Aleijadinho que estavam lá, mais precisamente na Igreja Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 
São 12 profetas esculpidos em pedra sabão e mais seis capelas anexas, cada uma contando uma parte da Paixão de Cristo, com mais obras de Aleijadinho. É considerado um dos maiores tesouros da arte barroca e tombada pela Unesco como patrimônio mundial.
Como chegamos lá por volta da hora do almoço, aproveitamos e comemos num restaurante de esquina (esqueci o nome), naquele esquema: comida típica da boa, sem miséria por 25 reais. 


Chegamos em Ouro Preto, que de lá fica a 57km no meio da tarde. Tivemos uma péssima surpresa com o hotel que reservei. As fotos que estão no booking enganam bem, acho que esqueci de ler as avaliações, que são muito importantes na hora de fechar a hospedagem via internet.
O hotel chama-se Horto dos Contos, fica acima de um posto de gasolina que funciona 24 horas. ou seja, não tinha onde parar o carro. A funcionária que estava lá era mais lesada que uma tartaruga maconhada. Chegamos no meio da tarde e ainda não pudemos entrar no quarto porque a roupa de cama não tinha voltado da lavanderia.
Por sorte, conseguimos uma vaga bem na porta do hotel, meio que no limite com o posto. E graças a deus que a localização era boa, porque nunca mais a gente tirou o carro dali. Bom, fomos dar uma volta pela cidade, já que não dava pra entrar no hotel.
Conhecemos de cara a Igreja Nossa Senhora do Carmo e o Museu da Inconfidência, que ficam na Praça Tiradentes, cinco minutinhos do nosso hotel a pé.
Voltando pro hotel, conseguimos finalmente entrar no quarto. Só que tinha mais um problema: falta de tomadas. Ou a gente ligava o ventilador ou carregava o celular. E na outra, ou a gente ligava o frigobar ou assistia TV.


À noite, descemos a Rua Conde de Bobadela atrás de algum lugar bom pra jantar. Aproveitei e parei em algumas lojinhas e comprei alguns artesanatos. Por fim, escolhemos o Escadabaixo. O lugar parecia mais requintado, tinha até uma pessoa tocando um piano e tal, tinha uma filinha na porta, mas não sei porque nos passaram na frente e nos levaram pro andar de baixo, onde funciona um pub.
Eu curti mais, o ambiente era mais descontraído e tocava um rock´n roll. Achei mais a nossa cara mesmo. E já que o cardápio era o mesmo, gostamos mais de termos ficado no andar de baixo.
Estando em Minas, não poderia deixar de experimentar a cachaça de lá. Escolhi um drink chamado Morena Tropicana, que levava cachaça, suco de limão siciliano, hortelã, abacaxi e gelo de garapa. Ri foi no chopp da casa. Para comer, escolhemos o mexidão do dia (pra mim) que levava o melhor da comida mineira num prato só e Ri ficou com o espagueti ao pesto com filé mignon na manteiga. Tudo muito bom por sinal. Não pedimos sobremesa porque não achamos nada de especial no cardápio.


Dia seguinte foi dia de bater perna e andar sem rumo. A única direção que tínhamos, ao sair de casa, era conhecer a Feira do Largo do Coimbra, popularmente chamada de Feirinha da Pedra Sabão. A feirinha de artesanato ficava bem na frente da Igreja de São Francisco de Assis, que tratamos de conhecer também.
Comprei mais algumas coisinhas dos artesãos locais, tudo muito bonito e colorido como eu gosto. Só pesquisem bem os preços, porque a mesma coisa varia bem de uma barraquinha pra outra. Além disso, pechinche. Eu não sei fazer isso e nem gosto de botar preço no trabalho dos outros, mas Ri fez as vezes pra mim. Conseguimos um descontinho e uma peça de brinde.
Passeando por ali, achamos uma outra Igreja que queríamos conhecer, a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e de lá paramos pra comer num restaurante bem típico daqueles do tipo bom e barato: Adega Ouro Preto.
Dali conhecemos a Casa dos Contos. Era possível visitar a antiga senzala que funcionava no andar de baixo da casa. Achei bem triste. Nunca tinha estado num lugar com o clima tão triste. Nem quando visitei Alcatraz. O ambiente todo me deu muita tristeza. A escravidão é um capítulo muito feio de toda a história da humanidade. Muito triste mesmo.


Me apaixonei, não só pelas portinhas e janelas coloridas, mas também pelos ladrilhos do chão. Olha a louca do ladrilho aí gente!


No fim da tarde, a gente tava bem querendo um docinho surpreendente. Aí fomos no café Chocolates Ouro Preto, ali na Praça Tiradentes e que tinha um monte de gente falando que era mara e tal. Detestei. Decepção total.
Pedi um drink a base de calda de chocolate e sorvete de creme. Odiei o chocolate da calda. Pedi um bolo de mousse de maracujá com calda de chocolate e aí só gostei da calda, mas era muito doce. Ri pediu um pudim de laranja com calda de chocolate. O pudim veio congelado e achei o sabor bem ruim. Enfim, de tudo o que pedimos, só prestou mesmo a água.
Voltamos bem decepcionados pro hotel. Que continuou com as más surpresas: pedimos pra ninguém arrumar o quarto porque esquecemos de levar cadeado pra trancar nossa mala. O resultado foi que o único espelho do quarto simplesmente sumiu.
Fomos atrás de alguma informação, mas lá depois das 8 da noite, pelo que entendemos não fica ninguém, apenas um "vigia". Ele não sabia de nada, meia hora depois disse que alguém tinha ido consertar o chuveiro (oi? o chuveiro não tinha problema nenhum), enfim, e acabou quebrando o espelho. Fiquei chocada, mas não tinha ninguém pra reclamar.
Saímos pra jantar e escolhemos O Passo Pizza. Chegamos por volta das 20h30 e já tinha uma fila, mas conseguimos mesa rapidinho. Um pouco depois a fila ficou realmente gigante. Bom, já que era pra enfiar o pé na jaca, enfiamos com gosto.



A gente passou um pouco de vergonha porque cada prato que chegava o povo arregalava os olhos, provavelmente se perguntando de onde saiu um casal que comesse tanto. Mas, né gente, comer é bom demais!
Pedimos de entrada as bruschettas, vem 4 bem servidas. E depois pedimos uma pizza individual pra cada, não era muito grande não (4 pedaços cada). Pedimos os sabores mais diferentões né, porque portuguesa e calabresa a gente come em casa.
Pedimos funghi e caprese e uma inteira que ganhou até um prêmio, a de 4 tomates. E, claro que ainda tinha espaço pra um doce. E que dessa vez valesse a pena, pra poder tirar da nossa lembrança o desastre daquela tarde.
E esse petit gateau de goiabada com sorvete de queijo cumpriu com louvor essa categoria de sobremesas divinas. Sensacional! Só não voltamos rolando pro hotel porque tinha que subir uma ladeira, porque se fosse pra descer, socorro!

No dia seguinte, logo após o café, decidimos dar um pulinho em Mariana, que ficava a 14km dali. Como era domingo, acredito eu, estava tudo fechado. A igreja principal estava em obras, então não tinha muito o que ver por ali.
Numa mesma praça haviam duas igrejas, em uma estava rolando uma missa e a outra estava fechada. E a Câmara da Cidade, onde antigamente funcionava a cadeia. Visitamos bem rapidinho e quando estávamos saindo da cidade, demos de cara com uma das igrejas mais bonitas (por fora) e diferente que havíamos visto e resolvemos parar pra conhecer.
Pudemos até subir na torre dos sinos, o que valeu super a vista da pequena cidade de Mariana.



E assim finalizamos nossa jornada por Minas Gerais. Não fomos até a Mina de Ouro desativada, achamos muito caro (50 reais) e eu tenho um pouco de claustrofobia. O filme 33 me veio à cabeça e já me deu coisas. 
Almoçamos num restaurante de beira de estrada, que aliás, nesses todos quilômetros percorridos é o que mais tem. E também paramos em uma lojinha de queijos e doces, porque né, tinha que trazer Minas comigo de alguma outra forma.

terça-feira, 26 de abril de 2016

um pulinho lá em Minas

Êta que finalmente saiu a minha tão esperada viagem a Minas. Aproveitamos o feriado e partimos rumo ao roteiro que montei com base nas cidades mineiras da Estrada Real. Saímos quinta bem cedo, lá pelas 5h30 da manhã (sim, fomos de carro porque avião pra mim é só em último caso mesmo) e nossa primeira parada foi São João del Rei, a 471km de São Paulo.
Literalmente fizemos uma parada apenas e conhecemos a Igreja de São Francisco de Assis, acho que a principal igreja da cidade. Pagamos 5 reais pra entrar e dar uma olhada geral. Na parte de trás da igreja tem um cemitério, inclusive Tancredo Neves está enterrado lá. Aliás, acho que só tinha família importante e tradicional enterrada ali.
Eu não acho passeio em cemitério uma coisa interessante de se fazer pra indicar geral, mas comigo funciona bem. O cemitério na verdade era bem pequenininho, então a gente foi lá xeretar o túmulo do ex-presidente sim. Não tenho medo, não sinto clima pesado, nada disso, pelo contrário. Cemitério pra mim é um lugar tão tranquilo que me dá até certa paz. E serve pra lembrar que é pra lá que todo mundo vai um dia mesmo, não importa quem e o que você tenha na vida. 



A gente foi meio que sem roteiro, sendo que as únicas cidades que iríamos parar de forma programada eram Tiradentes e Ouro Preto. O resto seria se desse tempo ou se a gente se interessasse. Em São João não tem muito o que fazer, então da igreja atravessamos a rua pro campus da Universidade onde abracei uma árvore de pau-brasil. A louca, né? Mas, sei lá, eu precisava abraçar aquela árvore. Ficamos sentados sob ela por um tempo, só ouvindo os passarinhos e sentindo o vento no rosto. Sensação de parar no tempo e paz indescritíveis.
De lá, acho que ficamos uma hora no máximo, partimos pra Tiradentes, a 16km dali.

Ficamos hospedados na Santíssima Pousada. Como eu reservo meus hotéis? Na maioria pelo booking.com ou algum outro site parecido. Nunca tive problema (até Ouro Preto e vamos falar mais sobre isso depois). Eu não gosto de gastar com hospedagem, a menos que seja objetivo da viagem desfrutar de um bom hotel. 
Pra mim, o ponto mais importante é localização, quanto mais der pra fazer a pé ou de transporte público, melhor. No mais, uso os lugares pra tomar banho e dormir.
Então, sobre essa pousada posso dizer que tinha uma localização muito boa, bem pertinho do centro histórico, acomodações bem ok (entenda-se confortável e limpa) e um bom café da manhã.



Eu esqueci que tinha escolhido essa pousada por ter uma piscina, acabei nem levando roupa de banho nada. Mas, esse não era o objetivo mesmo, porque não ia dar tempo de usar. Nossa programação pra Tiradentes era de um dia e meio, então, não haveria tempo a se perder mesmo.
A Sandra, dona da pousada, foi muito simpática com a gente e nos deu várias dicas. Como chegamos morrendo de fome, a primeira dica foi pra almoçarmos em Bichinho (a 8km dali) no restaurante Tempero da Ângela, o qual já havia lido muito por aí.
Feito! A estrada é de terra e tava rolando uma cavalgada da inconfidência, aliás, coincidência mor, estávamos em Tiradentes bem no feriado de Tiradentes!! Então os 8km duraram quase meia hora, mas valeu a pena o trajeto.
Bichinho não tem nada além de restaurantes e lojinhas de artesanato numa única rua principal. Então, deixamos o carro num estacionamento e fizemos tudo a pé mesmo. O restaurante é bem disputado, com fila de espera e tudo. Mas, acho que esperamos uns 15 minutinhos no máximo e depois foi só alegria. Comida mineira à vontade por 25 reais com direito a sobremesa.
Morri!


Eu AMO comida mineira! O tempero é realmente digno da fama, a comida é muito boa! É tipo de mãe, de vó, enfim, é amor empratado. Comemos como se não houvesse amanhã (porque se você parar pra pensar, na verdade não há a a a). Sério, eu comi tanto que passei até mal, mas esperei um pouquinho e ainda fiz um pratinho com os doces caseiríssimos, porque né, para gordices não há limites.
Demos uma voltinha pelas lojinhas e paramos no Museu do Automóvel, que fica no meio do caminho até Tiradentes. Uma parada obrigatória para agradar o Ri, mas que acabou sendo uma grata surpresa pra mim também.


Aí voltamos pra Tiradentes pra explorar de vez a cidade.


Cidade histórica, pra mim, já tem um gosto todo especial. E estar ali, naquela cidadezinha que literalmente é uma rua que desce e muitas outras que sobem (e como tem ladeira!), é como fazer uma viagem no tempo.
Eu entro nos lugares e saio agarrando tudo. Principalmente as casas e museus antigos, gosto de passar a mão nas paredes, nas portas, de sentir o cheiro, de fechar os olhos e imaginar quem já passou por ali, o que aconteceu ali de histórico, enfim, viajar mesmo no tempo e no espaço.
Como falei, não saímos com um roteiro de onde ir, mas fomos fazendo aquilo que aparecia pela frente e que achávamos que era legal.
Não fomos à todas as Igrejas, mas fomos à quase todas. Entramos em muitas lojinhas de artesanatos (óbvio hehe) e também de docinhos locais. Comprei um potão de doce de leite e um saquinho de balas de coco de comer rezando.
Aliás, minha gente, o que fizemos muito e muito bem foi comer nessa viagem. Deus tenha piedade de nossa balança depois.



Apaixonada pela cidade, portinhas e janelinhas coloridas. Que lugar incrível onde parece que o tempo realmente não passou. 

À noite, sugestionada por algumas dicas por aí, escolhemos jantar num restaurante mais charmosinho, o Divagar Gourmeco. O dono era um italiano, ou seja, lá tinha ou massa ou risoto. Mas o lugar era bem aconchegante, o atendimento simpático e a comida muito boa. Recomendo, ainda mais pra um jantarzinho a dois, ambiente bem romântico.



A ideia foi cada um pedir uma coisa pra gente poder experimentar tudo em dobro. Sim, pensamento de gordinho super ativado mode always on durante essa viagem. E não há arrependimento. De lá, fomos atrás de uma sobremesa diferentona.
Já havia lido sobre uma famosinha do restaurante Tragaluz, mas estava com fila de espera gigante, então decidimos procurar alguma outra. E, pra nossa surpresa, a mesma sobremesa era servida num cafézinho de uma ruela ali perto chamada Xicrona.
Como a gente tinha comido demais (pra variar), pedimos uma só pra dividir, o que é ideal, mas hoje penso que poderia fazer um pequeno sacrifício e comer uma sozinha hahahaha


Sério, essa sobremesa é de comer chorando de tão boa e única que é! Sensacional!!! O melhor sorvete de goiaba que já comi na vida.

Bem, depois de toda essa orgia gastronômica o que nos restou foi dormir cedo, afinal a gente tava quebradaço da viagem. Dormimos o sono dos justos e dia seguinte, logo após o café, nosso destino seria Ouro Preto.

Diquinhas

* Todas as igrejas cobram uma taxa pra visitação, entre 2 a 10 reais. Algumas com direito à visitação de algum museu anexo. Minha dica é visite todas que puder e se puder faça com um guia. Eu não fiz com guia e fiquei chupinhando os guias alheios, faz toda a diferença.

* Dá pra comer bem e barato. Muitos restaurantes servem comida típica a preços fechados (vi de 13 a 30 reais, a maioria em torno de 25 reais). Vale a pena porque se come muito bem e se paga um preço bem justo.

* No jantar, apostamos em ir a algum lugar mais "fino", então o preço acompanha a experiência do lugar. Pedimos pratos diferentes justamente pra poder experimentar mais coisas. No Gourmeco gastamos uns 200 reais entre entrada, prato principal e cerveja artesanal local.

* Faça tudo a pé, por isso escolha um hotel com uma boa localização. Sapatos confortáveis são essenciais. Não levei tênis, optei por duas rasteirinhas. Uma não consegui usar porque o solado não segurava e lá é tudo ribanceira em pedra, escorrega a beça, então cuidado na escolha do calçado.


*crédito das imagens: pousada e restaurante da Ângela (google images), as demais são minhas


segunda-feira, 25 de abril de 2016

sentimental estou

Finalmente saiu a minha tão esperada viagem pra Minas nesse feriadim bão de Deus. Assunto para posts exclusivos, é claro.
Acontece que voltar pra casa e ter que trabalhar no dia seguinte é uma tristeza só. Lógico que nenhum dia de folga a mais será suficiente pra gente fazer tudo o que quer/precisa. Mas, ajuda né?
Aí hoje eu acordei mais tarde, por conta do rodízio do meu carro (o que já ajuda também a me despedir lentamente do feriado prolongado sem tantos traumas), e acabei ligando a TV pra ver alguma coisa enquanto esperava dar a hora de sair.
Achei um episódio bem antigo de Sex and the City, uma das minhas séries favoritas de todos os tempos. Aí bateu aquela saudadezinha... queria taaaaaanto ficar lá jogada no sofá, assistindo todos os episódios de novo...
Peguei o carro e coloquei o endereço do trabalho no waze, novamente me deu um caminho diferente. Em 12 minutos eu estava passando na frente do metrô Vila Madalena. Lembrei que há exatos dez anos, no meu segundo estágio em publicidade, eu tinha que estar nesse mesmo metrô até no máximo 8h40 pra pegar a van que levava pra agência.
Lembrei que pra conseguir chegar nesse prazo, saía de casa às 6h20. Lógico que morava um pouco mais longe, mas pegar 2 conduções pra chegar lá também contava pra demorar tanto no trânsito. E sorri por ver que hoje levo apenas 12 minutos.
Pensei como eu conseguia senhor?? Aí um pensamento foi levando a outro, que levou a outro e lá estava eu, viajando total nas boas recordações da vida. Pensando realmente como eu conseguia a mágica de fazer faculdade, acordar tão cedo, fazer tudo de condução, enfim, que vida louca eu tinha e como as coisas mudam com o passar do tempo.
Deu saudade de tanta coisa. Apesar de tão corrido, foi tão bom também.
E cá estou, já sentindo saudade do feriado que foi ontem e também de tudo isso que já foi há uma década atrás.
O tempo voa demais.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

filmes pra inspirar

Tenho uma listinha de filmes que estão disponíveis no Netflix pra ver e aproveitei que fiquei de bobeira no fim de semana e escolhi dois dessa lista. Apenas quando terminei o segundo é que me dei conta da imensa e feliz coincidência da escolha: ambos falavam de pessoas reais antes de triunfarem na vida.
Walt antes do Mickey e Coco antes de Chanel. Juro que os títulos são exatamente esses e que escolhi muito aleatoriamente, pois eles não estão próximos na lista. E como acredito que nada, absolutamente nada seja por acaso, os dois filmes me trouxeram novas reflexões que bem vem a calhar com meu momento atual da vida.
Ambos dispensam apresentações, mas eu não tinha a menor ideia de como era a vida dessas pessoas antes delas alcançarem o sucesso. Pra mim Disney sempre foi um gênio e sempre deu certo, mesma coisa Coco. Como havia um mundo antes da Chanel, aliás?
Os filmes são muito interessantes e carregam, cada qual a sua maneira, uma lição pra se levar pra vida: a ideia de que nunca devemos desistir daquilo que queremos (mesmo quando a gente não tem a menor ideia do que seja).
Escolhi aqui um texto de Walt Disney e uma frase da Coco pra inspirar a vida ainda mais.

"E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais do que as minhas próprias limitações 
e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las.
Naquele dia descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde.
Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de amigo.
Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, o amor é uma filosofia de vida.
Naquele dia deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
Aprendi que nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia aprendi que os sonhos existem para tornarem-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo pra descansar... simplesmente durmo para sonhar."
Walt Disney

"A força se consegue com fracassos e não com os sucessos."
Coco Chanel

segunda-feira, 11 de abril de 2016

sete dias


Uma semana no trabalho novo (e não, este não é um post sobre meu trabalho). Esse é um texto sobre sair do lugar comum, da rotina, do que é cômodo. Navegar rumo ao desconhecido dá aquele friozinho na barriga, pra alguns, borboletas no estômago.
Eu tenho um pouco de resistência ao novo, ao mesmo tempo que sempre anseio por ele. É, eu sou meio bipolar mesmo. Não sei me acomodar ao mesmo tempo que amo uma rotina. Eu gosto de desafios, ao mesmo tempo que tenho medo deles.
Eu me apego muito à algumas coisas, especialmente às coisas mais bobas como o toque do telefone de um lugar, disposição da minha mesa, benefícios de uma empresa, o cheiro do lugar e até mesmo do caminho que eu faço.
Eu nunca tinha experimentado um caminho novo pra ir pro trabalho antigo. Nem pra ir, nem pra vir, sempre o mesmo, independente do dia e do trânsito. Era minha rotina, aquele mesmo caminho, os mesmos lugares e a mesma estação de rádio com aquele mesmo programa sobre futebol. Todo dia por quase 3 anos.
Depois da minha demissão inesperada tudo saiu do eixo. Deixei a dieta de lado, a academia, o caminho de costume e até o rádio passou a ser no modo silencioso. Parte do caminho pro freela anterior ainda era como se estivesse indo pra outra agência, então ainda me trazia lembranças e apegos.
Primeira semana sempre costuma ser muito ruim. A gente se sente um tanto deslocada, parece que não nos encaixamos em nada. Eu apertei mil botões do elevador até acertar o andar que eu tinha que ir. E todo dia fiz um caminho diferente que o waze mandou. Mas, voltei a ouvir o programa de futebol de tantos anos.
É, é difícil desapegar de tudo assim. Ainda trago comigo costumes e manias do trabalho anterior. Projetos na minha cabeça que não se encaixam mais nesse momento. É mais ou menos como se eu tivesse sofrido o aborto, onde no caso o feto era eu.
Parece muito cruel ou drástico demais, mas é como me sinto. Fui tirada do meu habitat natural, daquele meu estado de conforto onde eu era dona da minha rotina velha de guerra e fui jogada num trilho onde passava um trem.
Peguei logo o primeiro e já desembarquei fazendo baldeação pra outro destino. E cá estou. Ainda tentando me encaixar, ainda decifrando o lugar e as pessoas. Desapegando pouco a pouco de tudo que já foi pra poder viver o presente como se deve: como um presente.
Confesso: estou morrendo de medo porque tudo é muito novo de verdade. Os processos e até parte do trabalho. Mas, estou encarando como o desafio. Bem do tipo que vai ser um marco na minha vida, mudar tudo mesmo.

E vai, embora eu ainda esteja pisando em ovos e com bastante receio do futuro, eu sei que vai.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

repensando

Mês que vem este blog completa onze anos. Fiquei pensando, especialmente nos últimos meses se devia ou não continuar com ele. Por vários motivos. Porque às vezes leio comentários maldosos por aqui, mal educados e malcriados, outros intrometidos, outros cheios de cinismo, sarcasmo e ironia. Muitos me julgam, outros se acham no direito de me dizer coisas que nem minha mãe ousaria. E aí confesso que isso cansa, desanima.
Fiquei me perguntando muito por que e pra quem eu escrevo isso aqui? Por que eu dedico um tempo da minha vida pra ficar registrando pensamentos e fatos cotidianos da minha vida publicamente?
Por que me exponho a pessoas que nem sei quem são? Outras que até sei e que nem gostaria que soubessem tanto da minha vida assim... Fiquei pensando no fato de ter sido demitida por causa do que escrevo por aqui (pelo menos foi a desculpa que inventaram).
Pra todas essas perguntas eu cheguei à mesma resposta: escrevo aqui porque me faz bem. Me faz bem dividir comigo e com quem mais se interessar, algumas das coisas mais importantes que acontecem na minha vida. Coisas que não gostaria de esquecer.
A memória humana tem limite e prazo de validade, infelizmente. Eu gosto de pegar os posts antigos e reler de vez em quando. Gosto de fazer esse exercício pra entender quem eu era quando comecei tudo isso aqui e onde cheguei.
As evoluções que fiz, os erros que consertei, os vícios que ainda mantenho. As crenças que abandonei, os amores que vivi, os lugares que passei, enfim, a vida como ela é. Fico feliz por ter passado por tantas mudanças e tantas coisas. Esse balanço no histórico da minha vida é bem positivo, graças a deus.
E a conclusão que cheguei desse último balanço e também graças a um comentário que me deixaram num dos últimos posts, me fizeram perceber que realmente eu falo muito do meu trabalho. E normalmente não falo dele positivamente.
O blog nasceu inclusive enquanto eu entrava na minha primeira agência, ainda como estagiária e estava na metade da minha faculdade. Carregava ainda uma série de expectativas que pouco a pouco foram se transformando em ilusões.
Sobre minha carreira cheguei à conclusão de que nunca estarei satisfeita mesmo. Isso será um fato. Não importa onde eu esteja, sempre estarei insatisfeita por algum motivo. O bom, apenas, é que posso trabalhar com algo que sei, consigo ter generosidade pra dividir com quem trabalha comigo aquilo que posso e levar alguns amigos verdadeiros pra vida. De resto, meu trabalho pagará as minhas contas e me permitirá viver a vida que levo. Só isso.
Então, exatamente por isso decidi sim manter o blog ativo. Mas, não vou mais ficar gastando meu português falando ou reclamando de trabalho. Afinal, depois de 11 anos eu continuo a mesma, só pode significar que o problema está em mim.
Ou seja, não vale a pena eu ficar batendo na mesma tecla. Então, já que não posso vencer esse inimigo, vou me juntar a ele. Trabalho não será mais um tema debatido, rebatido, mastigado e vomitado por aqui. Basta.
Vou continuar focando meus textos nas coisas positivas da vida. Naquilo que vale mesmo a pena viver. Nas relações, nos relacionamentos, nas lições, nos acontecimentos, nas viagens, nas conquistas, nas derrotas, qualquer outra coisa.

E tem muita coisa. Afinal, isso aqui é vida.  

domingo, 3 de abril de 2016

a gente pega amor

Meu último dia de freela foi na quinta-feira. E a frase que ouvi logo cedo da minha supervisora foi ah, meu tô triste que hoje é seu último dia porque né, a gente pega afeto né?
Depois de meses tão turbulentos na minha vida profissional, vejo que esse freela caiu na minha vida como um verdadeiro presente de Deus. Desde o primeiro dia, ou melhor, desde a entrevista, me identifiquei de cara com as pessoas.
Eu não costumo me enturmar fácil porque sou muito fechada e tímida, mas quando entrei lá foi amor à primeira vista. Parecia que já conhecia todo mundo há séculos. Houve entrosamento, afinidade e o trabalho, quando tem esse clima, flui tão mais fácil, tão mais leve, tão melhor.
Parceria, sintonia, enfim, tudo o que eu pedia e precisava e não tinha. Foi um período curto e intenso, que passou voando. E graças a ele eu não fiquei desempregada nem sequer uma semana. Foi triste de fato me despedir de lá e das pessoas com quem trabalhei.
Fazer o caminho pela última vez dá aquela dorzinha né, porque a gente pega amor de fato. Aí lembrei que a sensação de sair de um lugar com essa dorzinha no peito é a melhor sensação do mundo. Sensação de dever cumprido e de que a experiência valeu a pena de fato.
Agora é seguir em frente, coisas boas e novas virão. Fé em Deus (nele sempre) que tudo foi e sempre será pro melhor.

Vou repetir uma frase de um outro post aqui e que tem sido meu mantra: caminhos difíceis sempre levam a destinos incríveis, o segredo é confiar na viagem!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

no dia da mentira, uma verdade

Não, eu não soube hoje e não, não é mentira. Começo a trabalhar na segunda. Há dias que eu venho agradecendo todos os minutos que respiro por essa bênção. Afinal, emprego tá bem difícil por aí né?
Sou muito, muito grata por tudo o que passei, de verdade.
Embora eu desconfiasse (e no fundo soubesse até), tinha que ser pro melhor. Como sempre é, se a gente confiar de verdade naquilo que pedimos.
Aprendi várias lições nesse meio tempo. A primeira é que ninguém é insubstituível, mesmo que façam parecer que sim. Confie, desconfiando. 
Aprendi que se posicionar pode ser perigoso, mas é importante. Então das próximas vezes eu não serei tão grossa ou tão bruta com ninguém. Ninguém merece, por pior que a pessoa ou situação seja.
Aí aprendi que orgulho não leva a nada. E pedindo a ajuda de quem eu menos queria, foi exatamente de onde veio. E eu só posso ser grata por ter tido a oportunidade de aprender de novo.
Nada e ninguém (nem o momento) é por acaso. E aqui vou eu numa nova lição. Tenho certeza que vai ser pro bem e pro melhor.
Mais do que nunca sinto que estou onde precisava estar. E muito, muito grata por Deus ter se manifestado de maneira tão mágica e perfeita na minha vida.
Tudo, até o sofrimento, valeu a pena. Me sinto uma pessoa renovada, sinto que cresci e amadureci. Me despertei uma mulher e principalmente profissional diferente.
E agora é isso. 
Logo, logo as notícias boas serão de outra pessoa por aqui. 
Ao infinito e além!