quarta-feira, 21 de junho de 2017

sem controle

Ontem fui brincar com uma amiga sobre uma vaga preenchida onde ela trabalha e fui totalmente surpreendida.
- oi miga, vi que tinha uma vaga aí e você nem me indicou... 
- verdade, a vaga era pro meu lugar, fui demitida ontem
...
...
...

Essa amiga conheci ano passado durante um freela em outra agência e, meses depois, viemos a trabalhar juntas onde estou hoje. Muitas coisas aconteceram, inclusive decepções, desgostos e humilhações (infelizmente) tão comuns na nossa profissão, e fizeram com que nós duas procurássemos um novo trabalho.
Na época, desisti da vaga que ela acabou ficando. Desisti não, na verdade decidi dar mais uma chance e continuar onde estou. E então, dei toda força pra que ela fosse atrás daquela oportunidade, que era muito melhor, inclusive.
Achei que seria ótimo pra ela, ganhar mais bem na época do casamento dela chegando. Sei bem como essa época é foda em termos de dinheiro, então ficamos super felizes que as coisas deram certo. Com o tempo, ela conseguiu formar uma puta equipe legal, daquelas que dá até gosto trabalhar junto.
Conhecei a galera no casamento dela, esse ano. Todo mundo entrosado, parceiro, verdadeiro. Mas, aí, como nada é muito perfeito na nossa carreira, basta mudar uma pessoa e essa pessoa ter o poder pra do nada, tudo mudar.
Infelizmente nossa carreira é assim. Sobem os puxa-sacos incompetentes, sofrem os que não sabem lamber ninguém. Cresce quem tem "amigos", estagnado fica aquele que não sabe fazer politicagem. E assim segue a vida.
A pessoa mal chegou e já saiu demitindo geral, sem nem dar a chance de conhecer o trabalho da pessoa. Sequer de conhecer a pessoa. E lá vai minha amiga, sem nem completar um ano, entrar pra estatística do gigante desemprego desse país.
E hoje, ironicamente, é dia do mídia. Nossa profissão. E é por coisas como essas que eu me pergunto: até quando senhor? 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

castelos de areia

Quando eu era criança andava muito de ônibus porque lá em casa a gente quase nunca teve carro. E nessas andanças pela cidade dentro de um ônibus, quase sempre passava em frente à uma casa gigante, antiga, térrea, com um quintal e um jardim enormes que ficava bem na principal (ou talvez única) grande avenida que eu conhecia.
E certa vez, minha mãe me disse que compraria ela pra mim. E toda vez que passávamos em frente à ela, fazíamos planos. O que mais me fez sonhar, secretamente é claro, foi a casa na árvore que minha mãe disse que faria pra mim.
E vez ou outra a gente escolhia uma árvore diferente pra poder fazer a tal casa. Eram tantas as árvores naquele quintal, que eu sempre queria a maior ou a mais alta, mas minha mãe achava que era melhor escolher a mais forte pra aguentar a casa.
Um belo dia, ao passar lá em frente, máquinas e tratores estavam derrubando a casa. Ué, será que minha mãe mudou de ideia e mandou derrubar tudo? - pensei. Naquele terreno nunca mais fizeram nada, até hoje. Derrubaram toda a casa e não sobrou nenhuma árvore pra contar história.
Demorei a entender que aquilo era um sonho que sonhamos juntas, mas que na verdade ele nunca deixaria de ser um sonho. Minha mãe nunca teria dinheiro pra comprar aquela casa. Não sei por que os adultos fazem algumas promessas que não podem cumprir. 
Eu sei que era um sonho, mas me fazer sonhar um sonho impossível foi uma das minhas primeiras decepções da vida. Lógico que minha mãe nem imagina isso, sequer deve lembrar dessa casa ou dessa promessa, mas eu sim, eu nunca esqueço.
Aquela casa na árvore que nunca existiu foi meu primeiro castelo de areia. E agora, estou vendo e vivendo mais um castelo ruir. Dessa vez, por minha culpa mesmo. É triste, mas é verdade. E isso me lembrou dessa história.
Talvez minha mãe estivesse, inconscientemente, me preparando pras decepções da vida, pros sonhos que temos que deixar de sonhar, não sei. É triste a gente ter que abrir mão de um sonho... mas, faz parte de viver a vida.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

de repente 30

Às vezes gostaria que aparecesse um furacão, igual aquele de Oz, em que eu pudesse me perder e acordar num lugar novo onde tivesse chance de viver mais uma vez. Ou como a própria Dorothy, aprender que realmente não existe mesmo lugar melhor no mundo do que nossa casa. 
Mas, infelizmente não vivemos em contos de fadas. Nem de bruxas. Vivemos a vida real. E ninguém nunca me disse que seria tão complicado. 
Me lembro bem que eu só queria crescer pra poder morar sozinha e ter minha vida. Pois se eu pudesse voltar atrás ou retirar o que eu disse, preferia passar minha vida presa na época da escola, igual aqueles filmes que a pessoa acorda no mesmo dia todo dia. Ao menos eu poderia fazer algumas coisas diferentes só por diversão.
Aquela época era tão mais fácil. Minha única preocupação era não perder a hora, fazer a lição, estudar pra prova e pegar aquele carinha da outra sala. Nem sempre nessa ordem. Passava o resto do dia ao telefone com as mesmas amigas que eu tinha passado toda a manhã juntas.
Falando sobre coisas que podiam esperar até o outro dia, mas eu nunca queria esperar. E se esfriasse, chovesse ou a sessão da tarde fosse muito chata, eu podia simplesmente tirar um cochilo de horas que não ia ter perdido nada.
A janta estaria pronta, a louça seria lavada e eu iria pra cama onde passaria a noite toda ouvindo música no meu diskman. E quando chegasse o fim de semana, eu não teria que me preocupar com a roupa lotando o cesto ou a compra da semana que precisa ser feita. Ou qualquer outra coisa, porque certamente quando eu acordasse tudo já estaria pronto.
E segunda começaria tudo de novo. Até que viriam as férias e eu não precisaria nem acordar cedo mais. E eu tinha tanta pressa.
Como a gente é idiota. Melhor fase da vida e a gente querendo apressar tudo, viver lá na frente. Ah, se a gente soubesse as complicações de ser adulta. Pode ser que esteja com um pouco de síndrome de Peter Pan. Crescer não é legal, não mesmo.
Claro que tem coisas legais, mas nada se compara aos meus treze anos. A gente trabalha pra pagar conta, paga conta pra poder levar a vida, mas não leva a vida que a gente gostaria de ter. A gente tem que ser honesto pra não ser preso, e tem que dar conta do trabalho, da casa, da roupa e da louça suja que tá lá na pia.
Administrar a gasolina pra durar a semana toda, fazer malabarismo com as compras da semana, virar mágica pra brotar dinheiro de onde não tem, ser feliz, estar satisfeita com o peso na balança, ter o cabelo arrumado, a roupa alinhada, a unha feita.
Fazer a janta, agradar o marido, limpar o cocô do cachorro, lembrar de pagar a faxineira, comprar o presente de aniversário de alguém que já é amanhã, comparecer as festas, reuniões de condomínio, votar nesses políticos canalhas, passar na padaria pra pegar um pão.
Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Em alguns dias ser humilhada, desrespeitada e ter que engolir porque os boletos vão continuar chegando. Fazer sexo quando não tiver vontade, porque né, tem que fazer. E fazer quando tiver vontade também porque somos humanas. 
Arrumar um jeito de fazer academia, yoga, corrida, dieta, terapia. Ler um livro, ir ao cinema, sair com os amigos. Manter os amigos. Ter tempo pra todos e pra tudo. Um pouquinho de tempo pra você mesma, quando você conseguir lembrar que você também existe.
Socorro, onde aperto o botão pra parar tudo??? Por que tudo tem que ser tão rápido??? 

terça-feira, 13 de junho de 2017

criativamente

Ando lendo muita coisa, vendo tanta coisa (pra tentar esquecer que não ando vivendo) que meus últimos sonhos (ou pesadelos, não sei) dariam um bom filme ou um bom livro.
Na primeira noite tive um sonho incrível, meio que de terror, não sei ao certo. Só sei que foi uma viagem no tempo em que eu vivia numa casa em que havia acontecido muita coisa ruim como assassinatos e tal. E eu via os espíritos das pessoas e meio que tentava descobrir o que tinha acontecido.
Mas, ao mesmo tempo era uma sensação horrível como se realmente aquilo estivesse acontecendo inclusive. Eu me via no sonho como personagem principal. 
Na noite seguinte era um sonho meio apocalíptico, mas muito interessante, que misturava um pouco da fraca série 3% da Netflix com Jogos Vorazes. Só que dessa vez eu não estava no sonho. Era meio que expectadora.
Eu não tinha assistido nenhum terror, suspense ou ficção. Nem falado, lido ou visto algo parecido que pudesse ter me induzido a esses sonhos tão interessantes. Eram como filmes. Não sei, só sei que me inspiraram de uma maneira incrível pra escrever.
Há tempos tenho vontade de escrever histórias. Comecei uma dezena delas, mas vou me perdendo, não sei pra onde ir ou onde quero chegar e acabo desistindo. Como muitos projetos que já comecei na vida.
Mas, dessa vez foi tão diferente que estou considerando a hipótese de começar a botar essa loucura toda num papel. Vamos ver.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

what if

** atenção, contém spoilers do filme La La Land **

Esse blog tá virando um verdadeiro hub de dicas de filmes e séries, mas essa é minha vida, então ao menos tem me rendido boas reflexões.
La La Land, musical e eu sempre torço o nariz pra musicais porque tenho certa preguiça de histórias cantadas. Mas, confesso que ter o gatíssimo Ryan Gosling no elenco ajudou bem. Bem mesmo. 
Mais um história que poderia ser a minha ou a sua. Escolhas. Sempre elas que nos levam a algum novo lugar, outra direção, Talvez por isso eu sempre pondere demais as decisões que eu tenho que tomar. (ou talvez também porque sou libriana, não sei)
A história é um romance {❤ nós, eternas apaixonadas} entre um músico e uma aspirante a atriz. No fim, a vida toma um outro rumo e os dois acabam escolhendo seguir novos caminhos, separados. E em um determinado momento, em que se encontram lá na frente, com a vida já totalmente diferente, imaginam como seria se tivessem continuado juntos.
Ah, esse eterno "se" que teima em assombrar a gente vez em quando, questionando a decisão que a gente tomou. Eu também costumo acreditar que se não deu certo ou não foi da forma como a gente queria, era porque aconteceu o melhor que poderia acontecer.
Eu me agarro a isso porque né, tem que ser isso. Só pode ser isso. E depois, quando olho pra trás, percebo que realmente estou onde deveria estar. E que aquela escolha me transformou em que eu sou hoje. E eu gosto de quem eu sou (na maioria das vezes).
E isso me fez pensar em teste bobo que vi no facebook outro dia, em que perguntava se pudéssemos escolher entre mudar o passado ou conhecer o futuro, qual seria a nossa escolha. Difícil, não? Eu certamente não gostaria de mudar o meu passado, mas conhecer o futuro tiraria a graça das surpresas que aparecem. O que seria da vida sem os nossos dilemas eternos dos "ses"? Sem graça, com certeza.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

vidas cruzadas

** atenção, contém spoilers do filme Lion **

Lion conta a história de um menino indiano que se perde do irmão e consequentemente da família e vai parar em outro continente, sendo adotado por outra família. Sem perder a conexão jamais com seu passado, ele tenta reencontrar sua família verdadeira.
Esse filme é maravilhoso e é baseado numa história real, que poderia ser muito bem a sua ou a minha. Muitas coisas me chamaram a atenção nessa história toda. Entre elas a generosidade de um casal que optou por não ter filhos porque já havia gente demais no mundo precisando de uma família. Achei muita nobreza de alma, de coração se doar e amar alguém que você nunca viu. Alguém que nasceu lá do outro lado do mundo em que você está.
Alguém que, em nenhuma probabilidade estatística, cruzaria seu caminho e passaria a ser então um filho seu. E diante disso, traçar um novo destino pra essa pessoa. Com outras novas pessoas e outras novas histórias.
Quem será que define quem vai passar pela nossa vida? Que emaranhado de histórias a gente acaba conhecendo ao longo da nossa própria caminhada... É incrível, se você parar um minuto pra pensar sobre isso, a quantidade de mundos que a gente conhece quando conhece alguém.
Que loucura a gente cruzar com alguém tão improvável quanto esse garotinho indiano, nascido numa cidadezinha no meio do nada, praticamente sem a menor chance de sair de lá se não fosse as reviravoltas da vida.
A vida é uma coisa louca. A cada esquina que a gente vira, novas possibilidades, escolhas e caminhos. Eu acho tudo isso maravilhoso demais. Saber reconhecer alguém no meio de tantas que vai fazer parte da tua caminhada e mudar tua vida, é incrível.
Eu sempre acreditei que nada acontece por acaso, assim como ninguém entra na nossa vida por acaso. Tô sempre levando um aprendizado de tudo e de todos com quem eu cruzo por aí. É muito louco pensar nessas possibilidades, nesses cruzamentos de almas e histórias. É muito, muito louco mesmo.
E sim, eu usei o título de outro filme foda pra dar nome a esse post porque é isso que é a vida, um cruzamento louco de histórias e mundos, mas absolutamente nada, nada ao acaso.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

textos perdidos

Às vezes
minhas melhores realidades
acontecem 
quando estou sonhando.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

romance é romance, um lance é um lance

Terminei de ler um romance bem teen, daqueles que me dão sono só de lembrar que passei horas da semana lendo. A história basicamente conta sobre um romance de adolescentes: a menina toda apaixonada e o cara não muito aí pra coisa do romance.
A menina colocou toda expectativa do mundo no rapaz, que sempre fugiu de qualquer compromisso e sempre deixou claro que queria só um lance. E muito a menina falava de obrigação. Que o cara tinha que ter obrigações com o namoro deles e blá blá blá. Ai que preguiça!
Lembrei que antes de conhecer o Ri eu era uma dessas moças chatas. Que tinha um relacionamento cheio de cobranças, satisfações e as malditas obrigações. E também já fui dessas que acha que todo homem é o amor da vida. E já chorei e sofri, e já achei que morreria de amor.
Depois de ter tido alguns relacionamentos abusivos, aprendi que num relacionamento não existe obrigações. Cobranças e satisfações são para relacionamentos fracos. Se alguém está com alguém, está porque quer, ninguém é obrigado a nada. E se você é do tipo que não confia, vasculha celular, fareja qualquer movimento da pessoas nas redes sociais, desculpe, mas o problema é você. Se ele/ela te trai, não é um problema seu, não é culpa sua. Pare de procurar pelo em ovo.
Se você está num relacionamento que tem que ligar de 5 em 5 minutos pra saber com quem e onde a outra pessoa está, meu deus, que chato, fuja desse relacionamento.  Relacionamento não é prisão. Relacionamento não tem obrigações. Pensa, você é honesto por obrigação? Provavelmente não, certo? Você é honesto porque sabe que é a coisa certa a fazer. E se você não pode fazer as coisas certas, simplesmente porque são corretas e não por obrigação, então você não aprendeu nada sobre se relacionar com alguém.
Tem muita gente sacana no mundo? Tem. Vão quebrar teu coração? Vão. Você vai sofrer como se fosse morrer? Vai. Mas, você não é obrigada a nada disso. Fuja de relacionamentos abusivos e isso vale pra qualquer simples cobrança. Não coloque as expectativas que os filmes sobre princesas da disney colocaram na tua cabeça em cima dos outros. Príncipes não existem.
Tudo passa, acredite. Não existe fórmula perfeita pra um relacionamento dar certo, mas pra dar errado tem um montão. Mas, se eu pudesse dar apenas um conselho seria esse: respeite o espaço do outro. Não queira saber tudo, o mistério também tem sua graça. Confie. E se tudo acabar na merda, a culpa não terá sido sua. Respire fundo, sofra (se tiver que sofrer) e vá em frente. A vida traz tantas possibilidades todos os dias.
Não foi aquele, pode ser outro. Não se endureça por alguém que não soube te dar o que você merecia. Não cobre aquilo que você acha que merece. As coisas precisam ser de graça, do contrário, compre um namorado(a). Não insista pra que alguém fique com você. Se ame acima de qualquer coisa, se valorize. A vida é muito mais do que passar o tempo todo desconfiando ou cobrando coisas de alguém.
Mas, eu sei que o coração da gente às vezes pode ser bem teimoso. Eu mesma insisti numa pessoa durante seis anos. Nunca ia dar certo, porque ele nunca seria a pessoa que eu queria que ele fosse. Ninguém vai se transformar em outra pessoa, acredite. Eu levei seis anos pra aprender isso e hoje eu sei o que eu não quero na minha vida.
Aquela sorte de um amor tranquilo, na verdade, não é sorte. Fica a dica aí.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

sobre amores impossíveis

Certa vez, há bastante tempo, me apaixonei por um estrangeiro. Nunca cheguei a escrever sobre isso por aqui, ao menos não de forma explícita. Foi uma paixão bastante intensa e louca, que me deixou totalmente fora de mim, que fez eu me perder sem querer me achar e, claro, como todo amor não correspondido, que me fez sofrer a beça. 
Nem sei se foi amor propriamente dito. Mas, paixão com certeza foi. Já se passaram muitos anos e essa história, vez ou outra volta no meu pensamento. Até me atrevo a imaginar como seria se tivéssemos feito escolhas diferentes.
Ele decidiu não ficar comigo. E nunca falamos sobre esse assunto. Eu até tentei, inúmeras vezes. Por mensagem, email e até pessoalmente. Todas as minhas tentativas foram fracassadas. Eu nunca tive uma resposta concreta, e pior, sentia no olhar dele que aquela não era uma decisão tomada com toda a certeza do mundo.
Na minha cabeça criei várias histórias e desculpas. Gosto de acreditar em uma delas: não era pra ser. Foi uma história sem pé, nem cabeça e nem ponto final. O que é uma pena. Ficou no tempo, como se a qualquer momento pudesse voltar a acontecer. Mas, não vai.
Tantos anos depois, e depois de ter sentido raiva e muita angústia, sobrou sim um carinho. Foi uma história, uma pessoa que marcou minha vida. Nem tudo foi negativo, simplesmente não era pra ser mesmo.
Dia desses, vasculhei por ele nas redes sociais (não somos amigos em nenhuma delas) e pude ver apenas poucas fotos em marcações de amigos em comum. Hoje, ele vive no país dele, é casado e tem filhos lindos. 
Acho que no fim de tudo, ele fez uma ótima escolha. 

domingo, 28 de maio de 2017

guerra e paz

Tenho assistido muita tv ultimamente. E quando digo tv, não me refiro ao que passa na programação aberta. Ando vendo muito filme e muita série, de verdade. É quase que meu passatempo favorito, se eu tivesse dinheiro pra fazer qualquer outra coisa.
Pois bem, uma das temáticas que mais me intrigam e interessam é sobre guerras. Já assisti a inúmeros filmes sobre guerras e nunca, nunca consigo compreender o motivo de nenhuma delas. E sempre fico muito triste, porque já sabemos como um filme de guerra termina.
Hoje acabei vendo um filme original da Netflix recém lançado (sim, vício!), chamado War Machine. E parei pra pensar num momento de uma cena específica em que os soldados faziam uma oração, pedindo (ou melhor, implorando) pra que deus poupasse suas vidas e os livrasse de qualquer mal.
Nesses tempos de guerra, em que todo mundo reza pra seu deus pedindo a mesma coisa, eu me pergunto, nessas horas, de que lado deus está?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

estrelas cadentes

A primeira vez que vi  (ou melhor, ouvi) uma obra de Elizabeth Bishop foi num filme que fui assistir com minha mãe no cinema, há uns belos anos atrás, chamado "em seu lugar". O poema falava sobre a arte de perder e, se não me falhe a memória, já escrevi sobre ele aqui em algum momento. 
E no fim de semana, assisti ao filme Flores Raras, que conta a história de amor vivida entre Elizabeth e uma brasileira, a Lota de Macedo Soares. Engraçado como a gente pode ouvir a mesma coisa e senti-la de outra maneira depois.
Dessa vez, conheci um novo poema que Elizabeth escreveu pra Lota e achei uma das coisas mais lindas dessa vida. Não sei se o poema nasceu exatamente assim, mas no filme mostra Elizabeth lavando os cabelos negros e longos de Lota, no momento em que Lota a pergunta se ela achou muitos cabelos brancos por ali.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
- Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.

Achei tão lindo, tão doce que agora nem me incomodam tanto os fios de cabelos brancos que eu teimo em arrancar da minha cabeça vez ou outra.

terça-feira, 23 de maio de 2017

sobre perder a conexão

Ultimamente ando tão fora de mim, não me encontrando em absolutamente nada do que antes era tão claro. É meio que se eu fosse uma outra pessoa, que não se reconhece mais na vida que eu levo. Perdi a conexão com muitas das coisas que me davam prazer.
Não me conecto mais a cuidar da casa, no sentido prático e literal mesmo. Eu gostava de curtir minha casinha, de cuidar, de pensar num quadro novo pra um canto sem uso. De trocar a roupa de cama, borrifar uma lavanda pra deixar com cheiro de novo, acender um incenso pra limpar a casa.
Cozinhar também não me interessa mais. Pouco tenho vontade de ficar na cozinha, como antes, curtindo as misturas de temperos e experiências que eu fazia. Reunir os amigos pra servir a eles uma bela comida. Não, já não me agrada mais.
Escrever por aqui. Bem, escrever sempre foi uma terapia. Um escape, um jeito de colocar pra fora os pensamentos - que de muitos, transbordam - gritam pra serem colocados pra fora, nem que seja aqui. Mas, confesso, me sinto desconectada disso também. E tenho muitos assuntos e coisas pra colocar aqui, mas tenho uma auto censura que me impede nesse exato momento. A academia serve mais como um outro escape, outra fuga, assim como devorar o catálogo de coisas disponíveis no Netflix.
No trabalho, também estou desconectada. Não sem vontade, mas entregando aquilo que é esperado. Nada além, nem aquém. No casamento, tão pouco. Me sinto totalmente perdida dentro do meu relacionamento. Como se nada mais fizesse sentido. Como se eu não reconhecesse mais a pessoa que eu era há oito anos atrás. 
Não me sinto conectada com nada. Sinto que algo aqui dentro grita, suplica por mudanças. Mas, a gente sempre tem medo de mudança. É tudo tão tranquilo, seguro, confortável e quentinho, pra que mexer?
Que nem aquela gaveta que a gente vai colocando todo tipo de tralha. A gente sabe que um dia não vai mais caber nada e que vamos ter que abrir pra limpar, tirar tudo o que não presta, jogar fora coisas que a gente nem lembra mais. Tudo pra poder caber coisas novas. Ou quem sabe, dar um novo uso pra essa gaveta.
Mas, no fundo a gente sempre deixa pra depois essa tal gaveta. A gente sabe, mas tem medo de abrir e ver toda aquela bagunça. E vamos empurrando, esquecendo, arrumando desculpa. E é assim que eu tô com a minha vida, levando, fingindo que não tá acontecendo nada, só vendo o tempo passar. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

profecias

Eu acredito em astrologia e coisas esotéricas. E justamente por acreditar bastante, evito ficar procurando previsões pro futuro. Eu gosto de viver a vida saboreando as surpresas que vem com ela. Mesmo que no meio de tanta coisa boa, acabe vindo uma ou outra coisa ruim.
Só que, em determinados e cruciais momentos, recorro a uma cartomante de confiança. Lembro que a primeira vez que fui foi há exatos dezessete! anos. Apesar de eu acreditar muito, fiquei com um pé atrás, afinal o mundo tá cheio de gente golpista. Mas, no caso dela, além de ela não cobrar (naquela época), aconteceu tudo muito naturalmente.
Eu não disse muitas coisas, não foi preciso. Ela foi me contando a minha vida como um filme, acertando tudo o que eu estava vivendo e fazendo previsões pro futuro próximo. De tudo que ela falou, 90% aconteceu.
Fiquei com medo de tamanha precisão e decidi que não voltaria nela tão cedo. E assim foi. Só voltei a ir lá em 2010, porque eu estava passando por uma fase que precisava de muitas respostas. E mais uma vez, ela leu minha vida através das cartas. E por mais que as respostas que eu buscava não fossem as que eu gostaria de ouvir, foram as que aconteceram e novamente ela acertou praticamente tudo.
E, neste ano, em que mais uma vez eu me sentia e ainda sinto perdida, procurando respostas e saídas, recorri à ela. Sete anos depois. Mais uma vez a história se repetiu e ela me disse um monte de coisas que eu até suspeitava, mas precisava de uma confirmação.
Sim, eu sou dessas que acredita e vê sinais em tudo. Sim, eu acredito nessas coisas que pra muitos é uma grande bobagem. E sim, eu acho que a cada decisão que tomamos, mudamos um pouco o caminho do nosso futuro. Afinal, são essas decisões que nos levam até onde estamos.
Pois bem. Uma das coisas que ela me disse que aconteceria, acabou de acontecer e com todos os requintes de detalhes que ela disse que seria. Pra exemplificar um pouco melhor, suponha que alguém te diga que hoje você vai comer um bolo de cenoura com cobertura de limão colorido de rosa. Improvável, mas no fim do dia lá está você, devorando essa maravilha exatamente do jeito que te falaram que seria.
Sim, eu estou feliz em partes. Só que no meio de tudo isso, ainda tem previsões que não aconteceram e que tem data pra acontecer. Segundo ela, agosto será um mês definitivo na minha vida. E tem tanta, tanta coisa amarrada, que eu só consigo pedir a deus que ele esteja do meu lado pra passar por tudo isso. 
Vamos lá, acreditando e confiando que o bom está por vir. Sempre, mesmo que de maneiras misteriosas.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

filmes e seus recadinhos

- o que você faz diante de uma escolha difícil?
- isso não existe, porque sempre que você joga uma moeda pra cima, você já sabe que lado gostaria que ela caísse
(O Exótico Hotel Marigold 2)

Sim, eu sou dessas que tira lições e insights de filmes/séries/novelas/etc. Nesse feriado, aproveitei (mais uma vez), entre outras coisas como dormir muito, assistir filmes. Tenho uma lista gigante de pendências no netflix, now e cia.
Muito sem querer, liguei a tv no sábado à tarde e estava passando um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos, Comer, Rezar, Amar. E eu sempre paro pra assistir, não importa em que parte esteja. E toda vez eu tiro uma nova lição ou algo novo que havia passado despercebido, ou que faz mais sentido agora, dependendo daquilo que esteja passando na vida.
Dessa vez não foi diferente. Mas, pra minha surpresa, a parte que eu menos tinha dado atenção até agora (no caso a parte em que ela só come), foi a parte que mais me inspirou. É sempre como se o universo me mandasse um novo recado. Isso acontece só comigo ou alguém já sentiu isso também?
Enfim, depois, acabei escolhendo três outros filmes aleatórios que coincidentemente tinham a mesma temática: a Índia. 
Não vou me estender muito falando sobre eles, apenas que valem a pena assistir porque são deliciosos de se ver e estão cheio desses recadinhos especiais que a gente ama receber. O Homem que viu o Infinito e A 100 Passos de um Sonho (ambos disponíveis no netflix) e O Exótico Hotel Marigold 2 (por favor, vejam os 2 filmes, são maravilhosos), ambos disponíveis no now.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

#chateada*

Nos últimos dias, alguns conhecidos mudaram de emprego. Fico feliz (de verdade), porque sei que é a coisa mais normal e natural dessa vida: ir atrás de coisas melhores pra nós. E é tão gratificante quando acontece, especialmente quando é merecido, que nem sei descrever a sensação.
Nesses meus doze anos de carreira, até ter sido demitida no ano passado porque, além de carregar o cliente mais importante nas costas e fazer o trabalho da minha diretora, falei por aqui que meu chefe era mole (o que não era mentira nenhuma), era isso que acontecia na minha vida.
Sempre que eu conseguia um trabalho novo, era uma oportunidade de grana melhor. E também de aprendizados. Mesmo os lugares mais escrotos sempre me ensinaram algo: não ser escrota como eles, por exemplo.
E, tirando o fato de tudo ter sido mérito próprio e não pagação e babação de ovo, eu sempre sentia aquele orgulhinho quando conseguia esses tão esperados up grades da vida. Mas, já completei um ano em que tive que tomar uma decisão, que sim foi a mais acertada no momento, de andar pra trás.
Sim, eu ocupo um cargo abaixo do que eu tinha, ganho muito, muito menos do que há 3 anos atrás e não vejo nenhuma perspectiva de melhora. Ouço promessas, blá blá blá, até acredito nelas, mas honestamente, me vejo estagnada.
Continuei procurando coisas melhores, mas elas não parecem destinadas a mim nesse momento. Muito também em função da minha decisão de voltar um cargo pra trás. Sim, minha carreira é muito preconceituosa.
Então a gente segue a vida, segue o jogo e eu continuo fazendo meu trabalho. Acompanhando, dia após dia, um colega conseguir um melhor trabalho, todo mundo caminhando pra frente, seguindo pra cima, crescendo.
E eu fico um pouco chateada por ter sido a única a ir pra trás e continuar lá, mesmo sabendo que não é exatamente isso que eu mereço. E sim, estou morrendo de inveja dessas pessoas. Mas, por favor, entendam que inveja não é desejar o mal (pelo menos não no meu caso, ou neste caso). De verdade. Só queria ter um pouco disso também.
Mas, dizem que estamos exatamente onde deveríamos estar, então quero acreditar que algo de muito bom está por vir. Tá difícil, mas quero muito acreditar.

*aos 45" do segundo tempo, troquei o título desse post (era inveja anteriormente)

terça-feira, 18 de abril de 2017

futilidades úteis

Já faz um tempo que venho procurando me desconectar da vida real através de duas coisas: academia e netflix. Tem ajudado bastante porque assim dou um descanso à minha cabeça que pensa demais. E, nas descobertas boas que a netflix {❤} me deu, resolvi partilhar aqui algumas indicações do que andei vendo, caso você também precise dessas pausas na vida.

Duas séries que já acabaram há mais de 10 anos e eu nunca tinha assistido (me julguem) e que acabei me apaixonando e virando fã são: Friends e That 70s Show. Parece meio óbvio o que vou dizer, mas se você assim como eu, nunca tinha visto os episódios em ordem cronológica, fica aí a dica, as séries são realmente apaixonantes. Ambas tratam de um grupo de melhores amigos (como não amar?) dividindo os problemas da vida.
Só me faz ser mais agradecida por ter amigos e poder contar com cada um deles. É muito amor!!! Embora as duas séries tenha uma veia mais cômica, alguns episódios são bem a realidade mesmo, afinal quem nunca experimentou as delícias e dores da vida com um bom amigo do lado, não é mesmo?
Outra dessas das antigas e que eu também não tinha visto por motivos de "torcia o nariz pra coisas da modinha" é The OC. É bem teen mesmo, do tipo leve e beirando a bobeira, mas é gostosinho de ver. Além de ter me apaixonado pela trilha da abertura (California, da banda Phantom Planet). Então fica mais essa diquinha aí.

Das produções originais Netflix (que tem muuuuuita coisa boa e de qualidade), vi Narcos, Stranger Things e Black Mirror. Essas não são lançamentos tão recentes, mas acho que valem a pena. Narcos conta um pouco da #vidaloka de Pablo Escobar e tem Wagner Moura mara no papel do próprio, Stranger Things é ficção científica, total estilo anos 80, meio Goonies, meio Conta Comigo e ainda tem Winona no elenco e Black Mirror que é uma mistura de ficção com um pouco do que vivemos hoje (pelo menos no meu ponto de vista).
Aliás, Black Mirror tem uma história desconectada da outra em cada episódio e confesso que não gostei da maioria deles, mas fiquei com muito medo em alguns. Meus episódios favoritos foram Hated in the Nation, San Junipero, Nosedive, Shut up and Dance e The National Anthem.

E das produções mais recentes, The Crown, que conta um pouco da história da realeza britânica e eu sou simplesmente apaixonada por essa temática. E a mais comentada e famosa do momento: 13 Reasons Why, que trata sobre suicídio e bullying. Essa vale muito, muito a pena ver.

domingo, 16 de abril de 2017

sonhos ou devaneios?

Outro dia li não sei onde, algo que dizia mais ou menos assim: já pensou que se você desistiu fácil é porque não era sonho, era só uma vontade?
Isso me fez pensar nas diversas vezes que já desisti de algo. Um projeto,  uma ideia, um desejo, um plano, um amor, um passeio, um filme na tv, etc, etc, etc. Sim, eu sou dessas que desiste fácil pelo jeito. 
Eu tô sempre desistindo de alguma coisa. No momento, e tem sido um momento bem difícil e delicado, estou desistindo da nossa casa. Aquela que escolhi com todo zelo e carinho e que fiz mil planos e que sonhei mil sonhos e tive mil ideias pra transformá-la no eterno castelo onde fomos felizes para sempre.
E também parei pra pensar que às vezes essa desistência é meio que uma consequência natural da vida. Porque sim, às vezes desistimos porque cansamos e vemos que não temos mais energia pra investir naquilo, e às vezes simplesmente somos obrigados.
Aí eu percebi que nunca desisti de um sonho de fato. E então constatei que talvez nunca tenha tido um grande sonho. Muito se fala em sonho, mas qual é o tal sonho da vida? Será mesmo que não temos muitas vontades disfarçadas de sonhos? E aí a cada desistência, um sentimento novo de fracasso?
Eu mesma já me fiz cobranças sobre essas tais desistências. Vivo falando que tenho vontade de mudar de profissão, mas ela passa logo que chegam as contas pra pagar e eu vejo que não tenho essa coragem toda de largar tudo e apostar num plano novo.
Mesmo já tendo tentado até. Ao menos posso dizer isso, tentei. Mas, pelo visto, não foi um sonho. Porque eu quero acreditar que quando existe mesmo um sonho, aquele sonho, a gente vai atrás com toda a coragem e com todo medo do mundo, mas vai. Que por mais que a gente caia, a gente levanta e continua. Por mais porrada que se tome, isso só vai fazer da gente mais forte pra continuar perseguindo aquele sonho. 
E aí percebi essa triste realidade: não tenho sonhos. Tenho vontades, muitas. Mas, que tal qual uma característica do meu signo (porque né, tudo é culpa das estrelas), vai e vem, muda e acaba, simples assim.
Fiquei triste, porque beirando os trinta e cinco anos, não realizei grandes feitos, não tenho grandes sonhos. E também fiquei aliviada por esse novo ponto de vista que me mostra que, na verdade, só estou deixando uma vontade passar. Ou trocando por outra, sabe-se lá.

quarta-feira, 29 de março de 2017

e se

Que grande poder tem essas pequenas palavrinhas na nossa vida. Inevitavelmente me pego pensando em muitas suposições a partir desse tal de "e se". Não acho e nunca achei saudável. Mas, vira e mexe {especialmente em casos que nos vemos sem rumo}, me pego fazendo essa viagem maluca das possibilidades que nunca vão existir.
Por isso eu sempre procuro aproveitar as oportunidades que me surgem da melhor forma possível: sendo verdadeira comigo mesma. Não existe receita pro não arrependimento, mas em todos esses meus trinta e tantos anos, eu aprendi que prefiro mesmo me arrepender de ter feito, de ter tentado, de ter vivido, de ter experimentado, do que de ver a vida passar.
No máximo, fica uma lição. E nessa vida, não há bem mais valioso do que tirar proveito de toda situação, especialmente com as lições que a vida nos dá. 
O passado é passado. Ninguém tem poder pra modificá-lo. Só nos resta tentar fazer diferente lá na frente, ou melhor, fazer diferente no agora. O agora é a única "certeza" que a gente tem mesmo. Tentar controlar os perrengues ou surpresas da vida não vão levar a gente a lugar algum. Infelizmente eu sofro de ansiedade, então aqui fica um exercício diário mais trabalhoso pra mim: ter paciência pra viver o agora sem fantasiar muito o futuro e sem lamentar o que poderia ter acontecido de diferente no passado.
E aí eu evoco um outro mantra que vem fazendo parte da minha vida, mais precisamente desde o ano passado, quando levei a maior e inesperada rasteira da vida: "a gente está exatamente onde a gente deveria estar".
E eu acredito muito nisso. O motivo, nem sempre a gente entende na hora. Ou precisamos passar por isso, conhecer alguém, ajudar alguém ou aprender algo. Normalmente aprende-se algo sempre. Enfim, estou passando por uma fase em que eu mesma me coloquei, de certa forma. Mas, é como disse um leitor num comentário dia desses, isso é vida. E que bom estar viva pra poder passar até pelos perrengues. 
Tudo vale a pena.

terça-feira, 21 de março de 2017

...

E quando a gente tá tão perdida, sem direção, sem rumo, sem saber ao certo onde se quer chegar, mas só sabe, lá no fundo, que precisa ir, como faz?

segunda-feira, 20 de março de 2017

desapega, amor, desapega

Quando quase vendemos nossa casa, no final do ano passado, talvez deus já estivesse nos preparando pra que isso pudesse acontecer de verdade. Não deu certo na época, o comprador deu pra trás, mostrando que a palavra, hoje em dia, vale porra nenhuma. Mas, foi muito triste ter que desistir daquele sonho naquele momento.
Por dias repeti o mantra "é só uma casa", com o intuito de acreditar mesmo naquilo. E eu não acreditei, só aceitei, porque é como dizem, aceita que dói menos. A gente decidiu vender por um simples e importante motivo: falta de grana.
Hoje, o motivo continua sendo o mesmo, acrescido de outros mais. E ainda dói abrir mão daquela casinha. Porque né, era um sonho, depositamos muitos planos dentro daquelas paredes. Pensei em cada detalhe, de cada canto. No que combinava com que, nas cores, nos móveis, nos detalhes.
Ainda dói abrir mão. Não é só uma casa, embora aqui dentro eu ainda siga repetindo o mantra. Era e é muito mais que isso. Mas, a casa não é nossa. É do banco e vai continuar sendo ainda por muitos e muitos anos (ou enquanto durar o nosso financiamento). E confesso, tá pesado de pagar.
A vida tem reversos e o que antes era tranquilo pagar, do nada passa a não ser mais. E aí você precisa fazer escolhas: viver pra pagar contas ou viver, simplesmente. E eu escolhi viver. Porque a vida é uma só e ela passa. E a casa, é só uma casa.
Dá pra ser feliz em qualquer outra, ainda mais quando o dinheiro passa a sobrar pra gente fazer outras coisas que valem muito mais a pena. Porque a casa eu não vou levar dessa vida, então, sim é só uma casa. 
Sim, é difícil. Porque abrir mão, ou simplesmente fazer essa escolha, é ter que matar os sonhos que tive, os planos que fiz. E sim, eu sei que são consequências normais das escolhas que fazemos, mas, sim, dói.
O desapego não é um exercício assim tão fácil e indolor. Mas, espero conseguir ainda.

quarta-feira, 8 de março de 2017

drops de ânimo

Num mesmo dia, duas pessoas queridas, que as condições naturais da vida (vulgo dia a dia) afastam da gente, te procuram pra te oferecer uma nova oportunidade. Você, que nada mais esperava naquela sexta chuvosa, de repente "pá" < essa surpresa boa >.
Nada deu certo, mas na verdade, tudo deu certo. Uma boa conversa ao telefone que serviu pra abrir horizontes, ampliar conhecimento e trocar um dedo de prosa que vai ajudar em propostas futuras.
Sentir-se lembrada e querida, reconhecida, não tem preço que pague.
E pra terminar, ainda recebo essa mensagem:
"Ju, fiquei muito feliz em almoçar contigo. A gente vive no meio de tanta hipocrisia... Tanta gente chata... E você tão real... Amiga... Verdadeira...Que saudade viu..."
Como é bom a gente ter amigos verdadeiros, que sabem e conhecem tua história, tua essência, enfim. Pequenos sinais do universo pra mostrar que sim, ainda estamos no caminho certo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

feliz ano novo!

Percebi que pela primeira vez, em mil anos deste blog, não postei nada mês passado. É mais ou menos como se fevereiro nem tivesse existido. Não que não tenha acontecido muita coisa, aconteceu, e foi justamente por isso que não consegui tempo pra escrever nada.
Nem organizar as ideias. E isso também não quer dizer que eu não tenha pensado. Aliás, isso é o que mais tenho feito. Tanto, mas tanto, que tem horas que sinto que meu cérebro vai fundir feito motor de carro quando não dá mais conta.
Fico repassando a recente história da minha vida na minha cabeça, tentando entender por que as coisas tomaram o rumo que tomaram e tudo ficou meio perdido, e não consigo entender direito nada. Fico buscando respostas, justificativas, tentando encontrar saídas, soluções, me apegando à coisas que não tem mais volta, sonhando sonhos que não tem mais lugar nessa nova vida.
Como é difícil a gente ter que se reconhecer num mundo que não é mais o nosso. E a gente tem que se reinventar e tirar forças de onde nem imagina pra continuar tocando a vida, porque ela segue e não pára.
Não posso reclamar, afinal, não me falta - teoricamente - nada. Exceto tempo. Tempo pra poder pensar, ponderar decisões, traçar novas estratégias, procurar alternativas, cozinhar, terminar de arrumar o armário, organizar as bijuterias, limpar os pincéis de maquiagem, ver todas as séries e filmes atrasados, ler os livros, escrever no blog, começar o curso, ir pra academia, comer tranquila, dormir oito horas por noite, fazer nada.
Tenho a sensação de que botei a vida no modo automático e fui. E olha que a vida passa viu. Mas, como dizem que o ano começa só depois do carnaval, que assim seja. Então que venha, venha ano novo, novo ano. Quero tentar fazer tudo diferente ou igual, mas quero viver de novo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

vida em cápsula

Quando paro pra pensar que já estamos praticamente em fevereiro, me assusto um pouco. Tenho a sensação de que o tempo realmente anda muito maluco, sem o menor sentido. Ou como já dizia um cara mais inteligente, o tempo é bem relativo mesmo.
O que eu fiz nesses vinte e poucos dias do novo ano não foi, de fato, novo. Continuo com as mesmas dúvidas que tinha no final do ano passado, sem saber que rumo seguir ou que decisão tomar. Sofrendo como nunca, mas isso são coisas que ninguém sabe. Trato de esconder esses medos e angústias bem lá dentro de mim e ocupar a cabeça com outras coisas, na torcida pro tempo passar mais depressa.
Como se ele já não passasse...
Pois bem, neste começo de ano mergulhei de cabeça na academia e tenho feito exercícios físicos praticamente quase todos os dias. O intuito é manter a saúde, mas se de quebra puder manter o corpo em forma, não vou achar ruim não.
Repiquei todo o cabelo e marquei uma tatuagem nova pro próximo dia 4. Vai ser a maior de todas as minhas quase vinte tattoos. Estou numa dieta maluca que eu mesma inventei, onde eu como menos, mas como o que gosto. E ainda me dou o direito de comer uma ou outra besteira quando me dá uns ataques de ansiedade.
Não vou morrer passando vontade porque eu não vim nessa vida pra isso. Depois eu corro, pulo corda, derreto na academia. É a tal lei da compensação. Sim, ela existe.
Estou fazendo um tratamento estético que promete diminuir a gordura do abdômen. Já fiz 3 das 10 sessões do pacote e honestamente não vi nenhuma diferença. Espero não ter jogado o dinheiro no lixo. Oremos.
E por fim, comecei a arrumar meu closet. Digo comecei porque eu tenho muita tralha acumulada. Ou melhor, tinha. Resolvi separar pra doação tudo aquilo que eu não uso mais, ou porque não gosto ou porque não serve. E me dei conta que tinha coisa que usei uma vez só e guardava por puro apego.
E assim foi, tirei muita, mas muita roupa do armário, sapato, enfim, sobrou tanto cabide que eu nem sei dizer pra que eu tinha tanto. Deixei aquilo que efetivamente eu uso e gosto. E tenho peças de uns 10 anos que ainda estão em bom estado.
Tentei montar o tal do "armário cápsula". Se bem que cheguei a conclusão que é um pouco impossível pra mim, porque eu gosto muito de cores e tal. De todo modo, percebi que tirar o que está parado é um exercício que faço sempre - ao menos com as roupas, e agora preciso aprender a fazer na vida.
Tanta coisa parada e que vai parando a gente no mesmo lugar. Fica aí pra gente pensar, acumular coisas/memórias sem uso é besteira.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

perdida

Já estamos na metade de janeiro e parece que foi ontem que estava contando as horas pra que o tempo levasse embora aquele ano tão horroroso de 2016. Nada, de fato, mudou. Parece até que estou presa no espaço e no tempo, estilo aqueles filmes de ficção científica ou até mesmo aquele desenho em que ninguém consegue voltar pra casa.
Mas, por incrível que pareça, apesar dessa sensação maluca, muita coisa já aconteceu. Fiz uma entrevista (que não deu em nada), sobrevivi a um corte que já teve na agência, Ri inaugurou a segunda unidade do seu estúdio de pilates e vida que segue.
Me meio a tudo isso, o caos do final do ano ainda permanece enraizado em mim. Ainda tenho um zilhão de coisas pra pensar e decidir, coisas importantes. Enfim, o tempo não pára pra gente descer não. Ou a gente vai ou a gente vai, não tem outro jeito.
Então, vamo que vamo!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

a alegria de estar vivo

Conheci o Pedro numa dessas agências que já trabalhei na vida. A gente nunca teve muito contato, mas lembro que ele era um cara que sempre estava de bom humor, e vou te dizer que é mesmo muito difícil manter o humor bom todo dia na nossa profissão.
Mas, pode ser também uma questão de escolha. Melhor encarar a vida e os problemas com um sorriso do que com a cara amarrada. E ele sempre estava assim, leve e sorrindo, mesmo quando o mundo parecia estar acabando.
Certa vez o encontrei em outra agência, ele tinha levado sua filhinha pra conhecer o pessoal. Foi aí que fiquei sabendo que ele já tinha perdido um filho antes e que essa menina tinha sido muito esperada. Parecia que ela tinha alguma complicação também, mas já superada.
Passei a acompanhá-lo nas redes sociais e soube que ele tinha se tornado pai de novo. Mais uma menininha, porém, essa ainda mais especial. Acompanhei a luta diária que eles tiveram, diversas internações, cirurgias até que finalmente esses problemas deram uma trégua e aparentemente a menina ficou bem.
Há um belo tempo atrás, encontrei Pedro na rua e parei pra perguntar como ia a vida e tal. E ele todo sorridente disse que estava tudo bem, mas que tinha descoberto um câncer. Mas, que tudo bem. Como se ele tivesse descoberto alguma outra coisa bem menos complicada e temerosa. Até achei difícil entender o que ele tava falando, afinal, era câncer, mas parecia uma gripe.
Nos despedimos com ele super alto astral, pra cima. E eu me lembro de ter pensado: caramba, esse cara é iluminado demais.
Aí que há mais de um mês ele está internado, lutando contra três tipos de câncer. Sofreu algumas hemorragias e parece estar numa situação bem delicada. Mas, pouco antes do ano novo ele postou uma mensagem no face dizendo que estava muito agradecido por ainda estar vivo e por toda a força que estava recebendo. E que a gente também devia se lembrar de agradecer por esse milagre (o da vida). 
E isso é tão verdade. Eu tô sempre agradecendo, mas nessas horas é que parece que a gente dá mais valor ainda. E depois outra, não custa a gente ser grato por ter saúde e estar vivo mesmo, é uma bênção.
E o Pedro segue internado, precisando muito da nossa ajuda. Seja em vibrações, orações ou ações. Portanto, se você tem sangue O negativo, por favor, doe. Ele também precisa de plaquetas. Ele está no Hospital Oswaldo Cruz, é só falar que a doação é pra ele: Pedro Franco.
E se não puder doar, compartilhe. Avise os amigos, sei lá. Estar vivo é uma dádiva e poder ajudar alguém a continuar vivo com tão pouco é uma verdadeira alegria.
Obrigada.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

um novo recomeço

Já estamos no segundo dia de um ano que, por mim, foi muito esperado. Então, eu continuo com a vibe da positividade - porque de negatividade o mundo já tá bem cheio - pra continuar desejando um novo ano de fato.
Que esse dois mil e dezessete seja um ano de recomeços, construções, libertação e sucesso. Que seja muito mais leve que o ano que passou. Que possamos rir mais e deitar a cabeça no travesseiro com a sensação de dever cumprido todos os dias.
E que a vida nos permita exercer a nossa melhor versão: com muita generosidade e respeito aos outros. Porque tudo o que vai, volta. É a lei natural das coisas (graças a deus, aliás).
E que meu blog consiga ter posts menos duros e que no final este ano tenha sido muito foda mesmo (positivamente, é claro).
Feliz ano novo!