domingo, 16 de abril de 2017

sonhos ou devaneios?

Outro dia li não sei onde, algo que dizia mais ou menos assim: já pensou que se você desistiu fácil é porque não era sonho, era só uma vontade?
Isso me fez pensar nas diversas vezes que já desisti de algo. Um projeto,  uma ideia, um desejo, um plano, um amor, um passeio, um filme na tv, etc, etc, etc. Sim, eu sou dessas que desiste fácil pelo jeito. 
Eu tô sempre desistindo de alguma coisa. No momento, e tem sido um momento bem difícil e delicado, estou desistindo da nossa casa. Aquela que escolhi com todo zelo e carinho e que fiz mil planos e que sonhei mil sonhos e tive mil ideias pra transformá-la no eterno castelo onde fomos felizes para sempre.
E também parei pra pensar que às vezes essa desistência é meio que uma consequência natural da vida. Porque sim, às vezes desistimos porque cansamos e vemos que não temos mais energia pra investir naquilo, e às vezes simplesmente somos obrigados.
Aí eu percebi que nunca desisti de um sonho de fato. E então constatei que talvez nunca tenha tido um grande sonho. Muito se fala em sonho, mas qual é o tal sonho da vida? Será mesmo que não temos muitas vontades disfarçadas de sonhos? E aí a cada desistência, um sentimento novo de fracasso?
Eu mesma já me fiz cobranças sobre essas tais desistências. Vivo falando que tenho vontade de mudar de profissão, mas ela passa logo que chegam as contas pra pagar e eu vejo que não tenho essa coragem toda de largar tudo e apostar num plano novo.
Mesmo já tendo tentado até. Ao menos posso dizer isso, tentei. Mas, pelo visto, não foi um sonho. Porque eu quero acreditar que quando existe mesmo um sonho, aquele sonho, a gente vai atrás com toda a coragem e com todo medo do mundo, mas vai. Que por mais que a gente caia, a gente levanta e continua. Por mais porrada que se tome, isso só vai fazer da gente mais forte pra continuar perseguindo aquele sonho. 
E aí percebi essa triste realidade: não tenho sonhos. Tenho vontades, muitas. Mas, que tal qual uma característica do meu signo (porque né, tudo é culpa das estrelas), vai e vem, muda e acaba, simples assim.
Fiquei triste, porque beirando os trinta e cinco anos, não realizei grandes feitos, não tenho grandes sonhos. E também fiquei aliviada por esse novo ponto de vista que me mostra que, na verdade, só estou deixando uma vontade passar. Ou trocando por outra, sabe-se lá.

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