quarta-feira, 31 de maio de 2017

romance é romance, um lance é um lance

Terminei de ler um romance bem teen, daqueles que me dão sono só de lembrar que passei horas da semana lendo. A história basicamente conta sobre um romance de adolescentes: a menina toda apaixonada e o cara não muito aí pra coisa do romance.
A menina colocou toda expectativa do mundo no rapaz, que sempre fugiu de qualquer compromisso e sempre deixou claro que queria só um lance. E muito a menina falava de obrigação. Que o cara tinha que ter obrigações com o namoro deles e blá blá blá. Ai que preguiça!
Lembrei que antes de conhecer o Ri eu era uma dessas moças chatas. Que tinha um relacionamento cheio de cobranças, satisfações e as malditas obrigações. E também já fui dessas que acha que todo homem é o amor da vida. E já chorei e sofri, e já achei que morreria de amor.
Depois de ter tido alguns relacionamentos abusivos, aprendi que num relacionamento não existe obrigações. Cobranças e satisfações são para relacionamentos fracos. Se alguém está com alguém, está porque quer, ninguém é obrigado a nada. E se você é do tipo que não confia, vasculha celular, fareja qualquer movimento da pessoas nas redes sociais, desculpe, mas o problema é você. Se ele/ela te trai, não é um problema seu, não é culpa sua. Pare de procurar pelo em ovo.
Se você está num relacionamento que tem que ligar de 5 em 5 minutos pra saber com quem e onde a outra pessoa está, meu deus, que chato, fuja desse relacionamento.  Relacionamento não é prisão. Relacionamento não tem obrigações. Pensa, você é honesto por obrigação? Provavelmente não, certo? Você é honesto porque sabe que é a coisa certa a fazer. E se você não pode fazer as coisas certas, simplesmente porque são corretas e não por obrigação, então você não aprendeu nada sobre se relacionar com alguém.
Tem muita gente sacana no mundo? Tem. Vão quebrar teu coração? Vão. Você vai sofrer como se fosse morrer? Vai. Mas, você não é obrigada a nada disso. Fuja de relacionamentos abusivos e isso vale pra qualquer simples cobrança. Não coloque as expectativas que os filmes sobre princesas da disney colocaram na tua cabeça em cima dos outros. Príncipes não existem.
Tudo passa, acredite. Não existe fórmula perfeita pra um relacionamento dar certo, mas pra dar errado tem um montão. Mas, se eu pudesse dar apenas um conselho seria esse: respeite o espaço do outro. Não queira saber tudo, o mistério também tem sua graça. Confie. E se tudo acabar na merda, a culpa não terá sido sua. Respire fundo, sofra (se tiver que sofrer) e vá em frente. A vida traz tantas possibilidades todos os dias.
Não foi aquele, pode ser outro. Não se endureça por alguém que não soube te dar o que você merecia. Não cobre aquilo que você acha que merece. As coisas precisam ser de graça, do contrário, compre um namorado(a). Não insista pra que alguém fique com você. Se ame acima de qualquer coisa, se valorize. A vida é muito mais do que passar o tempo todo desconfiando ou cobrando coisas de alguém.
Mas, eu sei que o coração da gente às vezes pode ser bem teimoso. Eu mesma insisti numa pessoa durante seis anos. Nunca ia dar certo, porque ele nunca seria a pessoa que eu queria que ele fosse. Ninguém vai se transformar em outra pessoa, acredite. Eu levei seis anos pra aprender isso e hoje eu sei o que eu não quero na minha vida.
Aquela sorte de um amor tranquilo, na verdade, não é sorte. Fica a dica aí.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

sobre amores impossíveis

Certa vez, há bastante tempo, me apaixonei por um estrangeiro. Nunca cheguei a escrever sobre isso por aqui, ao menos não de forma explícita. Foi uma paixão bastante intensa e louca, que me deixou totalmente fora de mim, que fez eu me perder sem querer me achar e, claro, como todo amor não correspondido, que me fez sofrer a beça. 
Nem sei se foi amor propriamente dito. Mas, paixão com certeza foi. Já se passaram muitos anos e essa história, vez ou outra volta no meu pensamento. Até me atrevo a imaginar como seria se tivéssemos feito escolhas diferentes.
Ele decidiu não ficar comigo. E nunca falamos sobre esse assunto. Eu até tentei, inúmeras vezes. Por mensagem, email e até pessoalmente. Todas as minhas tentativas foram fracassadas. Eu nunca tive uma resposta concreta, e pior, sentia no olhar dele que aquela não era uma decisão tomada com toda a certeza do mundo.
Na minha cabeça criei várias histórias e desculpas. Gosto de acreditar em uma delas: não era pra ser. Foi uma história sem pé, nem cabeça e nem ponto final. O que é uma pena. Ficou no tempo, como se a qualquer momento pudesse voltar a acontecer. Mas, não vai.
Tantos anos depois, e depois de ter sentido raiva e muita angústia, sobrou sim um carinho. Foi uma história, uma pessoa que marcou minha vida. Nem tudo foi negativo, simplesmente não era pra ser mesmo.
Dia desses, vasculhei por ele nas redes sociais (não somos amigos em nenhuma delas) e pude ver apenas poucas fotos em marcações de amigos em comum. Hoje, ele vive no país dele, é casado e tem filhos lindos. 
Acho que no fim de tudo, ele fez uma ótima escolha. 

domingo, 28 de maio de 2017

guerra e paz

Tenho assistido muita tv ultimamente. E quando digo tv, não me refiro ao que passa na programação aberta. Ando vendo muito filme e muita série, de verdade. É quase que meu passatempo favorito, se eu tivesse dinheiro pra fazer qualquer outra coisa.
Pois bem, uma das temáticas que mais me intrigam e interessam é sobre guerras. Já assisti a inúmeros filmes sobre guerras e nunca, nunca consigo compreender o motivo de nenhuma delas. E sempre fico muito triste, porque já sabemos como um filme de guerra termina.
Hoje acabei vendo um filme original da Netflix recém lançado (sim, vício!), chamado War Machine. E parei pra pensar num momento de uma cena específica em que os soldados faziam uma oração, pedindo (ou melhor, implorando) pra que deus poupasse suas vidas e os livrasse de qualquer mal.
Nesses tempos de guerra, em que todo mundo reza pra seu deus pedindo a mesma coisa, eu me pergunto, nessas horas, de que lado deus está?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

estrelas cadentes

A primeira vez que vi  (ou melhor, ouvi) uma obra de Elizabeth Bishop foi num filme que fui assistir com minha mãe no cinema, há uns belos anos atrás, chamado "em seu lugar". O poema falava sobre a arte de perder e, se não me falhe a memória, já escrevi sobre ele aqui em algum momento. 
E no fim de semana, assisti ao filme Flores Raras, que conta a história de amor vivida entre Elizabeth e uma brasileira, a Lota de Macedo Soares. Engraçado como a gente pode ouvir a mesma coisa e senti-la de outra maneira depois.
Dessa vez, conheci um novo poema que Elizabeth escreveu pra Lota e achei uma das coisas mais lindas dessa vida. Não sei se o poema nasceu exatamente assim, mas no filme mostra Elizabeth lavando os cabelos negros e longos de Lota, no momento em que Lota a pergunta se ela achou muitos cabelos brancos por ali.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
- Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.

Achei tão lindo, tão doce que agora nem me incomodam tanto os fios de cabelos brancos que eu teimo em arrancar da minha cabeça vez ou outra.

terça-feira, 23 de maio de 2017

sobre perder a conexão

Ultimamente ando tão fora de mim, não me encontrando em absolutamente nada do que antes era tão claro. É meio que se eu fosse uma outra pessoa, que não se reconhece mais na vida que eu levo. Perdi a conexão com muitas das coisas que me davam prazer.
Não me conecto mais a cuidar da casa, no sentido prático e literal mesmo. Eu gostava de curtir minha casinha, de cuidar, de pensar num quadro novo pra um canto sem uso. De trocar a roupa de cama, borrifar uma lavanda pra deixar com cheiro de novo, acender um incenso pra limpar a casa.
Cozinhar também não me interessa mais. Pouco tenho vontade de ficar na cozinha, como antes, curtindo as misturas de temperos e experiências que eu fazia. Reunir os amigos pra servir a eles uma bela comida. Não, já não me agrada mais.
Escrever por aqui. Bem, escrever sempre foi uma terapia. Um escape, um jeito de colocar pra fora os pensamentos - que de muitos, transbordam - gritam pra serem colocados pra fora, nem que seja aqui. Mas, confesso, me sinto desconectada disso também. E tenho muitos assuntos e coisas pra colocar aqui, mas tenho uma auto censura que me impede nesse exato momento. A academia serve mais como um outro escape, outra fuga, assim como devorar o catálogo de coisas disponíveis no Netflix.
No trabalho, também estou desconectada. Não sem vontade, mas entregando aquilo que é esperado. Nada além, nem aquém. No casamento, tão pouco. Me sinto totalmente perdida dentro do meu relacionamento. Como se nada mais fizesse sentido. Como se eu não reconhecesse mais a pessoa que eu era há oito anos atrás. 
Não me sinto conectada com nada. Sinto que algo aqui dentro grita, suplica por mudanças. Mas, a gente sempre tem medo de mudança. É tudo tão tranquilo, seguro, confortável e quentinho, pra que mexer?
Que nem aquela gaveta que a gente vai colocando todo tipo de tralha. A gente sabe que um dia não vai mais caber nada e que vamos ter que abrir pra limpar, tirar tudo o que não presta, jogar fora coisas que a gente nem lembra mais. Tudo pra poder caber coisas novas. Ou quem sabe, dar um novo uso pra essa gaveta.
Mas, no fundo a gente sempre deixa pra depois essa tal gaveta. A gente sabe, mas tem medo de abrir e ver toda aquela bagunça. E vamos empurrando, esquecendo, arrumando desculpa. E é assim que eu tô com a minha vida, levando, fingindo que não tá acontecendo nada, só vendo o tempo passar. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

profecias

Eu acredito em astrologia e coisas esotéricas. E justamente por acreditar bastante, evito ficar procurando previsões pro futuro. Eu gosto de viver a vida saboreando as surpresas que vem com ela. Mesmo que no meio de tanta coisa boa, acabe vindo uma ou outra coisa ruim.
Só que, em determinados e cruciais momentos, recorro a uma cartomante de confiança. Lembro que a primeira vez que fui foi há exatos dezessete! anos. Apesar de eu acreditar muito, fiquei com um pé atrás, afinal o mundo tá cheio de gente golpista. Mas, no caso dela, além de ela não cobrar (naquela época), aconteceu tudo muito naturalmente.
Eu não disse muitas coisas, não foi preciso. Ela foi me contando a minha vida como um filme, acertando tudo o que eu estava vivendo e fazendo previsões pro futuro próximo. De tudo que ela falou, 90% aconteceu.
Fiquei com medo de tamanha precisão e decidi que não voltaria nela tão cedo. E assim foi. Só voltei a ir lá em 2010, porque eu estava passando por uma fase que precisava de muitas respostas. E mais uma vez, ela leu minha vida através das cartas. E por mais que as respostas que eu buscava não fossem as que eu gostaria de ouvir, foram as que aconteceram e novamente ela acertou praticamente tudo.
E, neste ano, em que mais uma vez eu me sentia e ainda sinto perdida, procurando respostas e saídas, recorri à ela. Sete anos depois. Mais uma vez a história se repetiu e ela me disse um monte de coisas que eu até suspeitava, mas precisava de uma confirmação.
Sim, eu sou dessas que acredita e vê sinais em tudo. Sim, eu acredito nessas coisas que pra muitos é uma grande bobagem. E sim, eu acho que a cada decisão que tomamos, mudamos um pouco o caminho do nosso futuro. Afinal, são essas decisões que nos levam até onde estamos.
Pois bem. Uma das coisas que ela me disse que aconteceria, acabou de acontecer e com todos os requintes de detalhes que ela disse que seria. Pra exemplificar um pouco melhor, suponha que alguém te diga que hoje você vai comer um bolo de cenoura com cobertura de limão colorido de rosa. Improvável, mas no fim do dia lá está você, devorando essa maravilha exatamente do jeito que te falaram que seria.
Sim, eu estou feliz em partes. Só que no meio de tudo isso, ainda tem previsões que não aconteceram e que tem data pra acontecer. Segundo ela, agosto será um mês definitivo na minha vida. E tem tanta, tanta coisa amarrada, que eu só consigo pedir a deus que ele esteja do meu lado pra passar por tudo isso. 
Vamos lá, acreditando e confiando que o bom está por vir. Sempre, mesmo que de maneiras misteriosas.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

filmes e seus recadinhos

- o que você faz diante de uma escolha difícil?
- isso não existe, porque sempre que você joga uma moeda pra cima, você já sabe que lado gostaria que ela caísse
(O Exótico Hotel Marigold 2)

Sim, eu sou dessas que tira lições e insights de filmes/séries/novelas/etc. Nesse feriado, aproveitei (mais uma vez), entre outras coisas como dormir muito, assistir filmes. Tenho uma lista gigante de pendências no netflix, now e cia.
Muito sem querer, liguei a tv no sábado à tarde e estava passando um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos, Comer, Rezar, Amar. E eu sempre paro pra assistir, não importa em que parte esteja. E toda vez eu tiro uma nova lição ou algo novo que havia passado despercebido, ou que faz mais sentido agora, dependendo daquilo que esteja passando na vida.
Dessa vez não foi diferente. Mas, pra minha surpresa, a parte que eu menos tinha dado atenção até agora (no caso a parte em que ela só come), foi a parte que mais me inspirou. É sempre como se o universo me mandasse um novo recado. Isso acontece só comigo ou alguém já sentiu isso também?
Enfim, depois, acabei escolhendo três outros filmes aleatórios que coincidentemente tinham a mesma temática: a Índia. 
Não vou me estender muito falando sobre eles, apenas que valem a pena assistir porque são deliciosos de se ver e estão cheio desses recadinhos especiais que a gente ama receber. O Homem que viu o Infinito e A 100 Passos de um Sonho (ambos disponíveis no netflix) e O Exótico Hotel Marigold 2 (por favor, vejam os 2 filmes, são maravilhosos), ambos disponíveis no now.