segunda-feira, 29 de agosto de 2016

é apenas matemática {e muito amor}

É só uma casa.
Esse é o mais novo mantra da minha vida: é só uma casa.
Imagine que você levava uma vida X e que de repente virou uma vida Y, pois é, assim é que se encontra minha atual situação. O fato é, exemplificando melhor, nós tínhamos uma renda de 5x e despesas que somavam 4x, ou seja, ainda tínhamos uma folga de 1x pra fazer aquilo que a gente "quisesse".
Aí, vem a vida, o destino ou qualquer coisa e de repente você passa a ter uma renda de 3x, mas as despesas continuam sendo as mesmas. Ou seja, o que antes sobrava, agora falta e muito. E o que mais pesa é justamente o financiamento da casa.
É aquilo, a gente dava conta de boa, nosso plano até era quitar antes do previsto, mas a vida às vezes tem reviravoltas inimagináveis e nos leva a repensar objetivos, rever conceitos e prioridades. Aliás, a grande prioridade das nossas vidas é viajar o mundo e pra isso é preciso um bom dinheiro de sobra.
Lógico que tudo isso pode ser (e tomara que seja) uma fase e que logo a gente recupere a nossa condição de antes, mas mesmo assim,  um financiamento longo e caro de uma casa ainda continua sendo um fardo pesado.
Mas, é só uma casa.
Acontece que apareceu uma boa oportunidade de nos livrarmos de toda e qualquer dívida trocando a nossa casa por um apê de um conhecido. A princípio isso não tinha passado pela nossa cabeça, afinal ele tinha se interessado pela casa da nossa vizinha, que está à venda já há algum tempo.
Mas, vimos uma oportunidade de fazer uma troca e repassar a dívida. E assim conseguir sanar a minha ânsia de viver a vida com um pouco de conforto e extravagâncias. Sim, eu gosto de ter uma vida que me proporcione certos luxos e quero isso pra ontem.
E depois, é só uma casa.
Aí ontem fomos visitar o apê que está uma graça, tudo muito bem acabado e de muito bom gosto, embora os nossos estilos sejam bem diferentes, não há absolutamente nada pra mexer ou arrumar no apê. Está tudo pronto pra morar imediatamente e é na mesma rua da nossa casa.
Fui lá e já fiquei imaginando o que cabia, o que traria, como faria, principalmente com as cachorras, que seria uma baita adaptação e tal, mas que é pro bem de todos, enfim. Fizemos a proposta e hoje são eles que vão visitar nossa casa pra ver se realmente o negócio vai pra frente.
Sabe, a nossa casa... Aquela casa que eu me apaixonei no momento que coloquei os olhos. Que quando entrei imaginei que seria pra sempre e que planejei cada detalhe com todo amor do mundo, zelo e paciência.
Mas, é só uma casa.
Quando voltamos pra casa ontem, fiz um trilhão de planos já considerando tudo como certo. Deu um puta aperto no coração. Porque né, 99% de mim está torcendo pra dar tudo certo, mas tem aquele 1% que ainda se apega ao estêncil dos Beatles que desenhei no rodapé da escada, se apega aos ladrilhos hidráulicos da minha cozinha, escolhido um a um a dedo por nós dois. Se apega ao espaço do churrasco que ainda não fizemos, mas que existe na minha cabeça desde antes da gente se mudar.
Mas, de fato é só uma casa.
Andei pela casa ontem mentalizando esse mantra e pedindo a Deus que aconteça o que for melhor pra acontecer. Que se for pra dar certo, que dê. E se não for, paciência. Ninguém melhor que ele pra saber o que é melhor pra gente.
Perdi o sono, não dormi nada e a sensação foi bem horrível. A gente pensa no tanto de espaço que tem, no instagram recém criado pra mostrar cada detalhe da nossa decoração, e de repente se vê - de novo - num apê ninho, apertadinho e tal.
Só que é só uma casa.
Dessa vida nada se leva e a gente só quer poder mesmo é vivê-la sem se privar. Sem ter tanta dívida amarrada, tanto boleto pra pagar. Trabalhar não só pra poder quitar as contas, mas se dar alguns prazeres. Enfim. Essa é a vida sendo a vida.
E depois outra, é só uma casa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

balanço adiantado

Faltam apenas pouco mais de 4 meses pra acabar o ano.
Tenho alguns planos pra 2017, um deles é tentar ter um tantinho de controle sob minha vida, uma vez que este ano nesse quesito foi uma lástima total.
Me peguei pensando nos planos que fiz ano passado pra este ano e que nenhum saiu do papel. Alguns sonhos inclusive morreram. Mas, 2016 foi um ano libertador e mágico, ao mesmo tempo que destruidor.
Foi uma espécie de tsunami, devastou meus alicerces até então que acreditava serem sólidos, mas não varreu tudo com ele não. Tive a capacidade de aprender muito com meus erros e anseios passados. Tirei muitas lições com as minhas atitudes impensadas. 
Fiz uma viagem interior que nunca havia feito antes e passei a me conhecer e me aceitar mais e melhor. Estou tentando perdoar minhas próprias fraquezas, aceitar aquilo que não posso mudar e buscar coragem pra viver com menos medos.
Mudei de emprego três vezes, sendo duas delas por falta de opção. Uma naquela demissão super significativa e gratificante (libertadora também) e outra porque meu contrato acabou. Fui parar onde nunca imaginei e nem sonhei estar, o que foi também outro aprendizado e uma grata surpresa.
Conheci tanta gente legal esse ano. E me permiti re-conhecer tantas outras. Não fiz as grandes viagens que planejei, mas as poucas valeram a pena. 
Ainda não realizei meus objetivos pós-demissão como profissional, mas todos eles estão listados mentalmente no meu caderno de notas mental e com grau de prioridade altíssimo. Preciso correr atrás do tempo "perdido" deste doismiledezesseis arrebatador.
Que ano surpreendente em todos os sentidos. Positivos e negativos, mas estamos aqui para vivê-lo. E sim, estou sim cheia de gás, sonhos e planos. E se nada der certo, nunca é tarde pra continuar tentando de novo e de novo e de novo.
E sim, ainda anseio por mais surpresas nesses próximos quatro meses e meio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

prazer, essa sou eu

Confesso: sou a pessoa mais covarde que conheço. E, pra mim, não foi fácil admitir finalmente tal adjetivo. Não que eu possa ser definida somente por isso, mas a covardia é algo muito presente na minha essência.
Tenho medo de tantas coisas bobas e tantas outras mais complexas. Logo eu que pago de  corajosa pra quase tudo na vida, mas isso não é verdade. Vivo usando a desculpa de que não quero magoar os outros, mas a verdade é que sempre me faltou coragem pra sair da minha zona de conforto.
Quando pequena sempre briguei com a minha mãe pra que ela não me tirasse da escola porque já estava acostumada com tudo por lá, mesmo que pagar a mensalidade fosse praticamente impossível pra ela. Eu não me importava de fato, só queria mesmo me sentir segura onde eu já estava.
Depois, escolhi a mesma profissão da minha mãe porque achava que seria mais fácil conseguir um emprego, ao invés de fazer jornalismo porque o que eu realmente gostava e sempre gostei foi de escrever. Mas, tinha medo de botar um currículo debaixo do braço e sair caçando um emprego de verdade. Muito mais cômodo usar a rede de influências dela e esperar o emprego bater em minha porta.
Sempre quis morar fora, mas usava a desculpa da falta de grana pra esconder o meu medo do desconhecido. De meter as caras, de ter que me virar, lavar banheiro, viver uma vida sem conforto ou comodidade, não sei. Poderia ir hoje, mas até hoje invento desculpas, digo que meu tempo já foi, que tenho responsabilidades, mas essa é a mais pura mentira. Eu tenho mesmo é medo.
Vivo dizendo que não sou feliz no trabalho. Já tive algumas ideias pra mudar de vida, já me aventurei em organizar casamentos, mas quando me vi tendo que abandonar a aparente segurança de um salário caindo no final do mês independente de qualquer coisa, me fez desistir de tal sonho.
O nome disso? Medo. Não tive coragem de abandonar o que já sei fazer pra ir atrás de algo totalmente novo e incerto. Podia ter dado muito certo, como podia ter dado muito errado. Exatamente como todas as escolhas da vida, mas meu medo é mais forte que tudo.
E olhe, não é fácil admitir ao mundo a minha covardia. Mas, não sei, isso estava me consumindo. Cansei de esconder meus medos atrás de desculpas esfarrapadas. Estou onde estou e sou o que sou porque sou muito covarde. Eu gosto de ser como sou, é confortável. Eu sei como meu dia começa e também como termina e embora eu sempre pareça desmotivada com isso, na verdade isso me acalma.
Tenho medo do novo, tenho medo de errar, de ser julgada, de falhar, de fracassar e por isso arrisco e tento tão pouco. Sim, essa sou eu, uma verdadeira medrosa inconformada e que tem medo demais de mudar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

mental block

Chegou um momento que não sei se ia acontecer uma hora ou outra, mas está acontecendo: meu bloqueio mental! Shit happens... c'est la vie!
Não consigo produzir nada, nenhuma das minhas ideias, minha mente tá com uma preguiça imensa de pensar, logo meu corpo acompanha essa moleza e parece que estou vivendo meio que no walking dead style.
Confesso que estar no modo automático todo dia até que tem suas vantagens, cansa menos, estressa menos, mas acho que vive-se menos também. Não sei dizer o que está acontecendo, só sei que é isso mesmo. 
Minha rotina nas últimas duas (ou será 3?) semanas tem sido acordar, trabalhar, voltar pra casa e assistir Friends. Sim, eu nunca tinha assistido desde o começo e aproveito o meu caso de amor com a Netflix pra colocar todas as séries do mundo em dia. E outra, Friends é leve, tudo o que preciso pra finalizar meu dia.
Abandonei todos os meus projetos: instagram de decoração, playlists de vídeos de auto maquiagem, diy, cozinhar, etc, etc, etc. Meio que criei um mundo paralelo onde minha mente não faz mais do que o basicamente necessário.
E confesso: estou amando.
Socorro! Sim ou não?

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

a vida e suas escolhas

Uma amiga muito querida, e de quem sou fã, resolveu fazer uma newsletter com seus deliciosos textos e nos agraciar com eles de tempos em tempos (não tenho certeza de que seja semanal, mas por mim até podia ser diário). 
Como eu já adorava seus textos, receber esse "drops" {como ela carinhosamente chama} sempre me faz abrir um sorriso ou refletir sobre os pontos que ela coloca. Ou conhecer uma banda nova que ela indica ou ler uma coisa que eu não esperava com suas dicas de leitura paralela.
E o drops de hoje foi tão assertivo que parece que foi escrito pra mim. A partir de uma experiência dela, uma lição de vida pra qualquer pessoa. O texto falava sobre arrependimentos vindos das nossas escolhas.
Por mais que eu não costume me arrepender das escolhas que faço, mesmo quando elas são as mais erradas do mundo, eu sempre penso que fiz aquela escolha tentando acertar. O que parece bem óbvio, mas nem sempre é.
Eu sempre parto do princípio de que é melhor se arrepender de ter feito do que de morrer com a dúvida de não saber como teria sido. E sempre acho que nossas escolhas nos levam exatamente pra onde devemos estar. Nada, nada é por acaso. Nem as escolhas certas e nem as erradas. 
E que não é justo a gente mesmo se julgar depois da decisão tomada. A vida é assim mesmo, e eu acho que são essa pegadinhas da vida que fazem da gente o que a gente é. Ou a gente acerta ou pelo menos aprende com o erro. Ou seja, toda escolha tem seu lado positivo.
E adorei uma frase dela que dizia que "o grande pulo-do-gato está em saber dar às coisas o peso que elas tem e seguir em frente".



















Obrigada Nath por ter a coragem de se expor tão lindamente e abrilhantar meus dias com pensamentos tão bons sobre muitas coisas da vida.